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Turnê que celebra os 50 anos do Iron Maiden chega ao Brasil

Publicado 21/10/2026 • 21:42 | Atualizado há 3 horas

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Felipe Machado

Felipe Machado é analista de economia e negócios do canal Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC. É jornalista, escritor e guitarrista fundador da banda VIPER

Eddie tem um currículo que faria inveja a muitos executivos. O mascote do Iron Maiden vende camisetas, estampa cervejas e protagoniza jogos, ajudando a sustentar uma marca que acompanha a banda muito além dos palcos. Na passagem da turnê Run for Your Lives pelo Brasil, com apresentações em São Paulo nos dias 25 e 27 de outubro e em Curitiba no dia 28, o personagem também representa um patrimônio que atraiu a atenção de investidores interessados no futuro do grupo.

Fundado por Steve Harris em 1975, o Iron Maiden ultrapassou 100 milhões de discos vendidos, segundo seus números oficiais, e acumulou 17 álbuns de estúdio e mais de 2.500 apresentações em 64 países. Ao longo desse percurso, construiu uma identidade musical e visual que permite reconhecer a banda tanto em uma sequência de guitarras quanto na camiseta de alguém que passa na rua.

O alcance dessa relação se reflete nas bilheterias. Segundo o Touring Data, 29 apresentações da Run for Your Lives em 2025 somaram US$ 98,3 milhões e reuniram mais de 919 mil espectadores, com média de US$ 3,39 milhões por show. No London Stadium, a arrecadação atingiu US$ 8,9 milhões com a presença de quase 70 mil pessoas. São receitas anteriores aos custos da operação, mas suficientes para dimensionar a demanda por um repertório que o público continua disposto a ouvir ao vivo.

A celebração dos 50 anos oferece a oportunidade de reapresentar esse catálogo com uma nova produção de palco, enquanto camisetas, bebidas e produtos licenciados impulsionam o faturamento. Eddie tem uma função particular nesse negócio: suas diferentes encarnações fornecem personagens e histórias para explorar em jogos, quadrinhos e experiências que podem alcançar o fã entre uma turnê e outra.

O cinema ganhou espaço nessa estratégia em maio, com o lançamento de Iron Maiden: Burning Ambition. Dirigido por Malcolm Venville e distribuído internacionalmente pela Universal, o documentário reúne arquivos e depoimentos sobre a trajetória do grupo, acrescentando ao catálogo musical um filme que também pode despertar o interesse de quem conhece a imagem de Eddie, mas nunca ouviu um álbum inteiro.

Em julho, a sueca Pophouse adquiriu 50% dos direitos editoriais e das gravações originais, além de uma participação nos direitos de nome e imagem da banda, por um valor não divulgado. A operação permite ao grupo antecipar parte do valor de receitas futuras e contar com um parceiro para financiar novos projetos, enquanto a compradora passa a participar da exploração comercial desse patrimônio.

Cofundada por Björn Ulvaeus, do ABBA, a Pophouse é uma das investidoras do espetáculo ABBA Voyage e pretende desenvolver, com o Maiden, experiências interativas, um universo digital centrado em Eddie e um filme da atual turnê. Esse último projeto é distinto do documentário lançado em maio; a parceria também apresentou a exposição Infinite Dreams Museum Experience, que transforma o acervo da banda em uma atração para os visitantes.

O repertório ajuda a entender o interesse por esse patrimônio. Na etapa de 2026, “The Trooper”, “The Number of the Beast” e “Fear of the Dark” dividem o palco com composições extensas, como “Rime of the Ancient Mariner” e “Seventh Son of a Seventh Son”, além de “Infinite Dreams”, recuperada após 38 anos fora dos shows. A escolha combina músicas que o público espera ouvir com outras cuja ausência se tornou motivo para voltar, mantendo o catálogo em circulação e dando à turnê uma identidade própria. O encerramento com “Wasted Years” parece adequado para uma banda que aprendeu a administrar o valor do tempo.

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