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Vorcaro diz que PF recusou delação porque relato envolvia pessoas ligadas ao “núcleo do atual governo”
Publicado 03/09/2026 • 19:35 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 03/09/2026 • 19:35 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: Master
Daniel Vorcaro
Daniel Vorcaro afirmou que a Polícia Federal teria recusado sua proposta de colaboração premiada porque o conteúdo envolvia pessoas ligadas ao atual governo. O fundador do Banco Master disse ainda que pretendia relatar episódios em que relações construídas com autoridades teriam ultrapassado limites de “moralidade” e “ilicitude”.
O relato foi feito durante uma oitiva realizada na semana passada, enquanto Vorcaro está preso em Brasília. Entre as autoridades mencionadas, o único nome citado diretamente pelo ex-banqueiro foi o do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O conteúdo do depoimento foi revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Leia também: Banco Central decreta liquidação extrajudicial de Trustee e Banvox, de ex-sócio de Vorcaro, em São Paulo
No depoimento, Vorcaro afirmou que as pessoas que pretendia mencionar em uma eventual colaboração fariam parte do que chamou de “núcleo do atual governo”.
“Toda a minha colaboração, ela, no que tange a pessoas, são pessoas do núcleo do atual governo, que eu acabei fazendo relação para me proteger dos ataques que eu estava sofrendo”, declarou.
O ex-banqueiro disse ainda que algumas dessas relações teriam ultrapassado limites.
“E aí, nesses momentos, teve uns casos que foram cruzadas linhas de moralidade, linhas de ilicitude, que esses eu pretendia relatar”, afirmou.
Vorcaro também reconheceu erros próprios e disse querer falar sobre eles.
“Eu não sou perfeito, eu errei, eu errei mesmo, eu quero falar no que eu errei”, declarou.
Apesar das referências genéricas a políticos e integrantes do governo, Vorcaro citou nominalmente apenas Andrei Rodrigues.
Segundo o ex-banqueiro, o diretor-geral da PF teria participado de eventos nos quais ele também estava e teria recebido convites em ocasiões anteriores às investigações sobre o Master.
“Eu vou dar um exemplo de situações que aconteceram, como, por exemplo, o próprio diretor-geral, o Andrei, que viajou para eventos comigo, com namorada, teve ingressos, teve uma relação pretérita a esse caso, especificamente”, afirmou.
Vorcaro não apresentou, porém, detalhes no depoimento que demonstrassem eventual irregularidade praticada por Rodrigues.
Em outro trecho, disse que a relação entre os dois não chegava a ser de amizade.
Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.
Siga o Times | CNBC“Não chegou a ser uma amizade, mas uma relação de estar em eventos conjuntos, de estar em eventos de charuto, juiz, de ter uma tratativa cordial, amistosa, de ir com família em eventos do banco, convites para eventos de Fórmula 1, de outras coisas”, declarou.
Vorcaro afirmou que os delegados envolvidos nas tratativas de colaboração não teriam demonstrado interesse em ouvir o que ele pretendia relatar sobre o diretor-geral da corporação.
Segundo sua versão, essa resistência teria ocorrido desde o início das conversas com a Polícia Federal.
O ex-banqueiro fez uma avaliação diferente sobre a atuação da Procuradoria-Geral da República, embora a PGR também tenha recusado suas propostas de colaboração.
“Fiquei, inclusive, surpreso com a própria PGR, com a atuação que foi proativa de tentar saber, entender a realidade. Mas isso não aconteceu, desde o começo, com a polícia”, afirmou.
A Procuradoria-Geral da República já havia rejeitado propostas de colaboração apresentadas por Vorcaro.
Em manifestação recente, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que as informações oferecidas pelo ex-banqueiro não acrescentavam elementos inéditos às investigações e não justificavam a retomada das negociações.
A PGR também sustentou que fatos considerados novos por Vorcaro poderiam já integrar o conjunto de provas reunido pelos órgãos responsáveis pela apuração.
Leia também: DADOS DA POLÍCIA FEDERAL E CVM: Forbes Brasil e Brazil Journal, os negócios secretos de mídia de Daniel Vorcaro
No depoimento, Vorcaro também afirmou ter recebido mensagens de advogados dizendo que não deveria tentar fechar um acordo de colaboração premiada.
Ele não identificou os advogados nem apresentou mais detalhes sobre os supostos recados.
Segundo o ex-banqueiro, as intimidações que atribui a integrantes da PF teriam cessado depois que as negociações por uma colaboração foram encerradas.
A Polícia Federal não comentou publicamente as acusações. A Procuradoria-Geral da República também não apresentou nova manifestação sobre esse trecho específico do depoimento.
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