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TIMES | CNBC Parlatório Talks: Seguros representam mais de 6% do PIB, mas baixo crescimento da economia limita avanço do setor, diz presidente da CNseg Dyogo Oliveira

Publicado 31/08/2026 • 21:50 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Setor segurador cresceu acima de 10% ao ano desde a pandemia e projeta expansão de 7,5% em 2026, segundo Dyogo Oliveira.
  • Apenas 15% da economia brasileira tem cobertura de seguros, enquanto o segmento representa pouco mais de 6% do PIB.
  • Presidente da CNseg defende maior integração entre reguladores após caso Master e alerta para baixa proteção contra eventos climáticos.

O baixo crescimento da economia e a estagnação da renda per capita limitam a expansão do mercado de seguros no Brasil, apesar de o setor avançar acima da atividade econômica e ainda ter amplo espaço para aumentar sua presença no país, afirmou Dyogo Oliveira, presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), em entrevista ao programa Parlatório Talks, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

De acordo com o economista, o setor segurador cresceu acima de 10% ao ano desde a pandemia e deve registrar expansão de 7,5% em 2026. O desempenho contrasta com uma economia brasileira que, na avaliação do executivo, continua avançando abaixo da média mundial.

A economia brasileira nos últimos anos vem tendo um crescimento bastante apático, um crescimento que é abaixo da média mundial”, afirmou. Para os próximos anos, Dyogo citou estimativas em torno de 2% ao ano para o Brasil, enquanto a economia mundial teria expansão média superior a 3%.

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Renda per capita praticamente não avançou em uma década

Mais preocupante do que o desempenho agregado do PIB, segundo o presidente da CNseg, é a trajetória da renda por habitante. “A renda per capita de 2025 é mais ou menos parecida com a de 2014. Uma década inteira onde a renda per capita praticamente não avançou”, ressaltou.

Esse ambiente ajuda a explicar a baixa penetração dos seguros. O economista estima que, em termos gerais, apenas 15% da economia brasileira esteja coberta. No seguro automotivo, aproximadamente 30% da frota tem proteção, enquanto no seguro rural a parcela fica em torno de 5%.

A baixa cobertura tem razões culturais, mas também econômicas. “Uma população que já tem uma renda muito baixa, tem um orçamento muito apertado, tem pouco espaço para acomodar uma contratação de seguro”, explicou Dyogo.

O próprio setor, reconheceu, precisa melhorar a comunicação com os consumidores. Termos tradicionais como “sinistro”, “prêmio” e “apólice” estão sendo substituídos por expressões mais acessíveis, como pagamento de indenização, preço e contrato de seguro.

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IOF retirou R$ 50 bilhões da previdência

Entre os segmentos do mercado, Dyogo Oliveira demonstrou preocupação com a previdência complementar. Segundo ele, a cobrança de IOF sobre determinadas contribuições provocou uma redução de R$ 50 bilhões nos aportes.

Nesse período, nós tivemos R$ 50 bilhões a menos de contribuições. E esses R$ 50 bilhões aumentaram em títulos que são isentos”, afirmou.

Para o presidente da CNseg, a medida acaba produzindo um efeito contrário ao desejado ao deslocar recursos de investimentos de longo prazo. “O governo está tendo dificuldade de financiar a dívida pública em longo prazo, e essa medida faz exatamente o inverso: tira o dinheiro de longo prazo e coloca o dinheiro no curto prazo”, criticou.

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A CNseg mantém conversas com o governo na tentativa de mudar a regra.

Endividamento reduz espaço para contratação de seguros

O economista também apontou um paradoxo na economia brasileira. Ao mesmo tempo em que a massa salarial apresenta crescimento real e o desemprego permanece baixo, milhões de brasileiros em idade ativa continuam fora do mercado de trabalho.

Além disso, o endividamento consome parcela relevante do orçamento doméstico. “O custo do crédito no Brasil é muito alto. E as famílias se endividam e acabam tendo um comprometimento da renda, hoje acima de 30%, com pagamento de parcelamentos de crédito e outras dívidas”, destacou.

Esse comprometimento, segundo ele, reduz o dinheiro disponível para outros produtos financeiros, entre eles os seguros.

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Apesar das limitações, o setor já movimenta valores expressivos. Em 2025, as seguradoras pagaram mais de R$ 550 bilhões em indenizações, dos quais mais de R$ 300 bilhões somente em saúde. O mercado segurador representa atualmente pouco mais de 6% do PIB brasileiro, ante cerca de 12% nas economias desenvolvidas.

A gente está no meio do caminho. Tem uma longa jornada para trilhar para ter uma economia minimamente protegida das flutuações que ocorrem naturalmente na vida”, afirmou.

Eventos climáticos causaram perdas de R$ 180 bilhões

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A baixa penetração dos seguros ganha importância diante da maior frequência de eventos climáticos extremos. Levantamento da CNseg estima aproximadamente R$ 180 bilhões em perdas provocadas pelos principais eventos climáticos registrados no Brasil nos últimos três anos. No agronegócio, as perdas ficam em torno de R$ 30 bilhões por ano.

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Dyogo Oliveira citou as enchentes no Rio Grande do Sul para demonstrar o tamanho da parcela desprotegida. Segundo ele, o setor segurador desembolsou R$ 6 bilhões em indenizações, enquanto as perdas totais foram estimadas em aproximadamente R$ 100 bilhões.

O grande problema que a gente vê hoje no Brasil é que o Brasil não tem uma estrutura preparada para lidar com as catástrofes. E elas têm acontecido com muito mais frequência”, alertou.

O presidente da CNseg resumiu a diferença entre prevenção e reação com uma comparação: “O Japão se prepara todo ano para um evento que ocorre a cada 100 anos, que é o tsunami. E o Brasil, em 100 anos, não se prepara para o evento que acontece todo ano”.

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CNseg cria ferramenta para medir risco de enchentes

Nesse cenário, a entidade desenvolveu uma ferramenta que permite ao cidadão consultar o risco de enchente de determinado endereço. O sistema utiliza CEP e número do imóvel para apresentar uma classificação de 1 a 5, considerando as características específicas do local.

A gente consegue, por exemplo, uma rua que está mais perto do rio e outra que está mais longe, avisar para a pessoa qual é o risco de cada número daquela rua”, explicou.

As seguradoras também poderão utilizar a ferramenta para aprimorar a avaliação do risco e a precificação das coberturas. Paralelamente, a CNseg trabalha com o poder público em estudos voltados à prevenção de desastres, incluindo uma análise sobre riscos de enchentes na cidade de São Paulo.

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Seguro de vida cresce 12% ao ano após pandemia

A pandemia também mudou a percepção dos brasileiros sobre determinados riscos. De acordo com ele, o seguro de vida vem crescendo aproximadamente 12% ao ano desde a Covid-19.

Durante a pandemia, o setor decidiu indenizar casos de morte provocados pela doença mesmo diante das exclusões normalmente previstas para pandemias. Foram mais de 200 mil famílias atendidas, com pagamentos superiores a R$ 7 bilhões.

As pessoas perceberam o risco e a importância de ter o seguro de vida”, afirmou. O segmento de saúde também mantém expansão, com crescimento estimado em 9% neste ano.

Caso Master expõe desafio para regulação financeira

Questionado sobre o Banco Master, Dyogo Oliveira afirmou que o episódio não provocou contaminação direta relevante no mercado segurador. Houve efeitos indiretos em operações de seguro de crédito e seguro garantia, mas, segundo ele, “nada relevante, não teve nenhum impacto maior”.

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O caso, entretanto, expôs uma fragilidade no modelo de supervisão do sistema financeiro brasileiro, segundo o presidente da CNseg. Para o economista, mercados cada vez mais interligados contrastam com uma estrutura regulatória ainda segmentada entre diferentes autoridades.

A nossa regulação financeira ainda é segmentada. E o que esse caso e outros tantos mostram é que a integração entre os mercados financeiros hoje é muito grande”, afirmou.

Ao citar a atuação do Master em fundos de investimento, seguros, crédito, consignado e private equity, o presidente da CNseg argumentou que a supervisão fragmentada dificultou uma visão completa das conexões existentes. “Como o Banco Central só olha um lado, a CVM só olha o outro, não viram a interconexão entre essas coisas. E era aí que estava a dificuldade que foi gerada”, ressaltou.

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Apesar dos desafios, o economista mantém uma perspectiva positiva para o setor. “O setor de seguros brasileiro hoje é muito moderno, está muito digitalizado, está muito conectado com as novas tecnologias. Estamos num momento muito pujante, com muitas novas empresas entrando, com novos produtos sendo lançados”, concluiu.

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