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Sistema de metas: PF investiga Casas Bahia por suspeita de manipular dados para reduzir bônus e premiações de gerentes
Publicado 22/08/2026 • 11:47 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 22/08/2026 • 11:47 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Germano Lüders
Casas Bahia adiou pela segunda vez a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026
A Polícia Federal (PF) investiga se a Casas Bahia alterou informações financeiras usadas no cálculo da remuneração variável de gerentes de lojas. A suspeita é de que dados de faturamento tenham sido manipulados para reduzir ou evitar o pagamento de bônus e premiações aos funcionários.
A apuração mira o sistema de metas da varejista e busca identificar se informações foram excluídas dos sistemas internos antes da definição dos valores pagos aos gerentes, segundo informações do Metrópoles,
A principal suspeita envolve as vendas parceladas. A Casas Bahia teria retirado dos relatórios os juros cobrados nessas operações e contabilizado apenas o chamado “valor à vista” dos produtos. Na prática, isso reduziria o faturamento considerado para calcular o cumprimento das metas e, consequentemente, as premiações.
Entre as ferramentas analisadas pela Polícia Federal estão o PRWEB e o Logobox, sistemas usados pela Casas Bahia para acompanhar metas ligadas à venda de mercadorias, móveis, serviços e crédito próprio.
A investigação avalia se essas plataformas foram utilizadas para gerar números que não refletiam integralmente o faturamento das lojas.
Gerentes da varejista relataram que não teriam recebido integralmente as premiações que consideravam devidas. Ao questionarem a empresa, segundo os relatos reunidos na investigação, teriam ouvido que os juros cobrados nos carnês pertenciam a bancos parceiros e, por isso, não fariam parte da receita da Casas Bahia.
Documentos obtidos pela PF, no entanto, colocaram essa explicação sob análise. Ofícios do Banco Central e do Bradesco, citados na apuração, indicariam que a própria Casas Bahia era responsável por determinadas operações de crédito e que a parceria bancária não abrangia o crediário realizado por carnê.
A partir desses elementos, a Polícia Federal investiga a possível ocorrência de fraude ou falsificação.
A apuração também busca saber se a prática teria alcance nacional, já que os mesmos sistemas internos eram utilizados por lojas da companhia em diferentes regiões do país.
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Siga o Times | CNBCO Grupo Casas Bahia afirmou que não recebeu comunicação formal de autoridades sobre a investigação e disse não ter conhecimento de procedimento em andamento relacionado ao caso.
A companhia declarou ainda que seus registros contábeis e demonstrações financeiras seguem as normas aplicáveis e passam por auditorias de empresas independentes.
A apuração surge em um momento delicado para a Casas Bahia. A empresa atravessa um amplo processo de reestruturação financeira e entrou com pedido de recuperação judicial, mecanismo usado por empresas para renegociar dívidas e tentar evitar a falência.
O plano prevê o fechamento de 298 lojas e a demissão de 1.900 a 3 mil funcionários. O presidente-executivo do Grupo Casas Bahia, Renato Franklin, afirmou que os fechamentos fazem parte de uma estratégia para retirar da operação unidades consideradas pouco rentáveis e preparar a companhia para um cenário mais competitivo.
Parte das demissões, porém, foi parar na Justiça do Trabalho. A desembargadora Katarina Mousinho de Matos, do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região, suspendeu provisoriamente desligamentos realizados pela companhia entre os dias 13 e 17 de agosto.
A decisão também impede novas demissões em massa ligadas ao plano de reestruturação sem negociação com o sindicato e determina, provisoriamente, a retomada dos vínculos trabalhistas atingidos pela medida.
Ao mesmo tempo, a Casas Bahia busca alternativas para reforçar o caixa. Entre as possibilidades avaliadas estão a renegociação de prazos com fornecedores, mecanismos envolvendo créditos tributários e a liberação de recursos depositados judicialmente.
A companhia ressalta que essas alternativas continuam em avaliação e que não há confirmação de adoção, prazo ou formato para eventual captação de recursos.
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