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Tarifaço: negociação deve avançar por setores, sem reversão total no curto prazo, diz Bruna Alleman
Publicado 31/08/2026 • 21:52 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 31/08/2026 • 21:52 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A negociação entre Brasil e Estados Unidos sobre as tarifas impostas a produtos brasileiros deve avançar lentamente, com acordos por setores e ampliação gradual da lista de exceções, sem perspectiva de uma reversão completa das medidas no curto prazo. É o que avaliou Bruna Alleman, head da mesa internacional da Nomos.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Alleman afirmou que a nova rodada de conversas representa uma melhora em relação ao período de paralisação do diálogo, mas ainda não produziu resultado concreto.
“A negociação vai continuar lenta, vai ser por etapas, vai ter uma ampliação gradual da lista de exceções, setor por setor. Acho que isso pode acontecer sem uma reversão total no curto prazo”, disse.
Para ela, a retomada das conversas tem importância principalmente porque restabelece um canal técnico entre os dois governos.
“O que houve foi uma reabertura de um canal técnico depois de meses de silêncio”, afirmou.
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Alleman lembrou que as medidas americanas surgiram em um ambiente de forte componente político e avaliou que esse fator ainda pesa sobre as negociações.
Segundo ela, a conversa entre os presidentes ajudou a destravar a agenda bilateral, mas não produziu, até agora, uma mudança nas tarifas.
“Esse telefonema entre presidentes destravou a agenda, mas não destravou em si a tarifa”, afirmou.
A executiva considera a retomada positiva quando comparada ao cenário anterior de ausência de diálogo.
“É positivo se comparado a zero diálogo”, disse.
Ainda assim, Alleman ressaltou que a reabertura das conversas não equivale a um acordo nem garante que as barreiras serão rapidamente retiradas.
Uma das estratégias do governo brasileiro é tentar ampliar inicialmente a lista de produtos excluídos das tarifas, antes de buscar uma reversão mais abrangente.
Alleman considera o caminho viável.
“É um desenho estratégico brasileiro de, ao invés de bater de frente, olhar os mercados que são relevantes e tentar um diálogo um pouco mais comercial com os Estados Unidos”, afirmou.
Segundo ela, tarifas mais elevadas podem produzir efeitos ao longo de toda a cadeia das empresas atingidas, chegando posteriormente ao consumidor.
A executiva citou o setor de aviação como exemplo de segmento em que o aumento da carga tarifária pode elevar significativamente os custos das companhias.
Na avaliação dela, a lógica de negociar exceções específicas também segue uma estratégia usada pelos próprios Estados Unidos ao retirar determinados produtos das tarifas de acordo com seus interesses econômicos.
Apesar do otimismo manifestado pelo governo brasileiro após a reunião, Alleman disse não acreditar que o empresariado compartilhe integralmente dessa percepção.
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Siga o Times | CNBC“Uma abertura não é ainda uma ponte para um otimismo, mas sim para um conservadorismo de que há um diálogo”, afirmou.
Segundo ela, empresas tendem a evitar decisões relevantes de longo prazo enquanto não houver maior visibilidade sobre o resultado das negociações e sobre o ambiente político.
“O mercado, quando está dessa forma, reage com uma atitude um pouco mais conservadora. Eu tenho espaço, mas não tomo decisões muito bruscas”, disse.
Alleman destacou ainda que o calendário eleitoral brasileiro aumenta a dificuldade de antecipar os próximos passos.
“Cada passo, como um jogo de xadrez, tem que ser muito inteligente”, afirmou.
Questionada sobre a possibilidade de uma proposta mais concreta antes da definição eleitoral no Brasil, Alleman afirmou não esperar uma solução ampla no curto prazo.
Para ela, as próximas rodadas podem esclarecer a direção das negociações, mas não necessariamente produzir um acordo definitivo.
“Setembro vai trazer mais clareza. Não vai trazer um resultado, vai trazer mais clareza do que uma resposta em si”, afirmou.
A executiva ressaltou que essa avaliação é uma projeção, e não um compromisso assumido pelos governos.
Segundo ela, questões eleitorais e fiscais continuarão influenciando a negociação comercial entre os dois países.
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Alleman também avaliou que uma eventual redução persistente da entrada de recursos estrangeiros pode pressionar o real, embora esse efeito não necessariamente apareça imediatamente.
“No curto prazo, essa movimentação pode não afetar o câmbio”, afirmou.
Segundo ela, o Brasil ainda oferece juros elevados e ativos com espaço para investimento, o que pode sustentar a entrada de capital mesmo diante das incertezas comerciais.
No médio prazo, porém, o cenário muda caso tarifas, risco fiscal e incerteza política provoquem saída recorrente de recursos.
“Com a saída de forma recorrente desse fluxo de capital, aí sim vai impactar diretamente o câmbio”, disse.
Para Alleman, a direção dos mercados dependerá de um conjunto de fatores, e não apenas do tarifaço.
“Não é por um único fato, são um conjunto de fatores”, afirmou.
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