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Trump quer IA “solta”, analisa Vinícius Torres Freire sobre modelo nos EUA que esbarra em regras antitruste

Publicado 29/09/2026 • 22:38 | Atualizado há 55 minutos

KEY POINTS

  • Analista afirma que autorregulação exige critérios e alguma estrutura capaz de verificar se empresas estão cumprindo compromissos de segurança.
  • Encontro de Trump com executivos de tecnologia terminou com acordo voluntário para controles internos e auditorias no desenvolvimento de IA.
  • Torres Freire avalia que disputa tecnológica com a China ajuda a explicar resistência do governo americano a regras que possam desacelerar o setor.

A proposta de deixar empresas de inteligência artificial ampliarem mecanismos de autorregulação enfrenta problemas de fiscalização, segurança jurídica e até de concorrência, avaliou Vinicius Torres Freire, comentarista de política e economia do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

A análise ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reunir nesta terça-feira (29) executivos das principais empresas de tecnologia na Casa Branca. O encontro terminou com a assinatura de um acordo voluntário de segurança, que prevê controles internos, auditorias independentes e supervisão dentro das próprias companhias. Trump classificou o compromisso como “moralmente vinculante”, mas ele não tem força legal.

Para Torres Freire, o primeiro desafio está justamente em saber quem verifica o cumprimento desses compromissos.

“Se você não tem uma instituição para fazer isso com regras, como é que você sabe que as empresas estão se autorregulando ou prestando contas a algum tipo de princípio?”, ponderou.

Segundo ele, uma estrutura baseada apenas na colaboração entre companhias também levanta dúvidas sobre quais parâmetros devem ser seguidos e como eventuais descumprimentos seriam tratados.

Colaboração entre empresas esbarra em antitruste

Torres Freire destacou ainda que uma atuação coordenada das grandes empresas de inteligência artificial pode encontrar limites na legislação de defesa da concorrência dos Estados Unidos.

“Existem leis americanas contra colaboração de empresas, leis antitrust”, afirmou.

Segundo o analista, esse ponto gera uma questão adicional para companhias que participem de mecanismos conjuntos de autorregulação.

“Como é que a gente fica se a gente vai fazer algum tipo de colaboração diante das leis antitrust?”, questionou.

Para Torres Freire, a ausência de uma estrutura legal específica também cria incerteza para as próprias empresas diante de mudanças futuras de governo ou de interpretação judicial.

“Daqui a dois anos vai ter outro governo, a diretriz vai mudar, o pensamento da Justiça vai mudar. A gente pode também ter problemas por aí”, afirmou.

Empresas também discutem necessidade de regras

O analista destacou que parte das próprias empresas de tecnologia tem defendido mecanismos mais estruturados para lidar com os riscos da inteligência artificial.

Executivos de Anthropic, OpenAI e Google discutiram recentemente formas de ampliar a coordenação em segurança, incluindo a possibilidade de criação de um organismo dedicado ao tema. OpenAI e Anthropic também têm defendido avaliações independentes e estruturas de governança para sistemas avançados.

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Na avaliação de Torres Freire, regras formais também podem oferecer maior previsibilidade jurídica para as companhias.

“As próprias empresas acham que seria mais prudente ter regulação”, afirmou.

Disputa com China pesa na estratégia de Trump

Torres Freire avalia que a resistência de Trump a regras mais rígidas está diretamente relacionada à importância econômica e geopolítica da inteligência artificial para os Estados Unidos.

Trump tem argumentado que os EUA não devem desacelerar o desenvolvimento da tecnologia diante da competição com a China e voltou a defender nesta terça-feira uma abordagem com poucas restrições federais.

“O que o Trump quis fazer, de qualquer modo, é deixar a inteligência artificial solta, porque a inteligência artificial é hoje motivo de reforço da liderança americana em termos econômicos e políticos”, avaliou Torres Freire.

Segundo ele, além dos investimentos associados ao setor, a IA passou a ocupar uma posição estratégica na disputa entre as duas maiores economias do mundo.

“Isso é uma disputa geopolítica, militar e estratégica entre Estados Unidos e China”, afirmou.

Trump já declarou publicamente que considera essencial preservar a liderança americana na tecnologia diante do avanço chinês.

Data centers aumentam pressão política

Torres Freire chamou atenção ainda para uma pressão que parte de dentro da própria base política de Trump.

Segundo ele, grupos ligados ao movimento MAGA têm manifestado preocupação com os impactos da expansão dos data centers, principalmente sobre preços de energia e comunidades que recebem esses empreendimentos.

O tema também esteve presente no encontro da Casa Branca. Trump voltou a apoiar a expansão de data centers e afirmou que as empresas deverão contribuir com as comunidades onde os projetos forem instalados, em meio a críticas sobre consumo de energia, água e uso de terras.

Para Torres Freire, o episódio mostra que a discussão sobre inteligência artificial já não se limita ao risco tecnológico.

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