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Tarifaço: lista de exigências de Trump incluiu eleições de 2026 e proteção a “dissidentes políticos”
Publicado 17/09/2026 • 08:45 | Atualizado há 1 dia
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Publicado 17/09/2026 • 08:45 | Atualizado há 1 dia
KEY POINTS
Foto: Getty Images
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O governo de Donald Trump mencionou as eleições de 2026 entre as condições apresentadas ao Brasil durante as negociações abertas após a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Entre as demandas, os Estados Unidos cobraram que pessoas classificadas como “dissidentes políticos” não fossem presas, detidas ou impedidas de participar do processo eleitoral de forma considerada arbitrária.
A exigência fazia parte de uma lista de 21 pontos entregue aos negociadores brasileiros em outubro de 2025. O conjunto de condições ultrapassava questões tarifárias e abrangia temas como eleições brasileiras, liberdade de expressão, sanções financeiras dos EUA, plataformas digitais, minerais críticos, investimentos, aviação, meio ambiente, soja e aço.
Segundo o Estado de S. Paulo, Washington também esperava um compromisso brasileiro com eleições presidenciais consideradas livres e justas. Integrantes do governo brasileiro interpretaram o ponto como uma referência à situação política do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe e fora da disputa presidencial, conforme o relato que acompanha a documentação.
Leia também: ‘Ato hostil’: Trump ameaça a UE com tarifas devido à proposta de adesão associada do Canadá
A proposta foi entregue em 16 de outubro de 2025, durante uma missão brasileira a Washington liderada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. A comitiva buscava negociar uma saída para o tarifaço anunciado pelos Estados Unidos em julho daquele ano.
O documento representava a primeira proposta americana de acordo após o agravamento da disputa comercial. A estratégia de Washington, no entanto, não se limitava à redução de barreiras a produtos dos Estados Unidos. As condições associavam uma eventual mudança nas tarifas a alterações em diferentes áreas das políticas econômica, regulatória e institucional do Brasil.
O material também tratava de serviços digitais, sistemas de pagamento, aplicação de sanções americanas, compra e venda de ativos minerais, investimentos estrangeiros e acesso de empresas dos EUA ao mercado brasileiro.
Um dos pontos de maior alcance político dizia respeito diretamente à eleição presidencial de 2026. A proposta exigia que o Brasil garantisse um processo eleitoral livre e justo e não restringisse arbitrariamente a participação de dissidentes políticos.
Outra condição buscava impedir que autoridades brasileiras aplicassem, contra cidadãos, residentes ou empresas dos Estados Unidos, determinadas punições por manifestações que, na avaliação americana, estariam protegidas pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA.
Na mesma área, Washington propôs garantias específicas para empresas americanas de serviços digitais. A ideia era assegurar aviso prévio e possibilidade de contestação diante de decisões, multas e outras medidas relacionadas a publicações em redes sociais.
A proposta americana reuniu condições de áreas bastante distintas.
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