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Tarifaço pode pressionar juros e custos da construção civil, diz CBIC

Publicado 22/07/2026 • 22:41 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Construção civil exporta poucos serviços e utiliza majoritariamente insumos produzidos no Brasil.
  • CBIC monitora o PVC, cuja matéria-prima tem os Estados Unidos como fornecedor relevante.
  • Instabilidade comercial pode afetar câmbio, inflação e interromper a trajetória de queda dos juros.

A tarifa adicional imposta pelos Estados Unidos não deve provocar impacto direto relevante sobre a construção civil brasileira, mas pode atingir o setor por meio do câmbio, da inflação e dos juros.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Dionyzio Klavdianos, vice-presidente de inovação da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), afirmou que o setor não exporta serviços em escala significativa e utiliza principalmente fornecedores nacionais.

“Diretamente, não afeta. A indústria da construção, de forma geral, não exporta o seu serviço e também não é uma indústria importadora de insumos. Ela dá muita preferência ao fornecedor nacional”, disse.

Segundo Klavdianos, a construção não está entre os setores mais expostos ao tarifaço neste momento. O risco principal está nos efeitos indiretos da disputa comercial sobre o ambiente macroeconômico.

“Toda essa instabilidade, essa confusão e esse ir e vir afetam o cenário econômico, principalmente o macroeconômico. Pode haver alguma interferência, mas hoje não podemos considerar a nossa indústria entre as afetadas”, afirmou.

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PVC está no radar da construção

Um dos insumos acompanhados pela CBIC é o PVC, utilizado em tubulações, esquadrias, revestimentos e outros processos construtivos.

Os Estados Unidos são fornecedores relevantes da matéria-prima usada na fabricação do produto. Esse insumo, segundo Klavdianos, não foi atingido pela tarifa americana.

A preocupação seria uma eventual resposta do governo brasileiro que elevasse os custos de importação.

“Esse insumo não foi taxado, mas olhamos com atenção porque ele já tem uma proteção grande, com imposto de importação e tarifa antidumping. Em um eventual movimento de reciprocidade, isso poderia impactar, porque o PVC é muito importante”, disse.

O executivo ressaltou, porém, que esse tipo de medida não está colocado pelo governo neste momento.

Juros representam risco maior para o setor

Klavdianos afirmou que o nível elevado dos juros continua sendo um desafio mais relevante para a construção do que o efeito direto das tarifas.

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O setor depende de financiamento para a compra de imóveis, o desenvolvimento de projetos e a execução de obras. Uma piora do câmbio ou da inflação poderia reduzir o espaço para novos cortes de juros.

“Essa imprevisibilidade, se afetar câmbio e inflação, pode bloquear a queda dos juros. Isso pode afetar o setor”, afirmou.

Apesar do custo elevado do crédito, os indicadores permaneceram positivos no início do ano. Segundo o vice-presidente da CBIC, as vendas do mercado imobiliário cresceram 4,1% no primeiro trimestre, enquanto o Produto Interno Bruto da construção avançou 2,9%.

O desempenho também foi apoiado pelas concessões de infraestrutura, pelos investimentos ligados ao novo marco do saneamento e pela execução de obras em ano eleitoral.

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Falta de mão de obra acelera industrialização

Além dos juros, a construção enfrenta dificuldades para contratar trabalhadores e elevar a produtividade.

Klavdianos afirmou que a escassez de mão de obra tem levado as empresas a racionalizar processos, ampliar o uso de componentes industrializados e reduzir etapas realizadas diretamente nos canteiros.

“A industrialização não é mais uma questão de opção, é uma necessidade”, disse.

Segundo ele, esse movimento ganhou força desde a pandemia e envolve construtoras, entidades setoriais e órgãos públicos.

A inteligência artificial também começa a ser incorporada, mas a principal mudança ainda ocorre na industrialização dos processos produtivos.

“É uma indústria cujos índices de produtividade ainda estão aquém do esperado. A dificuldade de encontrar mão de obra também nos pressiona a caminhar no sentido da industrialização”, afirmou.

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