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Tarifas de Trump reduzem investimentos dos EUA no Brasil ao menor nível em oito anos

Publicado 06/06/2026 • 10:54 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Investimentos dos EUA em empresas brasileiras caíram 29% em 2025, segundo dados compilados a partir das estatísticas do Banco Central.
  • Participação americana no fluxo total de investimentos recuou para 19%, o menor nível desde 2018.
  • Setor de serviços liderou as perdas, enquanto mineração, indústria química e farmacêutica continuaram atraindo capital americano.
Bandeira dos EUA e Brasil

Foto: Magnific

Tarifaço de Trump quais setores brasileiros são atingidos pelas novas restrições dos EUA

As tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos começaram a aparecer também nos fluxos de investimento. Dados compilados a partir das estatísticas de Investimento Direto no País do Banco Central indicam que os aportes de investidores americanos em empresas brasileiras recuaram 29% em 2025, primeiro ano completo após a entrada em vigor das tarifas de 50% impostas pelo governo do presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros.

Os investimentos dos Estados Unidos destinados à aquisição de participação em empresas brasileiras somaram US$ 8,4 bilhões ao longo do ano, abaixo dos US$ 11,9 bilhões registrados em 2024.

O movimento ocorreu na contramão do fluxo total de investimentos estrangeiros para o Brasil. Enquanto os aportes americanos encolheram, os investimentos realizados por todos os países cresceram 7,4% no período.

Com isso, a participação dos Estados Unidos no total investido em empresas brasileiras caiu de 29% para 19%, atingindo o menor nível desde 2018.

Investimentos dos EUA em serviços têm pior desempenho em cinco anos

A retração foi concentrada no setor de serviços, que reúne atividades como comércio, tecnologia da informação, serviços financeiros e prestação de serviços corporativos.

Segundo os dados compilados a partir das estatísticas do Banco Central, os investimentos americanos nesse segmento somaram US$ 5 bilhões em 2025, uma queda de 51,2% em relação ao ano anterior e o menor volume registrado desde 2020.

Entre os setores mais afetados estão os serviços financeiros e o comércio, que apresentaram as maiores reduções nos aportes vindos dos Estados Unidos.

Para economistas, o comportamento do setor não surpreende. Diferentemente da indústria ou de grandes projetos de infraestrutura, os serviços exigem menos ativos físicos e permitem uma realocação mais rápida dos investimentos diante de mudanças no cenário econômico ou geopolítico.

Tarifas e política “America First” aumentam incerteza para investidores

Especialistas avaliam que a combinação entre as novas tarifas comerciais e a política econômica conhecida como “America First” ajudou a reduzir o apetite de investidores americanos por novos negócios no Brasil.

A estratégia adotada pelo governo Trump busca estimular empresas a investir e produzir dentro dos Estados Unidos, por meio de incentivos fiscais, benefícios regulatórios e medidas de proteção à indústria local.

Segundo analistas, esse ambiente contribuiu para uma revisão das estratégias globais de investimento de empresas americanas, que passaram a priorizar projetos domésticos em detrimento de operações internacionais.

“O nível de incerteza aumenta quando as relações comerciais se deterioram, e isso acaba afetando também as decisões de investimento”, avaliam especialistas do setor.

Exportações para os EUA também perderam força

Os efeitos das medidas adotadas por Washington não ficaram restritos aos investimentos.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 16,6% no segundo semestre de 2025 em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Nos primeiros meses de 2026, as vendas para o mercado americano continuaram em queda, reforçando o impacto das mudanças na política comercial dos EUA.

Para economistas, comércio exterior e investimento direto costumam caminhar juntos. Quando aumentam as barreiras comerciais, empresas tendem a reavaliar planos de expansão, projetos de longo prazo e novas alocações de capital.

Mineração, indústria química e farmacêutica escapam da desaceleração

Apesar da retração observada nos serviços, alguns setores seguiram atraindo recursos americanos.

Os investimentos na agropecuária, na indústria extrativa e na indústria de transformação registraram crescimento ao longo de 2025. Entre os destaques estão a extração de minerais metálicos e os segmentos químico e farmacêutico.

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Especialistas apontam que essas áreas são consideradas estratégicas para os Estados Unidos, especialmente em temas relacionados à segurança nacional, transição energética e cadeias globais de suprimentos.

Os aportes destinados à extração de minerais metálicos cresceram de forma expressiva no período, refletindo a importância crescente de matérias-primas consideradas críticas para a economia americana.

Incentivos fiscais nos EUA reforçam retenção de capital

Outro fator apontado por analistas é a aprovação da chamada One Big Beautiful Bill, sancionada por Trump em 2025.

A legislação ampliou benefícios tributários para empresas que realizam investimentos dentro dos Estados Unidos. Entre as medidas estão mecanismos que permitem acelerar deduções fiscais relacionadas à compra de ativos produtivos e ampliar incentivos para atividades de pesquisa e desenvolvimento.

Na avaliação de economistas, a iniciativa reforça a estratégia de manter recursos e investimentos em território americano, reduzindo os incentivos para a expansão internacional de empresas dos EUA.

Próximos dados devem indicar se movimento é estrutural

Embora os números já apontem uma mudança relevante no comportamento dos investidores americanos, especialistas avaliam que ainda é cedo para determinar se a queda representa uma tendência de longo prazo.

A expectativa é que os dados dos próximos anos ofereçam uma visão mais clara sobre os efeitos das políticas comerciais e industriais adotadas pelo governo Trump.

Por enquanto, os indicadores mostram que a combinação entre tarifas, incentivos domésticos e aumento das incertezas comerciais já produziu reflexos relevantes na relação econômica entre Brasil e Estados Unidos, reduzindo a participação americana nos investimentos em empresas brasileiras ao menor patamar dos últimos oito anos.

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