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Tarifas dos EUA podem ter efeito “devastador” sobre café solúvel brasileiro
Publicado 03/06/2026 • 22:15 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 03/06/2026 • 22:15 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A possível aplicação de tarifas de 37,5% sobre o café solúvel brasileiro nos Estados Unidos pode provocar perdas significativas para a indústria nacional, afirmou Aguinaldo Lima, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics). Segundo ele, o impacto tende a ser semelhante ao observado durante o período em que o produto foi alvo de uma sobretaxa de 50% no mercado americano.
“Trinta e sete e meio por cento também tem o mesmo efeito devastador”, afirmou nesta quarta-feira (3) em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Segundo Lima, quando a tarifa de 50% foi aplicada, o Brasil perdeu praticamente metade de sua participação no mercado americano em poucos meses.
“Os Estados Unidos são nosso principal destino há mais de 60 anos. Isso é terrível para o setor”, disse. Apesar da preocupação, o executivo avalia que ainda existe espaço para negociações e ressalta que o café é um produto essencial para os consumidores americanos.
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Segundo Aguinaldo Lima, o setor encerrou o último ano com uma retração de 12% no volume exportado, após um período que apontava para novos recordes de vendas.
“No geral, tivemos uma diminuição de 12% porque o primeiro semestre foi bastante favorável, mas as quedas vieram depois da elevação das tarifas.”
O executivo explicou que o impacto inicial da tarifa de 10% foi limitado porque a medida atingiu diversos países simultaneamente. O cenário mudou com a imposição da sobretaxa de 50%, que provocou forte retração das exportações brasileiras.
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“No mês seguinte houve queda de 70%, depois de 50%, e isso se manteve até janeiro deste ano”, disse. Segundo ele, quando a tarifa retornou para 10%, em fevereiro, as exportações brasileiras voltaram a crescer rapidamente.
Questionado sobre a busca por novos mercados, Lima afirmou que o Brasil já possui uma base exportadora relativamente diversificada, atendendo mais de 100 países. Ainda assim, ele considera difícil substituir rapidamente o mercado americano.
“Você não consegue diversificar da noite para o dia”, afirmou. Segundo ele, a falta de acordos comerciais mais amplos limita a capacidade de expansão em novos destinos.
O executivo destacou o acordo entre Mercosul e União Europeia, que começou a reduzir gradualmente a tarifa aplicada ao café solúvel brasileiro na Europa. Atualmente, a alíquota caiu de 9% para cerca de 7,8% e deverá ser eliminada completamente em quatro anos.
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“Isso sim é uma forma de diversificar mercado com mais volume”, afirmou.
Aguinaldo Lima afirmou que a concorrência internacional vem aumentando, especialmente com o avanço do Vietnã, que ganhou competitividade graças a uma série de acordos comerciais firmados nos últimos anos.
“É possível que o Vietnã ultrapasse o Brasil em exportações já este ano e, no próximo, em produção”, disse. Segundo ele, o país asiático se beneficia tanto da expansão do consumo regional quanto de tarifas reduzidas obtidas por meio de acordos comerciais.
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Seguir no GoogleAlém do Vietnã, o executivo citou México, Espanha e Holanda entre os principais concorrentes da indústria brasileira de café solúvel.
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Apesar das incertezas, o diretor executivo da Abics disse acreditar que as tarifas podem ser revistas ou flexibilizadas nos próximos meses.
“Temos esperança porque o café solúvel tem impacto direto na inflação americana”, afirmou. Segundo ele, estudos realizados por consultorias e por entidades do setor nos Estados Unidos indicam que o produto é relevante para os consumidores locais e que uma elevação de custos poderia pressionar os preços internos.
Para Lima, a expectativa é que um eventual acordo comercial mais amplo entre Brasil e Estados Unidos permita incluir o café solúvel em uma lista de exceções tarifárias. “Esperamos chegar a um denominador comum para que o solúvel também seja tratado como exceção, assim como o café em grão e o café torrado”, concluiu.
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