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PF identifica movimentação de R$ 300 mil em espécie em investigação ligada a Lulinha
Publicado 25/08/2026 • 08:54 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 25/08/2026 • 08:54 | Atualizado há 2 horas
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Reprodução / Canva
Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula
A Polícia Federal identificou um motorista de Roberta Luchsinger como operador financeiro nas movimentações de dinheiro vivo. Em 25 de junho de 2025, ele recolheu R$ 300 mil em duas operações, e parte do valor foi destinada a uma agência de viagens usada por Roberta e por Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
As coletas foram de R$ 100 mil e R$ 200 mil. Dos valores movimentados, R$ 50 mil foram repassados à agência, que havia emitido passagens para Roberta e Lulinha. No mesmo dia, o serviço da empresa foi usado para pagar cerca de R$ 2 mil em bilhetes para os dois, de Brasília para o aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
Os detalhes das movimentações constam de um documento da PF obtido pela Folha de S.Paulo. O Estadão também teve acesso à investigação e revelou que a polícia aponta Ulisses Barbosa Viana Júnior, motorista de Roberta, como operador financeiro e pretende aprofundar essa frente da apuração.
A defesa de Lulinha afirma que não está comprovado nos autos que o dinheiro em espécie tenha sido utilizado para pagar as passagens dele. Os advogados também acusam setores da PF de tentar interferir no processo eleitoral. A defesa de Roberta disse à Folha que não comentaria conversas extraídas de um relatório sob sigilo.
Leia também: “Roberta, a gente tá se arriscando”, disse Lulinha à amiga lobista em conversa recuperada pela PF
Segundo a investigação, Ulisses realizou, no mesmo dia, duas coletas de dinheiro em espécie com uma pessoa ainda não identificada pela PF.
Após receber os R$ 300 mil, o motorista informou a Roberta que estava levando os valores para a residência dela. Em seguida, a lobista orientou Ulisses a depositar R$ 50 mil na conta de sua consultoria e outros R$ 50 mil na agência de viagens, além de separar outras quantias para pessoas não identificadas pelos investigadores.
Em outra mensagem, Ulisses enviou a imagem de um armário e informou que o restante do dinheiro estava guardado atrás das roupas.
A PF afirma que Roberta utilizava o motorista para realizar “movimentações significativas de dinheiro em espécie”. A corporação informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que pretende aprofundar as diligências sobre a atuação do operador financeiro, inclusive para esclarecer eventual prática de lavagem de dinheiro.
Até o momento, não há conclusão de que tenha ocorrido lavagem de dinheiro.
O repasse de R$ 50 mil para a agência entrou no radar dos investigadores porque a empresa era utilizada por Roberta e Lulinha.
No mesmo dia das coletas, o serviço da agência foi usado para pagar cerca de R$ 2 mil em passagens para que os dois viajassem de Brasília a São Paulo.
Em outra mensagem recuperada pela PF, Roberta enviou ao motorista a imagem do bilhete eletrônico de um voo que faria com Lulinha e pediu que ele estivesse no aeroporto para recebê-los.
A sequência das movimentações é destacada pelos investigadores, mas a origem do dinheiro e sua destinação ainda estão sob apuração. A defesa de Lulinha contesta que os documentos comprovem que os recursos em espécie tenham custeado suas passagens.
Outra frente financeira identificada nas mensagens envolve despesas com uma residência usada por Lulinha.
Em um diálogo de agosto de 2025, Roberta afirmou que não poderia continuar gastando com passagens porque já desembolsava cerca de R$ 100 mil por mês com uma casa usada pelo filho do presidente. A informação foi divulgada inicialmente pelo Estadão e também consta de reportagem da Folha.
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Siga o Times | CNBCA PF não informa a qual imóvel Roberta se referia na conversa.
Uma mansão no Lago Sul, em Brasília, associada a Lulinha tinha aluguel mensal de R$ 28 mil. O contrato foi firmado em nome do dentista Rafael Nicolau Fioruci Arbex. A defesa afirma que Lulinha nunca morou no imóvel.
Não há elementos divulgados até agora que permitam afirmar que se trata da mesma residência mencionada por Roberta no diálogo sobre os R$ 100 mil mensais.
O diálogo sobre os gastos da residência trouxe outro elemento para a investigação.
Roberta relatou ao empresário Cléber Ribas de Oliveira uma conversa que teria mantido com Lulinha sobre os custos da casa e a necessidade de reduzir as despesas com passagens, diante da demora no recebimento dos pagamentos.
Segundo o relato de Roberta reproduzido na investigação, Lulinha teria respondido que pediria os pagamentos diretamente aos empresários, conforme revelou o Estadão.
Cléber Ribas, ligado à empresa de tecnologia 3Structure, aparece em outra frente da investigação. A PF identificou pelo menos R$ 2,5 milhões em pagamentos do empresário a Roberta entre março de 2024 e dezembro de 2025 e apura se Lulinha foi destinatário de benefícios e de despesas custeadas com esses recursos.
A defesa de Ribas nega favorecimento e afirma que não houve relação comercial com o filho do presidente.
Leia também: PF aponta Lulinha como destinatário de pagamentos de empresário com interesses no governo federal
As despesas com viagens aparecem em diferentes conversas reunidas pela investigação.
Em mensagens de janeiro de 2024, Lulinha demonstrou preocupação com uma viagem internacional planejada com Roberta e afirmou não ter, naquele momento, dinheiro nem “origem” para justificar os gastos.
Roberta estimou que a viagem poderia custar cerca de R$ 100 mil, incluindo passagens e hospedagem. Lulinha respondeu que seria melhor esperar e escreveu que os dois estavam “se arriscando”.
A frente sobre dinheiro em espécie integra um conjunto de investigações envolvendo Lulinha, Roberta e outros personagens próximos ao grupo.
Em relatório sobre suspeitas de tráfico de influência, a PF apontou elementos de um núcleo formado por Lulinha, Roberta Luchsinger e Fernando Bittar para intermediar interesses privados junto a órgãos do governo federal.
Os investigadores atribuíram ao filho do presidente um papel de “elevada relevância” nas tratativas analisadas. As suspeitas seguem em investigação e a defesa de Lulinha nega irregularidades.
A apuração sobre Ulisses deverá buscar esclarecer a origem dos R$ 300 mil em espécie, a destinação do restante dos valores e o papel desempenhado pelo motorista nas movimentações financeiras atribuídas a Roberta.
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