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Aos 20 anos, o diretor Kane Parsons lança filme por produtora que vale US$ 3,5 bilhões
Publicado 10/04/2026 • 00:20 | Atualizado há 6 meses
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Publicado 10/04/2026 • 00:20 | Atualizado há 6 meses
Divulgação
Existe uma nova lógica moldando o entretenimento, e ela não começa nos escritórios de Los Angeles nem nas salas de reunião das grandes metrópoles. Começa em quartos mal iluminados, na frente de computadores, onde jovens com câmeras baratas constroem audiências que qualquer estúdio tradicional pagaria fortunas para alcançar. Kane Parsons é o exemplo mais eloquente disso.
Com apenas 20 anos, o britânico torna-se o diretor mais jovem da história da produtora A24. Seu filme Backrooms chega aos cinemas brasileiros em 28 de maio, com produção de James Wan e Shawn Levy e elenco encabeçado por Chiwetel Ejiofor e Renate Reinsve. É uma operação de peso entregue nas mãos de quem, quatro anos atrás, aos 16, era apenas um adolescente fascinado por uma foto assustadora num fórum obscuro da internet.
A história começa em 2019, quando um usuário anônimo postou no 4chan uma imagem de escritório vazio com a legenda: "Se você não tomar cuidado, vai acabar nas Backrooms." Parsons encontrou aquela imagem no final de 2021 e lançou, em janeiro de 2022, um curta no YouTube que hoje soma mais de 75 milhões de visualizações. O canal ultrapassa 300 milhões de acessos globais. Aos 17, foi contratado pela A24. Aos 20, estreia nas telas do mundo.
Fundada em 2012 por Daniel Katz, David Fenkel e John Hodges, a A24 é um dos casos de negócio mais fascinantes do entretenimento contemporâneo. Estimativas apontam receita anual entre US$ 200 e US$ 300 milhões, mas sua valuation chega a US$ 3,5 bilhões. A cifra não se justifica apenas pelo caixa, mas pelo poder de uma marca que criou rapidamente um capital cultural valioso.
Até a última cerimônia do Oscar, o estúdio acumulou 98 indicações e 21 vitórias, incluindo o feito inédito de vencer Melhor Filme, Diretor e todas as categorias de atuação em um único ano. Gasta 95% do orçamento de marketing em plataformas digitais e criou um modelo onde a marca vale mais do que qualquer filme individual que produz.
A contratação de Parsons não é capricho criativo, mas uma estratégia. A A24 representa apenas 0,75% do volume anual de filmes lançados, mas entrega 1,25% da demanda cinematográfica nos EUA, segundo a Parrot Analytics. Superar seu próprio peso é o modelo de negócio. E para isso, o estúdio busca vozes que a audiência já reconhece como autênticas antes do primeiro fotograma.
Parsons é exatamente isso: não foi descoberto por agente em festival. Construiu 300 milhões de visualizações fazendo o que a A24 prega: contar histórias com ponto de vista, sem intermediários, para um público que busca tramas interessantes e linguagens inovadoras.
O talento sempre foi democrático. O que mudou foi o acesso à distribuição. Backrooms estreia em 28 de maio. E com ele, um novo capítulo de como o entretenimento descobre (e financia) o futuro.
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