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EUA atacam o Irã e Houthis ameaçam bloqueio marítimo à Arábia Saudita enquanto mediadores tentam trégua de 10 dias

Publicado 21/07/2026 • 08:33 | Atualizado há 4 horas

KEY POINTS

  • A ofensiva norte-americana ocorre enquanto mediadores regionais apresentam a Washington e Teerã uma proposta de cessar-fogo de 10 dias.
  • Segundo o Comando Central dos EUA (Centcom), os ataques atingiram centros de comando militar iranianos, sistemas de defesa aérea, além de locais de lançamento de mísseis e drones.
  • A notícia do bloqueio elevou brevemente os preços do petróleo, mas os ganhos foram reduzidos diante da expectativa de uma possível trégua.
EUA

Os Estados Unidos realizaram novos ataques contra alvos iranianos na noite de segunda-feira, em meio à escalada de tensões no Oriente Médio. Paralelamente, os Houthis, grupo iemenita apoiado por Teerã, anunciaram um bloqueio naval imediato contra a Arábia Saudita, medida que pode comprometer o fluxo global de petróleo.

A ofensiva norte-americana ocorre enquanto mediadores regionais apresentam a Washington e Teerã uma proposta de cessar-fogo de 10 dias, em uma tentativa de retomar o Memorando de Entendimento firmado no mês passado.

Leia também: EUA anunciam tarifas adicionais de 50% sobre produtos canadensesSegundo o Comando Central dos EUA (Centcom), os ataques atingiram centros de comando militar iranianos, sistemas de defesa aérea, além de locais de lançamento de mísseis e drones. O objetivo, afirmou a nota oficial, é “reduzir a capacidade do Irã de atacar embarcações comerciais no Estreito de Hormuz”. Desde maio, forças americanas dizem ter escoltado cerca de 900 navios e 450 milhões de barris de petróleo pela rota estratégica.

Na madrugada de terça-feira, o Irã atacou um petroleiro no próprio Estreito de Hormuz, forçando a tripulação a abandonar a embarcação. O canal marítimo responde por cerca de 20% do tráfego mundial de petróleo.

Enquanto isso, os Houthis declararam embargo marítimo contra a Arábia Saudita, acusando Riad de impor um “cerco agressivo” e de bombardear o aeroporto internacional de Sanaa. A coalizão liderada pelos sauditas prometeu responder “com força”, classificando a medida como “violação flagrante do direito internacional”

Trégua difícil

A notícia do bloqueio elevou brevemente os preços do petróleo, mas os ganhos foram reduzidos diante da expectativa de uma possível trégua. O Brent para setembro recuava 1,5%, cotado a US$ 87,95, após ter superado US$ 90 na sessão anterior. O WTI para agosto caía 1,2%, a US$ 82,25.

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Analistas do ING destacaram que a proposta de cessar-fogo pode abrir espaço para uma desescalada, mas alertaram: “Grandes divisões permanecem entre EUA e Irã. E o presidente Donald Trump já afirmou que haverá retaliação após a morte de soldados americanos”, escreveram Warren Patterson e Ewa Manthey.

Em sua rede Truth Social, Trump reforçou: “Cada vez que o Irã matar um soldado americano, pagará muitas vezes por isso”, afirmando ter repassado a ordem a toda a liderança militar.

Risco ao petróleo saudita

Para Jorge León, vice-presidente da Rystad Energy, a ameaça dos Houthis coloca em risco cerca de 2,5 milhões de barris diários de petróleo saudita. Com o tráfego no Estreito de Hormuz praticamente paralisado, o mercado depende cada vez mais do oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita e dos terminais no Mar Vermelho.

O Petroline, como é conhecido, tem 1.200 km e conecta Abqaiq, na costa do Golfo, ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho. “Qualquer interrupção no Bab el-Mandeb ameaçaria não apenas os embarques sauditas, mas uma das poucas rotas capazes de compensar a redução severa no tráfego de Hormuz”, alertou León.

Se a trégua não avançar e os bloqueios persistirem, o risco de uma disparada nos preços do petróleo torna-se significativo.

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