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ExpoSKI reúne em São Paulo a cultura da neve e os grandes players do mercado
Publicado 08/09/2026 • 11:45 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 08/09/2026 • 11:45 | Atualizado há 2 meses
Freepik
O maior evento voltado para os negócios do turismo de inverno brasileiro não acontece em uma montanha, mas no Clube Athletico Paulistano, em São Paulo. A ExpoSKI ganha sua 7ª edição nos dias 8 e 9 de setembro, reunindo 54 marcas do segmento de neve de alto padrão, de quatro continentes, num modelo que já provou sua eficiência comercial ao longo de oito anos de existência.
O número que interessa ao mercado é 42. Essa é a quantidade de reuniões pré-agendadas que cada expositor realiza ao longo dos dois dias do evento, em encontros de 15 minutos com intervalo de 5 minutos entre eles. Multiplicando por 54 expositores, o evento gera um volume de mais de 2.200 conversas de negócios estruturadas em 48 horas. É um formato comercial que poucas feiras conseguem entregar, e explica por que a ExpoSKI se consolidou como o principal hub de turismo de inverno da América Latina.
A geografia da lista de expositores conta uma história sobre onde está o dinheiro do esqui mundial hoje. Áustria, Andorra, Itália, França e Suíça formam o núcleo europeu, com organizações oficiais como Austria Tourism, Andorra Turisme e Trentino Marketing liderando as negociações. Do lado americano, Brand USA e Extraordinary Canada disputam espaço com o Chile, via Sernatur, que representa o único destino de neve do hemisfério sul na lista. Essa distribuição entre hemisférios é estratégica: permite ao operador brasileiro vender pacotes em praticamente qualquer mês do ano, já que enquanto a Europa está no verão, os Andes chilenos estão em plena temporada.
No segmento de hospedagem, a lista de marcas presentes mostra o quanto o turismo de neve de luxo se tornou um mercado de ticket alto. Mandarin Oriental, Monte-Carlo SBM e grupos boutique como Hôtel Le Coucou e Chalet Angelus não vendem apenas diárias, mas experiências de marca. Quando um hotel cinco estrelas europeu decide investir em rodadas de negócios no Brasil, o sinal para o mercado é claro: o consumidor brasileiro de alto padrão virou prioridade de faturamento para a hotelaria alpina.
O transporte aéreo também aparece como termômetro. A presença de United Airlines e Copa Airlines na feira reforça que a rota Brasil-destinos de neve segue crescendo em relevância nas malhas internacionais, com conexões que hoje sustentam boa parte do fluxo de turistas brasileiros rumo aos Alpes e à América do Norte.
Fundada em 1991 por Adriana Boischio, da Boischio Comunicação, a ExpoSKI carrega um posicionamento que vale a pena observar do ponto de vista de modelo de negócio: nenhuma exclusividade, nenhuma restrição de bandeira. Essa abertura é o que permite reunir concorrentes diretos, como diferentes resorts austríacos e italianos, na mesma sala, apostando que o crescimento coletivo do setor supera qualquer disputa pontual de mercado. É uma lógica parecida com a de feiras setoriais consolidadas em outros segmentos culturais, em que a cooperação entre marcas rivais amplia o bolo para todos.
A programação de capacitação, com workshops das 9h às 18h nos dois dias, é outro indicador de maturidade do setor. Palestras como a do Brand USA sobre ferramentas gratuitas de venda de esqui mostram que o gargalo do turismo de neve no Brasil não é mais a falta de interesse do consumidor, mas a capacitação da ponta de vendas, o agente de viagens que precisa entender o produto técnico para vender bem.
No fim das contas, a ExpoSKI é o retrato de como um nicho aparentemente restrito, o turismo de neve, sustenta uma cadeia de negócios robusta: destinos, companhias aéreas, hotelaria de luxo e capacitação, tudo orquestrado em dois dias dentro de um clube em São Paulo.
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