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Vorcaro é suspeito de ser dono oculto da Entrepay, liquidada pelo BC
Publicado 27/03/2026 • 20:38 | Atualizado há 28 minutos
Publicado 27/03/2026 • 20:38 | Atualizado há 28 minutos
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Reprodução
Autoridades brasileiras suspeitam que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, atuava como “dono oculto” da Entrepay, liquidada pelo Banco Central nesta sexta-feira (27) com apoio de operadores ligados à instituição.
Nos bastidores, o diretor Antônio Carlos Freixo Júnior, que teve a indisponibilidade de bens decretada, é apontado como um dos responsáveis por operar a estrutura do conglomerado em benefício de Vorcaro.
Segundo pessoas que acompanham as investigações, a suspeita é de que a relação de Vorcaro com a Entrepay seguia um modelo semelhante ao observado nas conexões entre o Banco Master e a Reag Investimentos.
Fundos da gestora já foram citados em investigações sobre supostos esquemas de fraude e lavagem de dinheiro envolvendo o ex-banqueiro, no âmbito da Operação Compliance Zero.
Freixo Júnior foi alvo da segunda fase da operação, que apurava justamente as conexões entre o Master e a Reag. Ele também responde, ao lado de Vorcaro, a um processo da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre supostas irregularidades na emissão e distribuição de cotas de fundos fechados. Em dezembro do ano passado, a autarquia rejeitou uma proposta de acordo para encerrar o caso.
Ao anunciar a liquidação da Entrepay, o Banco Central afirmou que a medida levou em conta não apenas o comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, mas também infrações às normas que regulam a atividade e prejuízos que expunham credores a risco anormal.
De acordo com pessoas a par do assunto, essa referência a infrações regulatórias está ligada justamente às apurações sobre o ecossistema associado ao Master.
Vorcaro está preso desde 4 de março, quando a Polícia Federal deflagrou a terceira fase da Operação Compliance Zero. A investigação mira a existência de quatro núcleos com funções específicas em uma estrutura criminosa montada em torno do ex-banqueiro. Atualmente, ele negocia um possível acordo de delação premiada.
A liquidação extrajudicial da Entrepay também pode gerar efeitos para empresas do setor de pagamentos, já que a instituição atuava como adquirente.
Segundo apuração do Broadcast, Mastercard, Visa e Nubank têm algum grau de exposição à companhia. Os impactos, porém, ainda estão sendo avaliados.
A Visa afirmou que está ciente da decisão do Banco Central e que atua de forma próxima e colaborativa com a autoridade monetária para “apoiar a adequada execução das medidas cabíveis, em conformidade com a Lei do Repasse e a regulamentação aplicável, visando assegurar que os recursos sejam corretamente destinados aos estabelecimentos comerciais”.
Em nota, a Visa disse que, como instituidora de arranjo de pagamentos, “reforça seu compromisso com a estabilidade, a segurança e a integridade do ecossistema de pagamentos”. Emenda que segue empenhada em contribuir para um ambiente de pagamentos sólido, transparente e confiável, em linha com a regulação vigente e as melhores práticas de mercado.
Também por meio de nota, o Nubank afirma que já encerrou as operações com a Entrepay, e que a liquidação da empresa nesta sexta-feira pelo Banco Central é um “caso isolado em uma única credenciadora, sem impacto material para a companhia”.
“Como parte de seus processos de revisão, o Nubank encerrou as operações com a Entrepay, originadas dentro de um arranjo de pagamentos regulamentado, com salvaguardas operacionais e jurídicas específicas. Trata-se de um caso isolado em uma única credenciadora, sem impacto material para a companhia”, diz o Nubank, em nota.
Por se tratarem de instituições de pagamento e sociedade de crédito direto, as empresas liquidadas não captavam recursos por instrumentos cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Com isso, não há impacto para o fundo.
Também não há expectativa de efeito relevante para o sistema financeiro como um todo. O Banco Central destacou que o conglomerado Entrepay era de pequeno porte, enquadrado no segmento 4 da regulação prudencial, com apenas 0,009% dos ativos totais do Sistema Financeiro Nacional.
Nesta sexta-feira, o BC liquidou três empresas do grupo: Entrepay Instituição de Pagamento S.A., Acqio Adquirência Instituição de Pagamento S.A. e Octa Sociedade de Crédito Direto S.A.
Em nota, o Grupo Entre afirma que tomou conhecimento da liquidação e que vinha conduzindo um processo para descontinuar as operações das entidades. Segundo a empresa, essa ação refletia um contexto de “revisão estratégica do seu portfólio de negócios”, com foco na transição ordenada das atividades e no cumprimento das obrigações assumidas e na preservação da continuidade operacional no período.
“O Grupo Entre reafirma seu compromisso com a colaboração integral com as autoridades competentes, prestando todos os esclarecimentos necessários e acompanhando os desdobramentos do processo de liquidação dentro dos canais institucionais apropriados, de forma também a mitigar impactos a clientes, parceiros e demais públicos relacionados”, diz a nota. “O Grupo Entre possui outros negócios que seguirão seu curso normalmente.”
A empresa afirma ainda que a decisão de liquidação extrajudicial da Entrepay foi “adotada pelo Banco Central no âmbito de suas competências legais, conforme comunicado público, e está sendo acompanhada pela empresa dentro dos canais institucionais apropriados”. “A companhia reafirma seu compromisso com a transparência, a colaboração com as autoridades e a correção de informações que possam gerar interpretações equivocadas sobre sua estrutura ou atuação”, afirma.
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