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O que as startups para 60+ revelam sobre a Economia Prateada
Publicado 25/05/2026 • 11:40 | Atualizado há 58 minutos
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Publicado 25/05/2026 • 11:40 | Atualizado há 58 minutos
KEY POINTS
Economia Prateada
Marília Duque, pesquisadora da interface entre tecnologia e envelhecimento.
Uma startup é, antes de tudo, uma aposta.
Lidas com lupa, um conjunto de startups de base tecnológica voltadas a pessoas com 60 anos ou mais se transforma no mapa das crenças coletivas sobre quais problemas da longevidade hoje valerão dinheiro amanhã. São as chamadas AgeTechs ou SeniorTechs.
Esta coluna analisou 45 AgeTechs: 15 fundadas no Brasil, 15 na Alemanha e 15 nos Estados Unidos, escolhidas para formar um recorte representativo, não um censo. O objetivo foi mapear o que motiva nesse momento o direcionamento dos negócios e seu ritmo de crescimento.
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Das 45 analisadas, 32 nasceram nos últimos dez anos, mostrando que o adensamento do setor não é circunstancial. “Por um lado, a produção crescente de dados sobre o acelerado e irreversível envelhecimento global tangibilizou a demanda por inovação. Por outro, o potencial de consumo dos 60+ e novas narrativas sobre o envelhecimento ajudam a reconstruir o imaginário da pessoa idosa como consumidora e cidadã”, explica a antropóloga Marília Duque, pesquisadora da interface entre tecnologia e envelhecimento.
Outra conclusão clara é que a inovação segue a carteira: quem pagará os custos do envelhecimento populacional tende a ser o primeiro a investir em soluções inovadoras. Em outras palavras, estamos falando que é a fonte pagadora quem está direcionando a inovação nas AgeTechs.
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A premissa mais frequente é o risco e a fragilidade, com maior peso na Alemanha. Lá, o seguro-cuidado obrigatório, desde 1995, financia cuidados de longa duração apenas mediante diagnóstico de dependência. Como o dinheiro institucional depende desse atestado, a maioria das startups alemãs foi desenhada em torno da fragilidade.
Nos Estados Unidos, a flexibilidade do sistema permite a convivência entre startups de risco e de capacidade. A pluralidade de pagadores sustenta um ecossistema diversificado, que inclui não só monitoramento clínico, cuidado domiciliar e suporte ao cuidador, mas também soluções de prevenção, finanças, trabalho, fitness, aprendizagem e participação social.
No Brasil, sem equivalente ao seguro alemão nem pagador flexível como o Medicare Advantage, a família ou agentes privados, como planos de saúde, continuam sendo o principal financiador. Isso limita a escala de novas ideias e o resultado é um mercado fragmentado: boas ideias, mas poucas estruturas para escalar.
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O Mapa de AgeTechs do Brasil, organizado pela Ativen em parceria com o InovaHC do Hospital das Clínicas da USP, confirma a lógica de financiamento observada nos mercados alemão e americano. Das seis categorias mapeadas, saúde física, medicamentos e coordenação do cuidado concentram a maior densidade de startups. Engajamento e propósito aparecem com muito menos presença.
O mercado aprendeu a enxergar o idoso, por enquanto, principalmente como um custo a gerenciar. O consumidor com desejos próprios ficou para depois. Esse descompasso entre a oferta existente e o usuário real é onde o mapa se torna mais revelador.
Marília Duque aponta o erro recorrente que é a tendência de tratar o público 60+ como uma categoria uniforme, definida pela dependência e pela necessidade de cuidado quando o que esse público deseja vai muito mais além. “Pessoas idosas não têm só necessidades; têm desejos. E isso abre inúmeros campos de inovação”, diz.
No Brasil, faltam soluções para propósito, convivência, planejamento financeiro, moradia adequada e participação produtiva, entre outras.
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Empreender em longevidade ainda é desafiador porque o mercado, políticas públicas ainda não estão maduros para acolher todas as boas ideias. Em alguns casos, a demanda ainda não foi percebida, em outros casos, simplesmente faltam conectividade ou letramento digital para população 60+ aderir à tecnologias, alerta Mauro Oliveira Freitas, presidente da ABRACS e especialista em direito da pessoa idosa.
Para ele é preciso desenvolver a capacidade de receber e direcionar quem chega com uma ideia para o mercado 60+. As aceleradoras ajudam nessa tarefa.
O Silver Hub, uma das aceleradoras especializadas em longevidade no Brasil, já avaliou mais de 140 startups e mantém, atualmente, nove projetos em desenvolvimento ativo. O portfólio vai de healthtechs como Gâmio, com 50 mil vidas atendidas por mês, e Techbalance, focada em prevenção de quedas, a socialtechs como Matinê, com clientes como Amil, Unimed e Saúde Petrobras, e SilvIA, com operação em São Paulo e Madri.
"Buscamos quem tenha inquietação na busca de soluções para as 'dores' da população 60+ e enxergue o wellness como o caminho para uma Longevidade Ativa", define Marcos Ferreira, cofundador do Silver Hub”.
A aceleradora oferece mentoria, smart money, investimento anjo, conexões com o mercado e ambiente de teste, além de conectar as startups ao Inova Silver, evento que reúne cerca de 400 líderes, pesquisadores e empreendedores da longevidade. Em troca, pode receber equity ou comissão sobre negócios gerados.
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As primeiras AgeTechs seguiram a lógica do óbvio: saúde, cuidado, coordenação. Essa é a demanda mais urgente e o pagador mais claro. O segundo ciclo é o que define a maturidade de um ecossistema.
Como observou Marcos Ferreira, "o processo de envelhecimento não começa aos 60 anos. O mercado que trabalhar com essa lógica, preventiva, longitudinal e orientada ao estilo de vida, encontrará oportunidades que a primeira geração de startups ainda não mapeou”.
A distância entre o que o setor oferece hoje e o que o usuário real deseja é, ao mesmo tempo, o retrato do estágio atual e o mapa do próximo ciclo. Para respostas mais rápidas, o Brasil precisa avançar na oferta de ambiente favorável à inovação.
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O que são AgeTechs?
AgeTechs são startups voltadas para soluções destinadas à população com 60 anos ou mais, incluindo saúde, cuidado, finanças, moradia e participação social.
Por que a maioria das AgeTechs foca em saúde?
Porque os principais financiadores do envelhecimento hoje são famílias, seguradoras e sistemas de saúde, direcionando investimentos para risco, cuidado e fragilidade.
O que falta no mercado brasileiro de longevidade?
Segundo Marília Duque, pesquisadora da interface entre tecnologia e envelhecimento, faltam soluções voltadas a propósito, convivência, trabalho, planejamento financeiro e participação produtiva.
Gilmara Espino é especialista em marketing e comunicação em saúde, presidente da GPeS Health Branding & Business e colunista de Economia Prateada do Times Brasil, licenciado exclusivo CNBC. linkedin.com/in/gilmaraespino
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