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PF investiga possível mudança de Lulinha ao exterior em apuração sobre fraudes no INSS
Publicado 17/03/2026 • 07:36 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 17/03/2026 • 07:36 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
ESTADÃO CONTEÚDO
Imagem de arquivo. Brasil, Rio de Janeiro, RJ. 04/03/2008. O empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, é visto no sambódromo da Marquês de Sapucaí durante o desfile das escolas de samba do Grupo Especial do Carnaval.
Relatório técnico da Polícia Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) apontou suspeitas de que a mudança de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para o exterior poderia ter como objetivo evitar o avanço das investigações sobre desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A defesa nega essa intenção e afirma que a mudança foi planejada antes da deflagração da Operação Sem Desconto.
O documento, mantido sob sigilo, foi encaminhado ao STF em dezembro, no contexto do pedido de quebra de sigilo bancário de Lulinha, autorizado pelo ministro André Mendonça.
Segundo o Estadão, a análise trata da relação entre o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, preso sob suspeita de liderar um esquema de desvio de aposentadorias.
Leia também: Lulinha admite ao STF que teve viagem bancada por Careca do INSS
Segundo o relatório, a viagem de Lulinha ao exterior, sem previsão de retorno, poderia indicar “possível evasão do País”, considerando sua associação com o que a PF descreve como o principal operador das fraudes.
Em petição apresentada ao STF na segunda-feira (16), Lulinha afirmou que mantinha com Antunes uma relação “esporádica e de natureza social”. Ele reconheceu que o empresário custeou uma viagem a Portugal, em novembro de 2024, para conhecer um projeto de produção de canabidiol medicinal. De acordo com a PF, o empresário pretendia investir no setor por meio da empresa World Cannabis.
A confissão de Lulinha havia sido antecipada pelo Estadão, mas é a primeira vez que sua defesa apresenta formalmente explicações ao ministro André Mendonça sobre sua relação com o empresário. A petição foi apresentada depois das notícias da quebra do sigilo bancário do empresário e diante do receio de que ele seja alvo de novas medidas da Polícia Federal.
Leia também: Lulinha: quem é o filho de Lula que teve sigilo quebrado na CPMI do INSS
Lulinha diz que foi apresentado ao Careca do INSS por meio de sua amiga Roberta Luchsinger em 2024 “como um bem-sucedido empresário do mercado farmacêutico”. Lulinha afirma que não tinha conhecimento, na ocasião, da atuação dele junto ao INSS.
A investigação aponta que o empreendimento poderia ser financiado com recursos oriundos do esquema de desvio de aposentadorias, configurando uma etapa de lavagem de dinheiro. Durante a viagem, eles visitaram um terreno onde seria instalada uma fábrica.
Procurada pelo Estadão, a defesa sustenta que o negócio não avançou e que Lulinha não recebeu recursos do empresário nem participou de negociações. Também afirma que ele desconhecia qualquer irregularidade envolvendo Antunes à época.
Além da viagem, a PF apreendeu anotações atribuídas ao empresário que indicariam encontros com Lulinha em Brasília e apura se houve pagamentos. Ainda de acordo com o jornal, um ex-funcionário de Antunes afirmou ter ouvido que o empresário pagava uma mesada de R$ 300 mil ao filho do presidente. A quebra de sigilo bancário, no entanto, não identificou transferências desse tipo para as contas de Lulinha.
Leia também: Lulinha: quem é o filho de Lula que teve sigilo quebrado na CPMI do INSS
Os advogados afirmam que a mudança para Madri começou a ser planejada em 2024, com medidas práticas adotadas apenas em 2025, incluindo contato com instituições de ensino na Espanha para matrícula dos filhos. A Operação Sem Desconto foi deflagrada em abril de 2025, quando já havia reportagens sobre suspeitas envolvendo o empresário.
A defesa também argumenta que Lulinha foi apresentado a Antunes por uma amiga em 2024, como empresário do setor farmacêutico, e que não tinha conhecimento de sua atuação junto ao INSS. Segundo os advogados, mesmo que tivesse havido eventual relação comercial, isso não configuraria crime, uma vez que o projeto era considerado lícito à época.
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