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Pressão sobre juros nos EUA deve ser temporária, mas deixa Brasil mais vulnerável, diz economista Benjamin Mandel
Publicado 21/08/2026 • 17:15 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 21/08/2026 • 17:15 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A pressão sobre os juros de longo prazo nos Estados Unidos não deve evoluir para uma crise de dívida, mas o ambiente global de taxas elevadas deixa mercados como o Brasil mais vulneráveis. A avaliação é de Benjamin Mandel, ex-economista do Federal Reserve (Fed) e chefe de pesquisa da Jubarte Capital.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Mandel afirmou que o mercado de Treasuries enfrenta desequilíbrio entre uma oferta elevada de títulos, provocada pelas necessidades de financiamento do governo americano, e uma demanda que perdeu força.
“Acho que é a pergunta-chave para o investidor global: se as pressões que estão puxando a taxa de juros global para cima vão continuar ou não”, afirmou.
Segundo ele, a política fiscal americana deve continuar expansionista nos próximos anos, mantendo elevada a emissão de dívida. Pelo lado da demanda, porém, Mandel espera que a redução do apetite por Treasuries perca intensidade.
“A escassez de demanda por Treasuries vai desacelerar nos próximos trimestres. E daí tem outros compradores que estão mais sensíveis ao preço que vão entrar”, disse.
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Para Mandel, o atual movimento dos juros não significa que as taxas americanas continuarão subindo indefinidamente.
“A gente não está preocupado com crise de dívida e crise fiscal nos Estados Unidos que vá causar essas taxas de juros subirem sem limite, para sempre”, afirmou.
A postura da Jubarte, segundo ele, é mais tática: evitar neste momento uma exposição direta maior aos títulos americanos e buscar ativos mais adequados a um ambiente temporariamente pressionado por juros globais elevados.
O economista também avaliou a decisão do Tesouro americano de ampliar seu programa de recompra de títulos. Embora a medida tenha produzido alívio pontual, Mandel disse que o debate central permanece concentrado nos fatores estruturais de oferta e demanda no mercado de dívida.
Na política monetária, Mandel afirmou que uma nova elevação de juros pelo Fed continua possível, mas perdeu força diante dos dados econômicos mais recentes.
Segundo ele, existe uma divisão dentro do comitê entre dirigentes preocupados com a credibilidade do Fed no combate à inflação e aqueles que dão mais peso à desaceleração recente da economia.
“Tem um risco relevante, mas não tenho certeza que eles vão subir juros nas próximas reuniões”, afirmou.
Mandel destacou que dados recentes de crescimento, mercado de trabalho e inflação vieram mais fracos ou mais bem comportados.
“A probabilidade de eles subirem juros em setembro caiu muito em função desses dados recentes, mas a discussão continua viva”, disse.
O economista ressaltou que as reuniões seguintes continuarão dependentes dos indicadores divulgados até lá.
Caso a inflação volte a acelerar, Mandel considera possível um ciclo adicional de aperto.
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Siga o Times | CNBC“Se os dados acelerarem, especificamente de inflação, vai botar muita pressão no comitê para fazer um ajuste”, afirmou.
Segundo ele, esse movimento poderia chegar, de forma acumulada, a algo entre 0,50 e 0,75 ponto percentual, como sinal de resposta às condições inflacionárias e à necessidade de preservar a credibilidade da meta.
No Brasil, Mandel vê forças econômicas apontando em direções diferentes.
De um lado, a desaceleração da atividade e os dados recentes de inflação sugerem que a política monetária restritiva está produzindo efeito.
“Tem forças cíclicas. Crescimento desacelerando, tirando pressões na inflação de curto prazo”, disse.
Segundo ele, o nível elevado dos juros reais brasileiros é claramente restritivo e cria espaço para uma política monetária menos apertada ao longo do ciclo.
Na outra ponta, porém, a eleição adicionou um novo componente de risco à precificação dos ativos brasileiros.
“A eleição nos últimos dois meses entrou na precificação do mercado”, afirmou.
Para Mandel, os preços ainda não refletem de forma clara um resultado específico da disputa eleitoral, o que mantém elevada a incerteza.
“Esse risco mais idiossincrático do Brasil, e a eleição particularmente, está botando mais um freio no avanço do ciclo do mercado”, disse.
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A combinação entre melhora cíclica doméstica e incerteza política aumenta, segundo Mandel, a sensibilidade do Brasil ao ambiente internacional.
“Essa situação de cíclicos avançando o ciclo e idiossincráticos restringindo está deixando a economia mais exposta para fatores globais entrarem e afetarem as condições monetárias domésticas”, afirmou.
Uma nova pressão sobre os juros americanos pode dificultar a melhora dos ativos brasileiros e reduzir o espaço para uma flexibilização mais rápida das condições financeiras.
“Acho que o Brasil fica vulnerável a juros mais apertados globalmente”, disse Mandel.
Diante desse cenário, o chefe de pesquisa afirmou que a Jubarte Capital mantém atualmente menor exposição ao risco brasileiro em seus portfólios.
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