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Ex-embaixador alerta para o impacto da crise diplomática nas eleições brasileiras

Publicado 05/08/2026 • 12:45 | Atualizado há 57 minutos

KEY POINTS

  • Os Estados Unidos cancelaram o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em meio ao impasse diplomático.
  • A decisão pode trazer consequências para a diplomacia e para os investimentos atuais e futuros entre os governos.
  • Segundo Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos, já era esperado uma interferência do governo americano nas eleições brasileiras.

Os Estados Unidos cancelaram o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em meio ao impasse diplomático envolvendo a nomeação de embaixadores entre os dois países. A decisão pode trazer consequências para a diplomacia e para os investimentos atuais e futuros entre os governos. Segundo Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos, já era esperado uma interferência do governo americano nas eleições brasileiras.

O ex-embaixador afirma que essas interferências tendem a continuar, em meio às eleições brasileiras, que estão a todo vapor. “Há, sim, um viés em relação à eleição brasileira. Estamos vendo uma série de medidas relacionadas a isso. Há mais de um mês teve início o que eu chamo de crise político-diplomática entre Estados Unidos e Brasil”, explicou.

A chamada crise político-diplomática, na visão de Rubens, entre Estados Unidos e Brasil começou a pouco mais de um mês, com as críticas do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ao presidente Lula e às negociações conduzidas pelo Brasil e a réplica do ministro Mauro Vieira, que respondeu em termos igualmente duros, classificando as declarações como grosserias, afirmando que o Brasil não cederia.

O ex-embaixador também citou a publicação de um artigo de Lula no Washington Post, onde o governante questiona a política americana em relação às áreas de influência e afirmando que o Brasil não faria concessões. Além disso, o Brasil não aceitou nenhuma das propostas apresentadas pelo governo americano ao longo desse período.

Leia também: Brasil repudia mudança no visto de embaixadora e acusa EUA de escalada nas tensões

A partir da escalada de ações e pronunciamentos, não é surpresa que essa crise político-diplomática tenha se agravado. “O episódio de ontem representa o momento mais sério dessa escalada e dessa guerra de narrativas entre os governos americano e brasileiro. E acredito que isso continuará até as eleições”, alerta Rubens.

Rubens avalia que a atual crise diplomática entre Brasília e Washington é influenciada tanto pelo cenário eleitoral brasileiro quanto pela crescente politização da política externa nos dois países.

Segundo ele, a proximidade das eleições presidenciais faz com que decisões e discursos sejam pautados por interesses políticos internos, dificultando uma condução mais técnica da diplomacia. “O problema que estamos vivendo é duplo. Primeiro, estamos às vésperas de uma eleição. Todos estão pensando nas eleições e construindo narrativas relacionadas à soberania e à defesa dos interesses nacionais”, afirmou.

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Na avaliação de Barbosa, a política externa brasileira também passou a ser fortemente influenciada por questões ideológicas, reduzindo o protagonismo tradicional do Itamaraty. “A política externa hoje não está completamente nas mãos do Itamaraty”, disse. Como exemplo, o ex-embaixador citou a nota divulgada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República após a revogação do visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos.

“A própria nota divulgada pela Secretaria de Comunicação demonstra isso. Se a condução estivesse exclusivamente com o Itamaraty, provavelmente teria sido o Ministério das Relações Exteriores a assinar o documento”, afirmou.

Para o ex-embaixador, a influência da ideologia sobre as relações internacionais não se restringe ao Brasil e também pode ser observada em outros países da região e nos Estados Unidos. “Hoje, toda ação externa está contaminada por questões ideológicas, tanto na Argentina quanto nos Estados Unidos e também no Brasil”, afirmou.

Leia também: Revogação de visto da embaixadora brasileira nos EUA equivale a rompimento diplomático, diz especialista em relações internacionais

No entanto, apesar do agravamento das tensões, o ex-embaixador acredita que o cenário tende a se estabilizar após as eleições brasileiras, e embora a crise política tenha se intensificado, as negociações comerciais seguem ocorrendo em paralelo.

Na visão do ex-embaixador, um agravamento das tensões não interessa a nenhuma das partes. “Esperamos apenas que as medidas adotadas até as eleições não levem os dois governos a perderem o controle da situação, porque um agravamento maior não interessa a nenhum dos dois países. Isso poderia prejudicar as relações bilaterais nas áreas econômica, comercial, científica, tecnológica e cultural.”

Questionado sobre a possibilidade de o governo brasileiro acelerar a concessão do visto ao indicado pelos Estados Unidos para a embaixada americana no Brasil como forma de reduzir a tensão diplomática, Barbosa afirmou considerar esse cenário improvável. “Acho muito difícil, justamente por causa do contexto eleitoral”, concluiu.

Leia mais: Governo Trump revoga visto de embaixadora do Brasil nos Estados Unidos

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