Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Novo mapeamento da inovação em longevidade conecta organizações em rede
Publicado 06/10/2026 • 18:00 | Atualizado há 1 hora
S&P 500 fecha pela primeira vez acima dos 7.800 pontos impulsionado por ações de tecnologia
Emmy Awards deixará a TV aberta e migrará para o Prime Video em 2027
Anthropic expande o programa Claude Startups em uma tentativa de atrair fundadores e empresas de rápido crescimento
Fim da novela: Paramount conclui a fusão de US$ 110 bilhões com a Warner Bros. para formar a Skydance
Meta Muse impulsiona AMD à medida que o avanço da IA migra para agentes pessoais
Publicado 06/10/2026 • 18:00 | Atualizado há 1 hora
Magnific
Acabam de sair os dois primeiros relatórios do Mapeamento do Ecossistema de Inovação Social em Longevidade 2026, do Lab Nova Longevidade, da Ashoka. É a segunda edição de um estudo sobre quem está criando soluções para vidas mais longas no Brasil, incluindo organizações da sociedade civil, empresas, negócios de impacto, universidades, poder público e coletivos informais. O objetivo é tornar esses atores visíveis, encontráveis e conectáveis entre si.
O mapa oferece um ponto de partida para quem planeja investir, fazer parceria ou contratar nesse campo.
A base reúne 296 organizações e iniciativas que aderiram por chamada aberta e responderam a um questionário sobre público, recursos e financiamento. Cada participante recebeu um diagnóstico da própria atuação e recomendações de conexão com outros atores, gerados por inteligência artificial treinada pelo Lab.
O mapeamento tem apoio do Instituto Beja, da RD Saúde e do Itaú Viver Mais; a chamada foi reaberta para novas inscrições e serão seis relatórios ao todo. Os dois primeiros podem ser baixados no site do Lab Nova Longevidade. Em entrevista a esta coluna, Marília Duque, pesquisadora e liderança do Lab Nova Longevidade/Ashoka, explica o que o mapa já permite ver e qual é a medida pela qual ela mesma quer que ele seja avaliado daqui em diante.
O valor do Mapeamento pode ser demonstrado não apenas por quantas organizações ele torna visíveis, mas por sua capacidade de transformar visibilidade em aprendizagem, conexão e colaboração. Ele torna encontráveis organizações de diferentes naturezas, territórios e portes e cria condições para que suas capacidades sejam reconhecidas pelo ecossistema.
Além disso, os dados coletados retornam às próprias organizações por meio do Diagnóstico de Inovação Social e das Recomendações de Conexões, fazendo da participação também uma oportunidade de reflexão sobre a própria atuação e de aproximação com outros atores.
A base combina diferentes naturezas institucionais. Predominam OSCs formalizadas sem fins lucrativos (24,66%), seguidas por empresas (14,86%), negócios de impacto (10,14%) e OSCs não formalizadas (8,11%), além de setor público, academia, mídia, indivíduos e outros atores.
Os dados das 296 participantes são autodeclarados, coletados por questionário. A amostra é multissetorial e não representativa do Brasil. Há concentração no Sudeste (61,15%) e no Nordeste (26,69%), especialmente em São Paulo (46%) e Pernambuco (20%), mas as 295 organizações que informaram município estão distribuídas por 228 cidades, incluindo grandes centros, periferias, áreas rurais, amazônicas, ribeirinhas e quilombolas.
O corte permite observar um ecossistema diverso em território, maturidade e natureza institucional, sem pretensão de representar estatisticamente o conjunto das organizações brasileiras que atuam com longevidade.
A captação de recursos é o principal desafio organizacional para 48,99% dos respondentes e 34,12% declaram não possuir financiamento no momento. O problema não está restrito às organizações da sociedade civil.
Entre as fontes utilizadas, 31,76% mencionam venda de serviços, 26,01% recursos públicos, 23,31% parcerias corporativas e 20,27% doações. Ao mesmo tempo, 63,18% indicam empresas e setor privado entre os atores com os quais gostariam prioritariamente de se conectar.
A evidência do próprio Mapeamento aponta para condições estruturais do ecossistema: baixa disponibilidade de capital para circular entre os atores e uma demanda expressiva por aproximação com o setor privado.
Nós já temos resultados sobre o impacto do Diagnóstico de Inovação: entre as 40 organizações que o avaliaram, 98% o consideraram uma contrapartida válida para a participação no Mapeamento e 42% nunca tinham pensado em sua Teoria da Mudança antes de recebê-lo.
Uma próxima medida de valor seria acompanhar quantas recomendações resultam em colaboração. Esse indicador responde diretamente a uma necessidade identificada pelo próprio Mapeamento: 81,08% participam de redes ou coalizões, mas 35,47% apontam a colaboração entre setores como a principal barreira para o desenvolvimento do campo. O valor das recomendações pode estar justamente em qualificar conexões já existentes ou criar novas, orientadas por complementaridades concretas. Ainda não há dados longitudinais disponíveis para afirmar quantas recomendações produziram esses resultados.
O Mapeamento permite a ativação de redes de atores atuando em torno de frentes específicas. Esse é o exemplo da rede de Cultura do Cuidado, ativada a partir do Mapeamento de 2024 e que segue com um grupo de trabalho em Advocacy para Cuidado. Desse trabalho nasceu a cartilha Arquitetura de Cuidado para Vidas Mais Longas, com 11 propostas para planos de governo nas eleições de 2026.
A meta central é aumentar a proporção de organizações para as quais a participação no Mapeamento gera pelo menos um resultado adicional à visibilidade: reflexão estratégica, aprendizagem com outro ator ou colaboração concreta. O percurso que interessa acompanhar é simples: ser visível, ser encontrado, refletir e aprender, conectar-se, colaborar, escalar atuação e impacto. A visibilidade continua sendo fundamental, mas passa a funcionar como a porta de entrada para uma ambição maior: fazer do Mapeamento uma infraestrutura que devolve inteligência ao ecossistema e amplia sua capacidade de aprender e agir coletivamente.
A régua que Marília descreve tem seis degraus. Os dois primeiros valem para quem entrou no mapa: 296 organizações estão visíveis e podem ser encontradas. O terceiro, aprender, tem um primeiro sinal no que as organizações declaram sobre o diagnóstico. Os três últimos, conectar, colaborar e escalar, não foram contados, o que não quer dizer que não existam. É por eles que a próxima edição poderá ser avaliada.
Para quem olha esse ecossistema da ponta empresarial, o estágio é o de um ativo de busca: reduz o custo de encontrar parceiros e fornecedores, aponta complementaridades, permite começar pilotos. Venda de serviços é a fonte de recursos mais citada pelas organizações mapeadas. Um campo que já vende e ainda tem na captação seu maior desafio precisa de clientes tanto quanto de doadores. É essa a conversa que o mapa abre com o mercado.
Leia também
Na próxima coluna: o mercado de turismo religioso 60+.
Gilmara Espino é mestre em gestão, palestrante e professora de MBA. Presidente da GPeS Comunicamos Saúde e colunista de Economia Prateada do Times Brasil, licenciado exclusivo CNBC. linkedin.com/in/gilmaraespino
Maiores Audiências
1
DECISÃO 2026: Onda recorde da direita atropela adversários, conquista poder no Congresso e acende alerta no Supremo
2
DECISÃO 2026: Caiado anuncia apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial
3
Globo autoriza auditoria sobre relação de Luciano Huck com Daniel Vorcaro
4
Governo tenta aprovar fim da escala 6×1 no Senado nesta terça após avanço da oposição no 1º turno
5
Casas Bahia corta estoque em 40% e reduz quadro em 4,6 mil pessoas