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Tarifas do Trump

Tarifaço: Trump publica lista com empresas e associações que apoiaram o tarifaço ao Brasil; veja

Publicado 20/07/2026 • 13:55 | Atualizado há 13 horas

KEY POINTS

  • O USTR destacou manifestações de apoio de entidades empresariais e associações setoriais americanas à tarifa de 25% sobre produtos brasileiros imposta pelo governo Trump.
  • Representantes dos setores agrícola, biocombustíveis, bens de consumo, madeira e produção de milho respaldaram a decisão.
  • Governo brasileiro vê falta de justificativa técnica para aplicação da medida e classifica a iniciativa como uma tentativa de interferência política.

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) destacou, em publicações em seus canais oficiais, manifestações de apoio de entidades empresariais e associações setoriais americanas à decisão do governo Donald Trump de impor uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros.

Segundo o órgão, a medida recebeu respaldo de representantes dos setores agrícola, de biocombustíveis, bens de consumo, madeira e produção de milho, que defendem a sobretaxa como forma de combater práticas comerciais consideradas desleais por parte do Brasil.

Apoio de setores produtivos

A medida foi adotada com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, após uma investigação que concluiu que ações, políticas e práticas brasileiras teriam prejudicado trabalhadores, empresas e inovadores americanos ao longo de décadas.

O inquérito apontou supostas restrições ao acesso de exportadores americanos ao mercado brasileiro, um dos maiores do mundo.

Entre os apoiadores da decisão está a secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Brooke Rollins. Ela afirmou que agricultores e produtores americanos foram colocados em desvantagem por práticas comerciais consideradas injustas e citou como exemplo a tarifa de 18% aplicada pelo Brasil ao etanol americano.

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Segundo Rollins, a medida brasileira provocou uma redução superior a 87% nas exportações do combustível dos Estados Unidos para o mercado brasileiro desde 2018.

O setor de biocombustíveis também se posicionou favoravelmente ao tarifaço. O presidente da Renewable Fuels Association, Geoff Cooper, declarou que o Brasil dificultou a entrada do etanol americano por meio de tarifas e barreiras de mercado, argumentando que, após sucessivas tentativas de negociação sem resultados, os Estados Unidos optaram por adotar um tratamento recíproco.

A CEO da Growth Energy, Emily Skor, afirmou que produtores brasileiros tiveram amplo acesso ao mercado americano, enquanto as exportações de etanol dos EUA enfrentaram restrições no Brasil durante quase uma década.

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A National Corn Growers Association, que representa produtores de milho, também elogiou a decisão. O presidente da entidade, Jed Bower, afirmou que a investigação conduzida pelo governo americano identificou uma disparidade comercial que, na avaliação do setor, justificava a adoção de tarifas.

Produtos atingidos

A sobretaxa de 25% alcança um conjunto amplo de produtos brasileiros. Entre os principais itens afetados estão etanol, máquinas agrícolas, vestuário, máquinas elétricas, calçados, ferramentas de jardinagem, equipamentos ligados à mineração, papel, aço, açúcar orgânico, produtos agrícolas diversos e manufaturados em geral.

Além do agronegócio e dos biocombustíveis, representantes da indústria americana também manifestaram apoio à medida. A presidente da Consumer Brands Association, Melissa Hockstad, afirmou que a política comercial adotada pelo governo Trump fortalece a indústria dos Estados Unidos ao considerar limitações de fornecimento doméstico e a disponibilidade de insumos estratégicos, como café, produtos de madeira e matérias-primas vegetais.

No setor florestal, a Louisiana Loggers Association avaliou que a decisão contribui para equilibrar a concorrência internacional. A entidade argumentou que os produtores americanos de madeira operam sob elevados padrões ambientais e trabalhistas e que a medida ajuda a fortalecer a competitividade da indústria nacional.

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Reação do governo brasileiro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mobilizou ministros e o vice-presidente Geraldo Alckmin para reagir tanto à medida comercial quanto às críticas feitas pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

O governo brasileiro classificou a iniciativa como uma tentativa de interferência política e anunciou que dará início aos procedimentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado.

Ao mesmo tempo, integrantes da administração federal afirmaram que o país continuará aberto às negociações com Washington.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o Brasil não irá “baixar a cabeça” diante da decisão americana. A reação ocorreu após Rubio responsabilizar o presidente Lula pelo fracasso das negociações comerciais entre os dois países e afirmar que as novas tarifas seriam consequência da postura adotada pelo governo brasileiro.

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