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“Taxação virou ferramenta para tudo”, diz Carlo Pereira sobre política tarifária dos EUA

Publicado 22/07/2026 • 22:04 | Atualizado há 58 minutos

KEY POINTS

  • Carlo Pereira afirma que argumentos ambientais e trabalhistas são usados pelos Estados Unidos como instrumentos para ampliar tarifas.
  • Especialista em sustentabilidade defende negociação contínua, setor por setor, para ampliar a lista de produtos brasileiros isentos.
  • Ele avalia que o Brasil deve evitar retaliação e ampliar presença empresarial em centros como Washington e Bruxelas.

A política tarifária dos Estados Unidos passou a ser usada como instrumento de pressão econômica, comercial e política, afirmou Carlo Pereira, especialista em sustentabilidade e Notável do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Pereira disse que as justificativas apresentadas por Washington variam conforme o objetivo da negociação, incluindo alegações relacionadas a trabalho forçado, meio ambiente, propriedade intelectual, meios de pagamento e minerais críticos.

“Taxação virou ferramenta para tudo”, afirmou.

Segundo ele, a discussão sobre a carne brasileira expõe uma contradição. O produto foi retirado da lista sujeita à tarifa adicional de 25%, mas aparece entre os itens analisados em uma investigação americana sobre trabalho forçado que pode sustentar uma nova cobrança. “É o puro suco da contradição”, disse.

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Argumentos ambientais são vistos como pretexto

O Notável também questionou a retirada da celulose brasileira da lista de isenções sob argumentos relacionados ao desmatamento.

Segundo ele, a política ambiental do governo Donald Trump indica que a preocupação climática não é o elemento central da decisão.

“É uma piada falar que o governo Trump se preocupa com isso. Houve um desmonte das políticas ambientais norte-americanas, dentro do país e na relação com o mundo”, afirmou.

Pereira citou a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris e o afastamento de iniciativas ambientais multilaterais como sinais dessa orientação.

Na avaliação dele, questões ambientais, trabalhistas e regulatórias funcionam como caminhos jurídicos para alcançar objetivos comerciais e políticos.

“Os mecanismos utilizados são artifícios para que consigam chegar ao objetivo deles”, disse.

Disputa inclui Pix, combustíveis e minerais críticos

Pereira afirmou que os Estados Unidos disputam diferentes ativos e mercados estratégicos na relação com o Brasil.

Entre os temas estão o Pix, propriedade intelectual, combustíveis, minerais críticos e terras raras.

Segundo o Notável, essa estratégia faz parte de um movimento mais amplo de uso da economia como instrumento de poder, prática que também é adotada por outros países.

Ele citou a China como exemplo de país que já restringiu o acesso a terras raras durante disputas diplomáticas.

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“Os Estados Unidos estão colocando o bode na sala e negociando ponto a ponto”, afirmou.

Negociação deve continuar antes das eleições americanas

Pereira rejeitou a ideia de aguardar as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos para intensificar as conversas.

“A gente tem que negociar o tempo todo”, disse.

Segundo ele, a atuação não deve ficar limitada ao governo brasileiro. Setores e empresas precisam dialogar diretamente com companhias e autoridades americanas.

O Notável destacou que parte das exceções obtidas até agora resultou da mobilização de empresas dos Estados Unidos que dependem de produtos brasileiros em suas cadeias produtivas.

Na avaliação dele, produtos capazes de pressionar a inflação americana tendem a ter maior espaço para negociação.

“O mais fácil é aquele produto que entra em uma cadeia americana e afeta muitas empresas dos Estados Unidos. Essas empresas jogam a favor”, afirmou.

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Brasil deve evitar retaliação

Pereira defendeu que o governo brasileiro não responda às tarifas com uma política ampla de retaliação.

“Em determinados produtos, algo próximo de uma retaliação pode até funcionar. Mas, como política, não vai dar certo”, disse.

O Notável afirmou que o país deve concentrar esforços em negociações técnicas e na ampliação da lista de produtos isentos.

Para ele, o Brasil também precisa transformar a presença empresarial no exterior em uma política permanente, em vez de buscar interlocução apenas durante crises comerciais.

“Não adianta querer ter presença nos Estados Unidos, na Europa ou na China apenas nesses momentos críticos”, afirmou.

Pereira defendeu uma atuação mais estruturada de empresas e entidades brasileiras em centros decisórios como Washington e Bruxelas.

“A gente precisa ter presença qualificada e numerosa nesses lugares. É um trabalho que nunca fizemos de maneira adequada”, disse.

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