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PF diz que R$ 468 mil de Sóstenes podem ter origem em desvio de cota parlamentar
Publicado 01/07/2026 • 18:42 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 01/07/2026 • 18:42 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Thales Marques/PL no Congresso
Líder do PL na Câmara dos Deputados, deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ)
A Polícia Federal afirma ter identificado indícios de que os R$ 468,7 mil apreendidos em dezembro em um imóvel do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido na Câmara, seriam fruto de um suposto esquema de desvio de recursos da cota parlamentar.
À época da apreensão, Sóstenes disse que o dinheiro tinha origem na venda de um imóvel em Ituiutaba, em Minas Gerais. Segundo a investigação, porém, os valores não seriam exclusivamente ligados a essa transação.
O dinheiro foi encontrado em quatro pacotes de cédulas de R$ 100, etiquetados, acondicionados em um saco plástico e escondidos em um guarda-roupa.
Leia também: PF mira assessores de Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, em operação sobre desvio de verbas públicas
Nesta quarta-feira (1º), a PF deflagrou a terceira fase da Operação Rent a Car, que mira advogados ligados a Sóstenes.
A investigação apura um suposto esquema de desvio de recursos da cota parlamentar da Câmara por meio da locadora Harue Locação de Veículos Ltda., suspeita de emitir notas fiscais fictícias.
Ao seguir o caminho do dinheiro apreendido, a PF afirma ter identificado “uma complexa movimentação financeira entre empresas, com recebimento de verbas públicas e expressivos saques em espécie”.
Segundo os investigadores, as etiquetas coladas nos pacotes de dinheiro levaram às empresas EJUS Empreendimentos Imobiliários Ltda. e Foco Engenharia e Incorporações Ltda., além dos irmãos Jonas Keslley Gonçalves Umbelino e Jecy Kenne Gonçalves Umbelino.
As empresas e os irmãos foram alvo de busca e apreensão nesta quarta. A reportagem busca contato com a defesa dos citados.
De acordo com a PF, Jonas e Jecy aparecem vinculados, em análises de inteligência, a movimentações financeiras complexas, recebimento de recursos públicos, saques de grandes quantias em dinheiro e uma estrutura societária compartilhada atrelada ao deputado.
A versão apresentada por Sóstenes levou a PF a produzir dois relatórios para verificar a capacidade financeira do suposto comprador do imóvel, o advogado Thiago Ferreira de Paula, a compatibilidade econômica da transação e eventual relação do negócio com o dinheiro apreendido.
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Siga o Times | CNBCThiago também foi alvo de buscas nesta quarta-feira. O Estadão busca contato com sua defesa.
A escritura pública do negócio foi registrada em 30 de dezembro de 2025 e formalizou a venda do imóvel do deputado ao advogado por R$ 500 mil. No documento, as partes declararam que o pagamento havia sido feito em dinheiro, em 24 de novembro de 2025.
Para a PF, a cronologia levantou suspeitas. Os investigadores destacam que a escritura foi lavrada apenas em 30 de dezembro, dias depois das buscas realizadas em 19 de dezembro, quando os R$ 468,7 mil em espécie foram apreendidos.
A investigação também apontou indícios de incompatibilidade financeira envolvendo o comprador. Segundo a PF, análises de inteligência indicaram que a movimentação de créditos de Thiago de Paula era cerca de 17,7 vezes superior à renda declarada, superando sua capacidade financeira em R$ 608 mil.
Leia também: Governo da Coreia do Sul discriminou a Coupang e outras empresas americanas, conclui relatório da Câmara dos EUA
Para os investigadores da Operação Rent a Car, as apurações se concentram em dois eixos.
O primeiro envolve o grupo empresarial formado pelos irmãos Jonas e Jecy e pelas empresas EJUS Empreendimentos Imobiliários, Foco Engenharia e Incorporações e J. Umbelino Participações.
O segundo trata da narrativa apresentada para justificar a origem do dinheiro apreendido, centrada na venda do imóvel a Thiago Ferreira.
“Em ambos os eixos, o que emerge é um quadro de relevante opacidade financeira e patrimonial”, afirma a PF.
Segundo os investigadores, há indícios de “interligação societária, recebimento de recursos públicos, saques expressivos em dinheiro vivo e inconsistências cronológicas e financeiras na negociação do imóvel”, além da ausência de “comprovação bancária contemporânea para o pagamento declarado e de movimentações incompatíveis com a renda ostensiva do comprador”.
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