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PF investiga se deputado Cezinha Madureira usava acesso a ministros do STF em esquema de influência

Publicado 14/09/2026 • 19:49 | Atualizado há 37 minutos

KEY POINTS

  • Polícia Federal apura suspeitas de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro envolvendo o deputado Cezinha de Madureira e advogadas ligadas a ele.
  • Diálogos obtidos no celular de Mariângela Fialek, a Tuca, mostram Cezinha mencionando contatos com Kássio Nunes Marques e André Mendonça em processos no STF.
  • PF ressalta que nenhum magistrado é alvo da investigação e que não há indícios de pedido, recebimento ou aceitação de vantagem indevida por ministros.

A Polícia Federal investiga a suspeita de que o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) utilizava o acesso decorrente de sua atuação parlamentar para oferecer influência sobre ministros de tribunais superiores em processos acompanhados por advogadas ligadas a ele.

A hipótese aparece em uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou buscas contra Cezinha e a sociedade de advocacia da esposa do parlamentar, Valéria Rodrigues Linhares. O caso apura possíveis crimes de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Entre os nomes mencionados nas conversas analisadas pela PF estão os ministros Kássio Nunes Marques e André Mendonça.

Segundo a PF, o que está sob apuração é a possível comercialização, pelos investigados, da influência que diziam exercer sobre integrantes do STF, do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Superior Eleitoral.

Leia também: Aliado de André Mendonça, Cezinha de Madureira é alvo da PF em investigação sobre tráfico de influência em tribunais superiores

PF aponta divisão de funções

A investigação nasceu da análise do celular de Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, apreendido em dezembro de 2025 durante a Operação Transparência.

De acordo com a representação, a PF identificou uma possível estrutura com funções divididas entre Tuca, Valéria e Cezinha.

Tuca seria responsável por captar e formalizar as causas e preparar memoriais. Valéria, esposa do deputado, atuaria na elaboração e revisão de contratos de honorários e cessões de crédito. Já Cezinha seria responsável pelo contato pessoal com ministros de tribunais superiores.

Para a PF, o padrão se repetiria em diferentes casos: documentos eram enviados ao parlamentar, que depois informava ter falado, despachado ou feito pedidos a ministros, enquanto eram firmados paralelamente contratos condicionados ao sucesso das causas.

Uma informação da Polícia Judiciária concluiu que os diálogos indicariam uma parceria entre Mariângela e Valéria para buscar decisões favoráveis em processos no Supremo com auxílio de Cezinha.

Mensagens mencionam Nunes Marques e Mendonça

Em uma troca de mensagens de 12 de junho de 2025 reproduzida na decisão, Cezinha afirma que seria atendido por vídeo às 16h por Kássio Nunes Marques.

Na sequência, o deputado diz:

“Já falei ontem com Andre e Antonio Carlos sobre esse tema. Ok? Entendeu?”

Mais adiante, ao falar de Nunes Marques, afirma que enviaria o número do processo antes do encontro e acrescenta:

“Ai vou pedi a ele […] Foi até bom que ele vai ver se de fato eu preciso pedir expressamente”.

Dino considerou que as referências a um pedido pessoal ao ministro, analisadas junto aos demais elementos do processo, indicavam em exame preliminar que a atuação do parlamentar poderia ter ido além do simples encaminhamento de documentos.

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Dias depois, em 18 de junho, Tuca enviou a Cezinha três memoriais referentes à mesma reclamação, nominalmente endereçados a Nunes Marques, André Mendonça e Gilmar Mendes.

A investigação busca agora esclarecer com quem Cezinha efetivamente manteve contato, qual foi o conteúdo dessas conversas e se existiram outros processos intermediados pelo parlamentar.

Contratos previam valores de até R$ 2 milhões

A decisão também relaciona a atuação investigada a contratos de honorários vinculados ao resultado de processos judiciais.

Em uma reclamação no STF, um contrato previa pagamento de R$ 500 mil após o julgamento.

Em outro caso, a sociedade de advocacia da esposa de Cezinha teria direito a R$ 1 milhão de honorários em caso de êxito. Um contrato relacionado ao mesmo processo previa ainda R$ 2 milhões adicionais se fosse obtida a liberdade do cliente, ainda que acompanhada de medidas cautelares.

Ministros estão fora do objeto da investigação

Segundo a representação, não há elementos indicando que ministros do STF, STJ ou TSE tenham solicitado, recebido ou aceitado vantagem indevida, nem que tenham praticado decisões contrárias ao direito em razão das tratativas investigadas.

Os magistrados citados aparecem, de acordo com a PF, apenas como pessoas sobre as quais os investigados alegariam ter capacidade de influência.

A PF afirma ainda que receber um parlamentar, conceder audiência a advogado ou analisar memoriais são atividades lícitas e inerentes à atuação judicial.

Leia também: Quem é Cezinha de Madureira, investigado por suposto tráfico de influência no STF e STJ?

R$ 510 mil apreendidos entram na investigação

Dino também determinou que sejam levadas ao STF as investigações relacionadas à apreensão de R$ 510 mil em espécie com Valéria Rodrigues Linhares no Aeroporto de Congonhas, em 25 de agosto.

A defesa havia informado que o dinheiro seria proveniente de honorários advocatícios e se comprometeu a apresentar documentação fiscal.

Para os investigadores, a apreensão ganhou relevância porque os documentos encontrados no celular de Tuca previam pagamentos de R$ 500 mil, R$ 1 milhão e R$ 2 milhões vinculados ao êxito em processos.

Dino autorizou ainda que as buscas alcancem dinheiro em espécie acima de R$ 10 mil, além de obras de arte, joias, veículos e outros itens de luxo que apresentem indícios de relação com os crimes investigados.

O ministro, porém, rejeitou a realização de busca no gabinete de Cezinha na Câmara dos Deputados. Segundo Dino, não havia elementos suficientes para sustentar a hipótese de que o local tivesse sido utilizado para encontros relacionados aos fatos investigados.

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