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União Europeia confirma suspensão da importação de carne bovina brasileira a partir de 5ª feira
Publicado 31/08/2026 • 16:12 | Atualizado há 2 meses
Publicado 31/08/2026 • 16:12 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A União Europeia passa a barrar, a partir desta quinta-feira (3), importações brasileiras de carnes e outros produtos de origem animal submetidos às novas regras do bloco sobre o uso de antimicrobianos. O Brasil ficou fora da relação de países considerados aptos a cumprir as exigências europeias, e as tentativas do governo para evitar a interrupção do comércio ainda não conseguiram reverter a decisão.
A restrição alcança produtos como carne bovina, carne de frango, pescado, mel e tripas. O bloqueio está relacionado às exigências europeias que proíbem o uso de determinados antimicrobianos na produção de animais destinados à alimentação, inclusive substâncias utilizadas para promover crescimento ou aumentar o rendimento.
A duração da restrição pode variar de acordo com a cadeia produtiva. A expectativa entre integrantes do governo brasileiro, exportadores e representantes europeus envolvidos nas negociações é de que frango e mel possam voltar ao mercado da União Europeia em novembro, depois da conclusão das avaliações técnicas.
Para a carne bovina, porém, o processo pode ser mais demorado. A avaliação é de que o produto brasileiro poderá permanecer fora do mercado europeu até meados de 2028, devido ao tempo necessário para adaptação às exigências e ao ciclo de vida mais longo dos bovinos.
A reinclusão do Brasil dependerá da capacidade de demonstrar que os procedimentos adotados atendem às regras europeias para o controle do uso de antimicrobianos na produção destinada ao bloco.
Uma missão técnica europeia está atualmente no Brasil para avaliar os controles adotados pelo país. A auditoria segue até 4 de setembro e passa pelos estados do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul.
A fiscalização está concentrada especialmente nas cadeias de frango e mel e busca verificar os procedimentos brasileiros para controlar o uso de antimicrobianos nos produtos destinados ao mercado europeu. O resultado será analisado pelas instâncias responsáveis da União Europeia antes de uma eventual reinclusão do Brasil entre os fornecedores autorizados.
O governo brasileiro já encaminhou documentação e adotou novos procedimentos para atender às exigências. As autoridades europeias, entretanto, sinalizaram que pretendem aguardar as verificações presenciais antes de decidir sobre a retomada das importações.
A entrada em vigor da restrição não significa que todas as cargas brasileiras em trânsito serão recusadas a partir de quinta-feira. Remessas certificadas antes de 3 de setembro poderão ser recebidas pela União Europeia mesmo que cheguem ao território europeu depois dessa data.
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Siga o Times | CNBCO entendimento foi estabelecido pelo comitê europeu responsável pelo tema. Dessa forma, produtos que tenham recebido a certificação necessária antes do início da nova regra poderão concluir normalmente o processo de exportação.
A partir da vigência das novas exigências, porém, o Brasil precisará estar novamente entre os países habilitados para realizar novos embarques dos produtos atingidos.
Representantes da indústria brasileira de carne bovina defendem a criação de um regime de transição que permita a continuidade das vendas enquanto o país comprova a implementação dos novos controles.
O setor argumenta que procedimentos para demonstrar a não utilização dos antimicrobianos proibidos já estão sendo implementados e busca um prazo adicional para concluir a adaptação sem interromper o fluxo comercial com os países europeus.
A União Europeia havia rejeitado anteriormente uma proposta brasileira de transição. Agora, exportadores tentam reforçar o pedido com base nas medidas adotadas para adequar a cadeia produtiva às exigências.
O Brasil exporta aproximadamente US$ 1,8 bilhão por ano em proteínas para a União Europeia, equivalente a R$ 9,34 bilhões pela cotação atual.
As exigências europeias determinam que os países fornecedores comprovem mecanismos capazes de impedir o uso de determinados antimicrobianos, incluindo antibióticos empregados como promotores de crescimento, além de assegurar a fiscalização dos protocolos adotados pelos produtores.
A restrição não decorre da identificação de carne brasileira contaminada ou de um surto sanitário. O impasse está relacionado à comprovação de que os controles brasileiros atendem integralmente às novas regras europeias para a produção animal.
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