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Futebol brasileiro enfrenta crise financeira e busca SAFs como alternativa

Publicado 27/08/2026 • 14:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Má gestão e gastos acima das receitas estão entre as causas do endividamento dos clubes.
  • SAF pode melhorar governança, mas não resolve sozinha os problemas financeiros.
  • Especialista defende separar decisões esportivas da pressão emocional do futebol.

O futebol brasileiro enfrenta uma crise financeira que levou clubes a acumularem dívidas e recorrerem às Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) como alternativa para reorganizar suas operações. Para Moisés Assayag, especialista em Corporate Finance, porém, a transformação do modelo societário não resolve, sozinha, os problemas de gestão.

Em entrevista ao Times | CNBC Sports, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Assayag afirmou que o endividamento dos clubes é resultado de anos de decisões financeiras sem sustentabilidade. Segundo ele, a raiz do problema está na combinação entre má gestão, pressão por resultados e falta de mecanismos capazes de impedir o aumento das despesas.

“As causas são várias, mas, de fato, existe um motivo muito básico: você gastar mais do que recebe”, afirmou.

O especialista explicou que o modelo associativo também contribuiu para o acúmulo de dívidas. A troca de dirigentes a cada mandato, segundo Assayag, pode levar a mudanças de projetos e novos investimentos sem continuidade de uma estratégia financeira de longo prazo.

SAF não é solução isolada

Com clubes como Vasco, Botafogo, Cruzeiro e Bahia adotando o modelo de SAF, a estrutura passou a ser vista por parte do mercado como uma alternativa para recuperar equipes em dificuldades financeiras.

Assayag, porém, afirma que a SAF deve ser entendida como uma ferramenta de transformação, e não como uma solução automática para o endividamento.

Na avaliação do especialista, o principal ganho do modelo está na possibilidade de incorporar mecanismos de governança corporativa ao futebol. A estrutura exige auditoria e conselheiros externos, além de favorecer uma gestão mais profissional.

Paixão e gestão precisam estar separadas

O desafio aumenta porque o futebol envolve uma relação emocional entre clubes e torcedores. Para Assayag, decisões esportivas tomadas sob pressão podem comprometer a sustentabilidade financeira das equipes.

“Quando você mistura emoção com razão, raramente dá certo”, disse.

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O especialista citou como exemplo contratações realizadas por dirigentes com o objetivo de buscar resultados imediatos. Mesmo quando a estratégia funciona dentro de campo, o sucesso pode criar uma falsa percepção de que o gasto foi adequado e estimular novas decisões semelhantes.

Gestão pesa mais que o modelo societário

A mudança para uma SAF também não garante bons resultados por si só. De acordo com o especialista, existem SAFs com desempenhos distintos, assim como clubes associativos que apresentam resultados financeiros e esportivos diferentes.

“Tem SAF performando bem, tem SAF performando mal, tem associação performando bem, associação performando mal. Então, tem mais a ver com gestão”, afirmou.

Nesse cenário, a profissionalização da administração e a adoção de práticas de governança seriam mais determinantes do que o modelo jurídico utilizado pelo clube.

Assayag defende que os clubes utilizem experiências bem-sucedidas de empresas e organizações esportivas como referência para estruturar suas próprias operações.

“Do jeito que está não dá mais”

Para o especialista, a mudança no ambiente competitivo do futebol brasileiro torna a profissionalização uma necessidade para os dirigentes que pretendem manter seus clubes competitivos.

“Confie nos exemplos das corporações que usam a boa governança, a boa gestão, a gestão profissional para conseguir resultados”, afirmou.

Assayag citou Flamengo e Palmeiras como exemplos de clubes que, segundo ele, investiram em gestão e governança. A avaliação é que a reorganização financeira não produz resultados imediatamente, mas exige continuidade e disciplina.

“Não é uma solução da noite para o dia, vai acontecer em algum momento, mas confia no processo, porque do jeito que está não dá mais”, concluiu.

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