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Selic a 13,25% no fim do ano é “otimismo demasiado”, diz sócio da Milenium Capital Fabio Gorodicht
Publicado 31/08/2026 • 21:30 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 31/08/2026 • 21:30 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A expectativa de que a Selic possa cair para 13,25% até o fim de 2026 é excessivamente otimista diante dos riscos externos e domésticos, avaliou Fabio Frajblat Gorodicht, sócio-fundador da Milenium Capital. A gestora trabalha com a taxa básica entre 13,5% e 13,75% no encerramento do ano.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Gorodicht afirmou que o nível elevado dos juros reais ainda permite algum corte da Selic, mas a possibilidade de aperto monetário nos Estados Unidos tornou o cenário mais difícil.
“Falar em 13,25%, pelo menos na visão que a gente tem na Milenium, talvez seja um otimismo demasiado”, afirmou.
Segundo ele, o cenário-base da gestora considera um corte, uma eventual pausa e, no máximo, duas reduções de 0,25 ponto percentual.
“A gente está trabalhando com número de 13,75% a 13,5%”, disse.
Leia também: Focus: projeção para a Selic ao fim de 2026 permanece estável em 13,75%
Gorodicht destacou que uma eventual alta dos juros americanos teria impacto direto sobre as condições financeiras brasileiras.
Na avaliação do executivo, uma mudança na direção da política monetária dos Estados Unidos dificultaria uma flexibilização mais rápida pelo Banco Central brasileiro.
“Uma possibilidade de aumento de juros lá fora obviamente impacta o Brasil, torna a situação de um eventual corte do Banco Central muito mais complicada”, afirmou.
Ele ressaltou que a taxa de juros real no Brasil permanece elevada, o que abre espaço para alguma redução, mas ponderou que o país não consegue se descolar completamente do mercado americano.
O cenário externo ganhou peso, segundo Gorodicht, diante da percepção de que a inflação nos Estados Unidos pode enfrentar mais dificuldades para convergir para a meta.
A avaliação da Milenium ocorre em um momento de revisão das expectativas para a atividade econômica brasileira.
O Boletim Focus mostrou redução da projeção de crescimento do PIB de 2026, de 1,95% para 1,92%.
Gorodicht afirmou que o nível atual dos juros tende a produzir uma desaceleração da economia ao longo do tempo.
“Fica muito difícil, com o nível atual de taxa de juros reais em torno de 8% de forma permanente, que a economia não sofra com o tempo algum efeito de desaceleração”, disse.
O executivo ponderou, porém, que o mercado de trabalho ainda ajuda a sustentar a atividade.
“O nível de desemprego está muito baixo. Então, a atividade econômica, de certa forma, tem uma correlação muito forte com esse baixo nível de desemprego”, afirmou.
Vinícius Torres Freire, analista de política e economia do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, também destacou que as projeções para o crescimento vêm sendo reduzidas gradualmente.
Segundo ele, a economia continua crescendo, mas os dados mais recentes apontam para perda de ritmo no segundo semestre e uma desaceleração mais forte em 2027.
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Siga o Times | CNBCAlém dos juros, Gorodicht colocou o cenário eleitoral entre os principais fatores de volatilidade para os ativos brasileiros nas próximas semanas.
“A situação no mundo e no Brasil é muito volátil. É uma eleição disputada voto a voto. O Brasil está bastante polarizado”, afirmou.
Segundo ele, as pesquisas recentes podem estar influenciando parte da recuperação observada na bolsa após uma saída significativa de recursos estrangeiros.
Gorodicht disse enxergar nos últimos pregões um possível reposicionamento de investidores locais diante da percepção de que o resultado eleitoral permanece aberto.
“Eu diria que esse movimento, neste momento, é muito mais de talvez reposicionamento de investidores locais, com olho nas últimas pesquisas”, afirmou.
Para o executivo, a definição eleitoral poderá provocar uma nova precificação das expectativas para a política econômica a partir de 2027.
“Dependendo desse resultado, você cria toda uma reprecificação em cima das expectativas do que vai ser o Brasil a partir de 2027”, disse.
A trajetória das contas públicas é outro ponto monitorado pela Milenium.
Gorodicht afirmou que um resultado fiscal divulgado nesta segunda-feira ficou abaixo das expectativas do mercado e reforçou as dúvidas sobre o cenário doméstico.
Na avaliação dele, as perspectivas para juros dependerão de uma combinação entre inflação, atividade, situação fiscal, eleições e política monetária americana.
Esse conjunto de fatores leva a gestora a adotar uma projeção mais conservadora para a Selic do que algumas apostas que começaram a surgir no mercado.
Leia também: Juros nos EUA reduzem espaço para cortes da Selic e pressionam o real
Gorodicht também destacou a alta do petróleo como um fator que pode dificultar o processo de desinflação e, consequentemente, reduzir o espaço para cortes de juros.
O executivo relacionou o movimento à nova escalada das tensões no Oriente Médio e aos riscos para a infraestrutura de produção e refino.
“Isso pode ser um fator de permanência do preço elevado por um bom tempo e isso impacta a inflação e toda a questão de redução dos juros”, afirmou.
Ele evitou projetar até onde as cotações podem chegar, destacando a dificuldade de antecipar preços em um mercado fortemente influenciado por conflitos geopolíticos. Para a Milenium, porém, uma permanência do petróleo em níveis elevados representa mais uma pressão para os bancos centrais.
“A gente acredita que vai viver talvez um período pela frente de inflação um pouco mais difícil de ser controlada e isso, consequentemente, afeta a taxa de juros”, disse.
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