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Querosene de aviação dispara quase 50% no Brasil e força corte de até 63% nas compras empresariais

Publicado 07/08/2026 • 12:20 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Preço do querosene de aviação disparou 49,8% entre 2024 e 2026, saltando de R$ 5,66 para R$ 8,48 o litro.
  • O estudo baseou-se na análise de 17,7 milhões de Notas Fiscais Eletrônicas (NFe), que movimentaram um total de R$ 386,4 bilhões.
  • Nos primeiros cinco meses de 2026, a contração média no volume de insumos movimentados alcançou 11,5%.
Querosene

Agência Brasil

A escalada de tensões geopolíticas internacionais já produz reflexos diretos nas contas das empresas brasileiras. Dados de um levantamento realizado pela Qive mostram que o preço do querosene de aviação disparou 49,8% entre 2024 e 2026, saltando de R$ 5,66 para R$ 8,48 o litro.

O encarecimento drástico dos insumos energéticos, puxado principalmente pelos desdobramentos do conflito entre Estados Unidos e Irã e pelo risco de fechamento do Estreito de Ormuz — rota vital que responde por cerca de 20% do petróleo mundial —, levou o mercado B2B a frear as aquisições, registrando quedas de até 63% no volume comprado.

Leia também: Aumento do querosene de aviação já está em vigor nas refinarias da Petrobras

O estudo baseou-se na análise de 17,7 milhões de Notas Fiscais Eletrônicas (NFe), que movimentaram um total de R$ 386,4 bilhões. Foram monitorados produtos como gasolinas (automotiva e de aviação), gás de cozinha (GLP), querosene de aviação (QAV), óleo combustível (fuel-oil), óleo diesel (gasóleo) e etanol (anidro e hidratado), comparando-se os picos de preços de 2025 com as máximas registradas em 2026. O setor de transporte e logística desponta como o mais severamente afetado.

Uma simulação incluída na pesquisa revela a magnitude do impacto para a aviação comercial: caso o volume operado em 2025 tivesse sido mantido sob os patamares de pico de preço de 2026, o setor aéreo amargaria um custo adicional de R$ 7,8 bilhões.

Diante desse cenário, a reação das companhias foi imediata. Nos primeiros cinco meses de 2026, a contração média no volume de insumos movimentados alcançou 11,5%. No caso específico do querosene de aviação, a quantidade comprada despencou 62,6%.

Impacto generalizado na cadeia logística

Além do setor aéreo, outros modais sentiram o peso da inflação dos combustíveis:

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  • Óleo combustível (fuel-oil): essencial para a navegação e o transporte marítimo, registrou alta de 34,5%, com o quilo subindo de R$ 5,17 para R$ 6,95.
  • Óleo diesel: apresentou avanço de 14,4%, atingindo a máxima de R$ 7,15 o litro em 2026.
  • Gás de cozinha (GLP): apresentou comportamento mais estável no ambiente corporativo, com alta contida de 1,3%.
  • Gasolina de aviação: foi a principal exceção de comportamento de mercado, registrando alta de 30,8% no volume total consumido.

Para Daniel Paschino, CFO da Qive, a retração nas compras reflete uma estratégia defensiva das corporações. “Os dados sugerem que as empresas optaram por uma tática de contenção imediata, freando as compras na esperança de um conflito de curta duração”, analisa.

Estratégias para o setor financeiro

O executivo destaca que o momento exige cautela redobrada dos departamentos financeiros, que devem calibrar estoques para garantir margens de segurança contra interrupções operacionais sem imobilizar capital em insumos excessivamente caros.

“Em cenários de alta prolongada, firmar contratos longos no pico é um risco que pode ser evitado com mais inteligência sobre os próprios dados de compra”, pontua Paschino. Ele também aponta que a forte oscilação induziu o mercado a buscar alternativas: “Quando um insumo encarece muito mais do que seu substituto, as empresas tendem a migrar. Os dados sugerem que parte do mercado corporativo reduziu a exposição ao combustível mais caro e deslocou demanda para alternativas mais acessíveis”, afirmou.

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