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Starlink sai na frente, mas operadoras de telefonia e fabricantes de celular podem iniciar uma nova fase de conectividade no Brasil
Publicado 05/07/2026 • 08:30 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 05/07/2026 • 08:30 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Imagine viajar por uma rodovia no interior do país, atravessar uma fazenda, entrar em uma área de mata ou navegar por um rio na Amazônia e continuar com sinal no celular mesmo sem nenhuma antena de telefonia por perto.
Esse cenário, que até pouco tempo parecia distante, acaba de dar um passo importante para se tornar realidade no Brasil. A tecnologia conhecida como conexão direta entre satélites e celulares promete ampliar a cobertura móvel justamente onde hoje ela praticamente não existe.
Para um país do tamanho do Brasil, com milhares de quilômetros de estradas, regiões rurais, áreas de mineração, plataformas de petróleo e comunidades isoladas, a mudança pode representar uma transformação semelhante à chegada do 4G ou do 5G.
Hoje, quando você faz uma ligação, envia uma mensagem ou acessa a internet, seu celular precisa encontrar uma antena da operadora.
Sem antena, normalmente aparece a mensagem: “Sem serviço”.
A nova tecnologia muda essa lógica.
Em vez de procurar uma torre de telefonia, o aparelho pode, em determinadas situações, se comunicar diretamente com satélites que orbitam a Terra em baixa altitude. Esses satélites funcionam como uma extensão da rede das operadoras.
Na prática, o satélite passa a cumprir o papel que hoje é exercido por uma antena terrestre quando ela não está disponível.
A possibilidade ganhou força após o Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovar a atualização do Plano de Atribuição, Destinação e Distribuição de Faixas de Frequências (PDFF) para o biênio 2025-2026. A decisão cria as condições regulatórias para que celulares possam se conectar diretamente a satélites por meio da tecnologia Direct-to-Device (D2D), utilizando, em caráter secundário, faixas já destinadas à telefonia móvel.
Pelas regras aprovadas, as empresas de satélites deverão operar obrigatoriamente em parceria com as operadoras que detêm o direito de uso dessas frequências. A Anatel ainda definirá os requisitos técnicos para a operação comercial, mas a decisão representa a abertura oficial do mercado brasileiro para esse novo modelo de conectividade e oferece maior segurança regulatória para investimentos no setor.
O maior benefício é simples: cobertura maior.
Quem mora em grandes cidades talvez perceba pouca diferença no dia a dia, porque já existe uma boa rede de antenas.
Mas para quem trabalha ou viaja por regiões afastadas, o impacto pode ser significativo.
Alguns exemplos:
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Siga o Times | CNBCEm um país com dimensões continentais, eliminar parte das chamadas “áreas de sombra” da telefonia pode aumentar produtividade, segurança e acesso a serviços digitais.
Ainda não.
Nas cidades, as antenas continuarão sendo essenciais para suportar milhões de conexões simultâneas com alta velocidade.
A internet via satélite não chega para substituir completamente essa infraestrutura, mas para preencher justamente os locais onde construir uma torre custa caro, demora ou simplesmente não faz sentido economicamente.
É uma mudança de estratégia: em vez de levar mais antenas para todos os lugares, parte da cobertura poderá vir do espaço.
A novidade também pode alterar a dinâmica do setor de telecomunicações.
Até agora, ampliar a cobertura significava investir na construção de mais infraestrutura terrestre. Com a conectividade via satélite, abre-se espaço para novos modelos de negócio, nos quais operadoras de telefonia trabalham em parceria com empresas que operam constelações de satélites.
Embora a Starlink seja hoje a única empresa com uma tecnologia pronta para oferecer esse tipo de conexão em larga escala, a regulamentação aprovada pela Anatel também abre caminho para que outras companhias de internet via satélite disputem esse mercado à medida que desenvolvam soluções compatíveis.
O movimento pode acelerar investimentos, ampliar a competição e criar novas oportunidades para fabricantes de celulares, empresas de tecnologia e operadoras interessadas em oferecer cobertura praticamente nacional.
Poucos países têm tanto a ganhar com essa tecnologia quanto o Brasil.
São mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados de território, milhares de comunidades afastadas dos grandes centros e extensas áreas onde levar infraestrutura tradicional continua sendo um desafio.
A possibilidade de conectar celulares diretamente aos satélites pode ajudar a reduzir essa diferença sem exigir a instalação de milhares de novas torres de telefonia.
Ainda existem etapas técnicas antes do lançamento comercial do serviço, mas o caminho regulatório foi aberto.
Se a tecnologia evoluir como esperado, a pergunta daqui a alguns anos talvez deixe de ser “tem antena por perto?” para se tornar simplesmente “o celular consegue enxergar o céu?”.
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