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Em meio à pressão de Trump no Ártico, Islândia rejeita retomada de negociações com a UE
Publicado 30/08/2026 • 16:08 | Atualizado há 1 hora
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Em meio à pressão de Trump no Ártico, Islândia rejeita retomada de negociações com a UE
Publicado 30/08/2026 • 16:08 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Jonathan Nackstrand | Afp | Getty Images
Os islandeses rejeitaram a proposta de retomar as negociações para a entrada do país na União Europeia. Na votação, questões como o controle nacional sobre a pesca parecem ter pesado mais do que as preocupações relacionadas à segurança e à geopolítica.
Segundo a emissora RÚV, 52,8% dos eleitores votaram contra a iniciativa do governo de reabrir as negociações com a UE, enquanto 47,2% foram a favor.
A pergunta submetida aos quase 400 mil habitantes da nação nórdica era simples: a Islândia deveria retomar as negociações para entrar na União Europeia?
Se a maioria tivesse votado “sim”, o governo poderia avançar nas negociações para um acordo de adesão. O texto final seria então submetido a um segundo referendo, no qual os islandeses decidiriam se aceitariam ou rejeitariam o acordo.
O referendo ganhou ainda mais peso diante das ameaças e demonstrações de força de Donald Trump em relação ao Ártico e de sua crescente pressão por maior influência dos Estados Unidos na região.
Ainda assim, no fim das contas, prevaleceram as preocupações com uma possível perda de controle sobre a indústria pesqueira e com o enfraquecimento da identidade nacional. Para os eleitores, essas questões parecem ter falado mais alto do que os possíveis efeitos das disputas geopolíticas sobre o país.
“O ‘Não’ venceu porque conseguiu tocar no ponto mais fundamental da identidade nacional islandesa: a defesa de um autogoverno absoluto. Isso está diretamente ligado ao controle dos recursos naturais e da pesca, que está no centro da ideia de soberania para os islandeses”, afirmou Eiríkur Bergmann, professor de política da Universidade Bifröst, na Islândia.
A pesca perdeu espaço na economia islandesa ao longo das últimas décadas, embora os produtos do mar continuem sendo uma importante fonte de exportação.
Peixes e frutos do mar, incluindo peixes de criação, responderam por quase 47% das exportações do país entre agosto de 2025 e julho de 2026, segundo a Statistics Iceland.
Ainda assim, o volume produzido caiu pela metade: de um pico de 2,2 milhões de toneladas em 1997 para 1,1 milhão de toneladas em 2024, segundo dados do Banco Mundial. Em 1995, agricultura, silvicultura e pesca representavam 9,1% do PIB islandês. Em 2025, essa participação havia caído para 3,7%, enquanto a indústria e o setor de serviços ganharam espaço na economia.
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Siga o Times | CNBCHá muito tempo, Trump defende que os Estados Unidos tenham controle sobre a vizinha Groenlândia, alegando razões de segurança nacional. No início deste ano, durante um discurso especial no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, o presidente americano chegou a confundir repetidamente a Groenlândia com a Islândia.
A Islândia é membro fundador da OTAN e o único país da aliança que não possui forças armadas próprias. O país também fica sobre o chamado GIUK Gap, uma passagem marítima estratégica entre a Groenlândia, a Islândia e o Reino Unido que liga o Ártico ao Atlântico.
A Islândia solicitou a entrada na União Europeia em 2009, após a crise financeira global. Em 2013, um governo contrário à adesão suspendeu as negociações, e o processo foi oficialmente encerrado em 2015.
Apesar disso, a Islândia já mantém uma estreita integração com a Europa. Uma das principais razões é sua participação no Espaço Econômico Europeu (EEE), que permite ao país ter acesso ao mercado único da UE sem se tornar um membro do bloco.
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A Islândia também faz parte do Espaço Schengen, que permite a circulação entre ela e outros países participantes sem a necessidade de passar por controles de passaporte nas fronteiras internas.
No início deste ano, a ministra das Relações Exteriores da Islândia, Thorgerdur Gunnarsdottir, afirmou que estreitar o diálogo e a cooperação com a União Europeia seria fundamental para proteger os interesses do país.
“Está claro que a ordem internacional em que vivemos desde o fim da Segunda Guerra Mundial está passando por uma grande turbulência”, escreveu Gunnarsdottir em um artigo publicado no jornal islandês Visir, segundo uma tradução do Google.
Para Bergmann, da Universidade Bifröst, o resultado do referendo revela justamente uma distância entre as grandes mudanças no cenário internacional e o debate dentro da Islândia.
“O que talvez seja mais surpreendente neste referendo é que, apesar da profunda turbulência geopolítica ao nosso redor — incluindo as rápidas mudanças no cenário de segurança do Atlântico Norte — essas questões globais nunca chegaram de fato ao debate público de forma significativa”, afirmou.
“O ‘Sim’ perdeu porque fez uma campanha excessivamente técnica e, francamente, sem paixão.”
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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