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Portos brasileiros aceleram descarbonização para manter competitividade logística

Publicado 02/06/2026 • 19:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Presidente do IBI e da Associação Comercial de Santos cita pressão regulatória, ambiental e de mercado sobre terminais marítimos.
  • Eletrificação de equipamentos e fornecimento de energia em terra para navios estão entre os principais caminhos para reduzir emissões.
  • Mauro Sammarco defende avanço de ferrovias e cabotagem para elevar a eficiência logística do país.

A descarbonização dos portos e terminais marítimos deixou de ser uma meta de longo prazo e passou a ser uma necessidade estratégica imediata para o Brasil. É o que avalia Mauro Sammarco, presidente do Conselho do Instituto Brasileiro de Infraestrutura e presidente da Associação Comercial de Santos.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Sammarco afirmou que a pressão vem tanto das metas internacionais de redução de emissões quanto de exigências de mercado e de cidades portuárias afetadas pela poluição.

“As empresas sentem uma pressão, uma necessidade urgente de fazer esforços para descarbonização”, disse.

Segundo ele, o Porto de Santos já registra movimentos nessa direção, especialmente nos terminais de contêineres, com a substituição de equipamentos movidos a diesel por veículos elétricos. Sammarco citou guindastes portuários e equipamentos de pátio como exemplos de operações que caminham para reduzir o uso de combustíveis fósseis.

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Outro ponto considerado central é o fornecimento de energia elétrica em terra para navios atracados, prática conhecida como eletrificação de cais. A medida permite que embarcações desliguem geradores a diesel enquanto permanecem no porto.

“O navio, quando está atracado no cais, não está rodando seu motor principal, mas está rodando geradores. Isso está gerando poluentes para aquela região portuária”, afirmou.

Sammarco disse que o tema já avança em projetos no Brasil, como no Porto do Pecém e na Portonave, em Navegantes. Segundo ele, o país ainda discute ajustes regulatórios e a participação de empresas de geração e distribuição de energia para atender à demanda dos navios.

Na avaliação do executivo, a agenda ambiental também envolve temas como água de lastro e incrustação no casco das embarcações, que podem transportar organismos entre diferentes regiões. Ele afirmou que a regulação da água de lastro é de competência da Marinha, conforme convenção internacional, e disse que há discussão em Santos sobre uma regra adicional imposta pela autoridade portuária local.

Sammarco também apontou a expansão ferroviária como parte essencial da transição para uma logística mais eficiente e sustentável. Para ele, o Brasil acumulou atraso ao priorizar historicamente o transporte rodoviário.

“Infelizmente, o país fez uma opção no passado por deixar de investir em ferrovias”, disse.

Segundo ele, a produção brasileira de grãos, acima de 350 milhões de toneladas, pressiona um sistema logístico ainda ineficiente para levar cargas do Centro-Oeste e do Matopiba até as áreas de escoamento. Sammarco citou como positivas as concessões ferroviárias, a Ferrogrão e projetos de ligação bioceânica para ampliar alternativas de transporte.

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A cabotagem também foi apontada como modal subutilizado no país. Para Sammarco, o baixo uso decorre de uma combinação de fatores culturais e regulatórios, incluindo a preferência histórica pelo transporte rodoviário e a tributação sobre o combustível usado na navegação costeira.

“A gente precisa ter benefícios para poder usar esse modal que traz uma grande eficiência”, afirmou.

Ao comentar a competição entre portos brasileiros, Sammarco disse que Santos deve manter protagonismo no transporte de contêineres por estar próximo ao maior mercado consumidor do país, o estado de São Paulo. Para cargas de grãos, no entanto, ele afirmou que os investimentos no Arco Norte fazem sentido econômico e logístico.

Segundo ele, a possibilidade de escoar grãos pela costa do Pacífico pode reduzir tempo de viagem à China, diminuir frete e ampliar a competitividade brasileira em relação ao mercado americano.

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