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Aliado de André Mendonça, Cezinha de Madureira é alvo da PF em investigação sobre tráfico de influência no STF e STJ
Publicado 14/09/2026 • 12:15 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 14/09/2026 • 12:15 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira (14) a terceira fase da Operação Transparência, que investiga uma suposta estrutura de intermediação de interesses junto a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Um dos principais alvos é o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), próximo do ministro do STF André Mendonça.
Segundo a investigação, o grupo teria buscado contratos de honorários e cessão de pagamentos considerados elevados para atuar, sob a alegação de possuir acesso ou capacidade de influência em tribunais superiores. A nova etapa da operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos no Distrito Federal e em São Paulo, inclusive contra Cezinha e sua mulher, a advogada Valéria Rodrigues Linhares. Até o momento, a PF afirma não ter identificado elementos que apontem solicitação, aceitação ou recebimento de vantagem indevida por integrantes do Poder Judiciário.
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Informações obtidas a partir de celulares apreendidos nas etapas anteriores da Operação Transparência levaram a PF a investigar o que seria uma atuação coordenada envolvendo Cezinha, Valéria e Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, ex-assessora do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL).
De acordo com a apuração, Mariângela seria responsável por captar demandas e preparar memoriais. Valéria cuidaria de contratos, assinaturas e acompanhamento dos casos. Já Cezinha apareceria como o responsável por manter contatos que poderiam abrir caminho para interlocução com integrantes do STF e do STJ.
Os investigadores apontam mensagens nas quais Cezinha teria informado a interlocutores que havia conversado, tratado ou encaminhado determinados assuntos. Posteriormente, Mariângela cobraria atualizações sobre o andamento dessas demandas. A PF também identificou contratos com valores que, segundo os investigadores, seriam desproporcionais a uma prestação convencional de serviços jurídicos e estariam ligados ao resultado dos processos.
Na decisão que autorizou as buscas, Flávio Dino afirmou que os elementos reunidos até agora indicam a possibilidade de Cezinha ter utilizado sua posição como deputado federal para atuar como intermediário entre terceiros e magistrados de tribunais superiores.
Segundo a decisão, embora o parlamentar não seja advogado, a suspeita é de que sua condição política tenha sido apresentada como forma de demonstrar capacidade de acesso e influência sobre integrantes das cortes. Dino também apontou que os valores envolvidos chamaram a atenção dos investigadores por serem elevados para o tipo de atuação descrita.
A investigação apura possíveis crimes de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
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Siga o Times | CNBCValéria Rodrigues Linhares também está no centro da apuração. Segundo a investigação, contratos ligados às operações sob análise passavam pela advogada, que atuava na formalização e revisão dos documentos.
Em agosto, a PF apreendeu R$ 510 mil em espécie na bagagem de mão de Valéria durante uma inspeção no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, quando ela tentava embarcar para Brasília. O dinheiro foi localizado no raio-X e recolhido pelos agentes.
A Operação Transparência teve início em dezembro de 2025, inicialmente para investigar possíveis irregularidades envolvendo a destinação de recursos públicos por meio de emendas parlamentares.
A análise de mensagens e documentos apreendidos nas primeiras etapas levou a PF a identificar uma linha de investigação paralela, relacionada à suposta negociação de influência no Judiciário. A partir desse material, os agentes passaram a apurar a possível existência de uma estrutura voltada a intermediar interesses privados em processos que tramitavam nos tribunais superiores.
Cezinha de Madureira mantém relação próxima com André Mendonça e foi apontado anteriormente como responsável por articular uma reunião entre o ministro do STF e Daniel Vorcaro, então ligado ao Banco Master.
Mendonça confirmou que recebeu Vorcaro em março de 2025. Segundo seu gabinete, o encontro tratou de créditos de precatórios de interesse do Banco Master. A assessoria afirmou que o ministro ouviu o empresário e que, posteriormente, adotou posição contrária aos interesses apresentados no processo.
A reunião ocorreu antes de Mendonça assumir, em fevereiro de 2026, a relatoria do caso relacionado ao Banco Master no Supremo.
Apesar da investigação sobre a alegada capacidade de Cezinha de acessar integrantes dos tribunais superiores, a Polícia Federal ressalta que, nesta fase, não há indícios de participação de ministros do STF ou do STJ no esquema investigado.
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