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Reciprocidade contra EUA pode ampliar custos para empresas e consumidores no Brasil

Publicado 14/08/2026 • 16:32 | Atualizado há 18 minutos

KEY POINTS

  • Beny Fard avalia que uma retaliação tarifária pode ampliar custos para empresas brasileiras já afetadas pelas tarifas americanas.
  • Analista defende negociação direta com Washington e afirma que o setor privado pode buscar exceções por meio de uma “diplomacia empresarial”.
  • Na avaliação de Fard, uma solução mais ampla para o impasse tende a depender do cenário político após as eleições no Brasil e nos Estados Unidos.

A aplicação de medidas de reciprocidade contra produtos dos Estados Unidos pode ampliar os custos para a própria economia brasileira e representar “dois tiros no pé” para o país. É o que avalia Beny Fard, analista geopolítico e econômico e sócio da consultoria Segundo Minuto.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Fard afirmou que o Brasil deveria priorizar uma negociação com Washington antes de avançar com contramedidas às tarifas impostas pelo governo americano.

“Quando a gente aplica a reciprocidade, a gente prejudica duplamente a nação brasileira. Nós, Brasil, estamos dando dois tiros no pé: um por não negociar e o outro por fazer com que importações estadunidenses deixem de entrar com a mesma competitividade”, afirmou.

O governo brasileiro iniciou o processo para avaliar a aplicação de medidas de reciprocidade em resposta às tarifas americanas. A etapa envolve consultas, negociações diplomáticas e análise de possíveis contramedidas antes de uma eventual aplicação efetiva.

Para Fard, a abertura desse processo não significa que o Brasil precise necessariamente partir para uma elevação imediata das barreiras comerciais.

Leia também: Brasil reage ao tarifaço de Trump e abre processo de reciprocidade

Analista defende negociação com Washington

Segundo Fard, a assimetria de importância comercial entre os dois países deve ser levada em consideração na estratégia brasileira.

O analista afirmou que os Estados Unidos representam um parceiro relevante para o Brasil, enquanto o peso brasileiro no comércio externo americano é proporcionalmente menor.

“Essa queda de braço tem pouquíssima racionalidade do ponto de vista pragmático”, disse.

Na avaliação dele, o caminho mais eficiente seria explorar os canais disponíveis para negociar reduções tarifárias, exclusões de produtos e outras formas de aliviar o impacto sobre exportadores brasileiros.

Fard classificou a estratégia de reciprocidade adotada pelo governo como excessivamente política e ideológica. A avaliação é do analista e não representa uma constatação sobre as motivações oficiais do governo brasileiro.

“O discurso que o Itamaraty e o governo Lula estão usando de soberania, de retaliação e do uso da lei de reciprocidade faz parte de um contexto muito mais político e ideológico do que pragmático”, afirmou.

Retaliação pode atingir cadeias produtivas

Uma eventual resposta brasileira poderia afetar produtos americanos utilizados diretamente por diferentes setores da economia nacional.

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Durante a entrevista, foram citadas categorias como motores e turbinas, aeronaves e componentes, medicamentos e produtos farmacêuticos, gás natural, combustíveis, máquinas e produtos químicos.

Fard alertou que tarifas sobre esse tipo de importação podem atingir empresas brasileiras que dependem desses insumos e equipamentos.

Para ele, esse efeito precisa entrar na avaliação antes de qualquer contramedida.

A análise ocorre em um cenário no qual as tarifas americanas atingem milhares de produtos brasileiros e pressionam setores exportadores.

Setor privado pode buscar exceções

Fard também vê espaço para uma atuação direta das empresas na tentativa de reduzir os impactos da disputa comercial.

Segundo ele, associações empresariais, indústrias e grandes companhias podem negociar com parceiros e representantes americanos para buscar exceções e soluções específicas.

“É a única alternativa que resta ao empresariado brasileiro”, afirmou.

O analista disse acreditar que empresas brasileiras podem conseguir “algumas ressalvas, alguns acordos, algumas exceções” por meio dessa atuação.

Esse movimento funcionaria como uma espécie de diplomacia empresarial paralela às negociações oficiais entre Brasília e Washington.

Leia também: Reciprocidade pode pressionar EUA, mas retaliação forte pode elevar risco de guerra comercial, avalia economista

Solução mais ampla pode ficar para depois das eleições

Na avaliação de Fard, porém, uma resolução estrutural do conflito comercial pode demorar.

O analista considera que o calendário político tanto do Brasil quanto dos Estados Unidos reduz, neste momento, o espaço para uma negociação definitiva.

“Eu acredito que essa página vai ser virada, se é que ela vai chegar a alguma conclusão, pós-eleições brasileiras e pós-midterms nos Estados Unidos”, afirmou.

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