Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
O que o primeiro turno indica sobre o segundo: líder venceu as sete disputas presidenciais desde 1989, mas a diferença de 2026 é a menor da série
Publicado 06/10/2026 • 11:54 | Atualizado há 2 horas
Fim da novela: Paramount conclui a fusão de US$ 110 bilhões com a Warner Bros. para formar a Skydance
Meta Muse impulsiona AMD à medida que o avanço da IA migra para agentes pessoais
Preços do diesel devem permanecer altos até 2027 nos EUA, enquanto refinarias lutam para atender à demanda, aponta Goldman Sachs
Trump diz que pagará anúncios de TV que o elogiam e foram financiados pelo governo
CEO da Nokia afirma que data centers seriam construídos “duas vezes mais rápido” sem restrições de fornecimento
Publicado 06/10/2026 • 11:54 | Atualizado há 2 horas
O primeiro turno da eleição presidencial, realizado no domingo, 4 de outubro, terminou com o senador Flávio Bolsonaro (PL) em primeiro lugar, com 47,03% dos votos válidos, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em segundo, com 45,16%, de acordo com o resultado do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com 100% das seções totalizadas. A diferença entre os dois, de 1,9 ponto percentual, corresponde a cerca de 2,2 milhões de votos, e os demais candidatos somaram 7,81% dos votos válidos. Como nenhum candidato alcançou a maioria absoluta, a eleição será decidida em segundo turno, marcado para 25 de outubro.
O resultado recoloca uma pergunta que acompanha as eleições em dois turnos, a de saber em que medida a ordem de chegada e a distância entre os dois primeiros colocados no primeiro turno antecipam o desfecho do segundo. Este levantamento reúne os resultados oficiais das dez eleições presidenciais realizadas desde 1989, quando o país voltou a escolher o presidente pelo voto direto, já sob a regra dos dois turnos, com atenção maior às três mais recentes, as de 2018, 2022 e 2026. De forma complementar, recorre às eleições para governador, e registra, ao final, o que indicam os mercados de previsão, com as ressalvas que esse tipo de informação exige.
Das nove eleições presidenciais concluídas entre 1989 e 2022, duas foram decididas no primeiro turno, as de 1994 e 1998, ambas vencidas por Fernando Henrique Cardoso (PSDB), e sete tiveram segundo turno. Nas sete, o candidato mais votado no primeiro turno foi eleito, de modo que não há, na história das eleições presidenciais brasileiras em dois turnos, caso de candidato que tenha terminado a primeira votação em segundo lugar e vencido a disputa.
Eleições presidenciais desde 1989: primeiro turno e desfecho do segundo (percentual dos votos válidos)

As diferenças no primeiro turno variaram bastante ao longo da série. A maior foi a de 2002, quando Lula terminou 23,2 pontos à frente de José Serra (PSDB), e a menor havia sido a de 2022, quando ficou 5,2 pontos à frente de Jair Bolsonaro (PL). A de 2026, de 1,9 ponto, é inferior à metade da registrada em 2022 e a menor de toda a série, de modo que a regularidade observada até aqui se formou em disputas nas quais o líder tinha vantagem maior do que a atual. Outro aspecto pouco comum é a concentração dos votos: Flávio Bolsonaro e Lula somaram cerca de 92% dos votos válidos, a maior proporção já registrada para os dois primeiros colocados, acima dos 91,6% de 2022 e dos 90,2% de 2006, o que reduz a parcela de votos a ser redistribuída no segundo turno.
O fato de o líder ter vencido todas as vezes não significa que a distância tenha se mantido. Em seis dos sete segundos turnos, o segundo colocado ganhou mais pontos percentuais do que o líder entre uma votação e outra, e a diferença final ficou menor do que a do primeiro turno. A redução foi de 7,2 pontos em 1989, de 0,7 ponto em 2002, de 2,2 pontos em 2010, de 4,8 pontos em 2014, de 6,5 pontos em 2018 e de 3,4 pontos em 2022, e superou 3 pontos percentuais em quatro dessas disputas. A exceção foi 2006, quando Geraldo Alckmin (PSDB) recebeu no segundo turno 2,4 milhões de votos a menos do que no primeiro e a vantagem de Lula passou de 7,0 para 21,7 pontos.
As duas eleições mais apertadas no segundo turno, as de 2014 e 2022, ilustram o padrão. Em 2014, Dilma Rousseff (PT) terminou o primeiro turno 8,0 pontos à frente de Aécio Neves (PSDB) e venceu o segundo por 3,3 pontos; em 2022, a vantagem de Lula sobre Bolsonaro caiu de 5,2 para 1,8 ponto. Nos dois casos, o segundo colocado reduziu a distância em mais da metade, sem eliminá-la.
As três eleições mais recentes têm em comum a presença, no segundo turno, de um candidato do PT e de um integrante da família Bolsonaro, Jair em 2018 e 2022 e seu filho Flávio em 2026, em posições diferentes a cada vez. Em 2018, Jair Bolsonaro, então no PSL, terminou o primeiro turno com 46,03% dos votos válidos, contra 29,28% de Fernando Haddad (PT), uma diferença de 16,8 pontos, ou 17,9 milhões de votos, em um quadro no qual os demais candidatos somavam quase um quarto dos votos válidos (24,69%). No segundo turno, Haddad ganhou 15,7 milhões de votos e Bolsonaro, 8,5 milhões, de modo que a diferença caiu para 10,8 milhões de votos, ou 10,3 pontos, e Bolsonaro foi eleito com 55,13%.
Em 2022, Lula liderou o primeiro turno com 48,43%, contra 43,20% de Bolsonaro, então presidente e candidato à reeleição, com diferença de 5,2 pontos, ou 6,2 milhões de votos, e apenas 8,37% dos votos válidos dados aos demais candidatos. No segundo turno, Bolsonaro ganhou 7,1 milhões de votos e Lula, 3,1 milhões, e a eleição foi decidida por 2,1 milhões de votos, com 50,90% para Lula e 49,10% para Bolsonaro, a menor diferença já registrada em um segundo turno presidencial no país. Foi também a única das sete disputas em que o comparecimento aumentou do primeiro para o segundo turno, de 79,05% para 79,42% do eleitorado.
Leia também: Os 15 fundos que mantiveram desempenho excelente por três anos, segundo ranking de fundos para institucionais
Em 2026, o candidato do PT é o presidente em exercício e aparece em segundo lugar, posição em que estava o presidente candidato à reeleição em 2022; nas três tentativas de reeleição anteriores, o presidente havia vencido no primeiro turno (1998) ou terminado a primeira votação na liderança (2006 e 2014). Flávio Bolsonaro tem 47,03% e precisa de mais 3,0 pontos para alcançar a maioria dos votos válidos, o equivalente a 3,5 milhões de votos se o total de votos válidos se repetir, enquanto Lula tem 45,16% e precisa de 4,8 pontos, ou 5,8 milhões de votos. A diferença entre os dois, de cerca de 2,2 milhões de votos, é próxima daquela com que terminou o segundo turno de 2022 e inferior à redução que o segundo colocado obteve entre um turno e outro tanto em 2018 (7,2 milhões) quanto em 2022 (4,0 milhões), mas o volume de votos a redistribuir também é menor: os demais candidatos somaram cerca de 9,3 milhões de votos, contra 9,9 milhões em 2022 e 26,4 milhões em 2018.

Uma forma simples de dimensionar a tarefa de cada candidato é calcular que parcela dos votos válidos dados aos demais candidatos no primeiro turno cada um precisaria receber para chegar a 50%, supondo que o total de votos válidos se mantenha e que os eleitores dos dois primeiros colocados repitam o voto. Trata-se de uma simplificação, porque o comparecimento, os votos brancos e nulos e a própria escolha de quem votou nos dois finalistas mudam de um turno para outro (em 2018, por exemplo, o segundo turno teve 2,2 milhões de votos válidos a menos do que o primeiro), mas o exercício permite comparar as eleições em uma mesma escala.
Nas condições de 2026, Flávio Bolsonaro precisaria de cerca de 38% dos votos válidos dados aos demais candidatos, e Lula, de cerca de 62%. Nas sete disputas anteriores, o segundo colocado precisava de parcelas entre 63% (1989) e 88% (2002), de modo que a de 2026 é a menor da série, pouco abaixo da de 1989. O que os segundos colocados efetivamente obtiveram, medido pela variação de sua participação nos votos válidos entre os turnos, ficou entre 51% e 63% dessa parcela em cinco das sete disputas, foi negativo em 2006 e chegou a 70,5% em 2022; do lado do líder, a parcela obtida ficou entre 37% e 49% em cinco disputas, superou 100% em 2006 e foi de 29,5% em 2022. A parcela de que Lula necessita, de 61,9%, foi alcançada pelo segundo colocado em duas das sete disputas anteriores, as de 2018 (63,1%) e 2022, e não foi alcançada nas outras cinco, nas quais o desempenho do líder teria bastado para o patamar de que Flávio necessita.
Parcela dos votos dos demais candidatos necessária ao segundo colocado e parcela obtida no segundo turno

Sete disputas formam uma amostra pequena, e todas tiveram diferença superior à atual, de modo que o histórico presidencial, sozinho, informa pouco sobre o que ocorre quando os dois candidatos chegam ao segundo turno tão próximos. As eleições para governador oferecem uma base maior. Levantamento do Poder360 com as disputas estaduais de 1990 a 2022 contou 120 segundos turnos, dos quais 35, ou 29%, foram vencidos pelo candidato que havia ficado em segundo lugar no primeiro turno. A frequência variou conforme a distância inicial: entre as disputas de 1990 a 2018, houve virada em 17 das 37 em que a diferença no primeiro turno era de até 5 pontos percentuais (46%), em 9 das 30 em que ela ficava entre 5 e 10 pontos (30%) e em 5 das 41 em que superava 10 pontos (12%).
Segundos turnos para governador (1990 a 2018), por diferença entre os dois primeiros colocados no primeiro turno

Em 2022, quatro das 12 disputas estaduais terminaram com vitória do segundo colocado. Em Mato Grosso do Sul e em Pernambuco, a diferença no primeiro turno era de 1,6 e 3,4 pontos; em Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD) venceu depois de ficar 5,8 pontos atrás de Rogério Carvalho (PT), que havia obtido 44,70% dos votos válidos; e, no Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB) venceu depois de terminar o primeiro turno 10,7 pontos atrás de Onyx Lorenzoni (PL).
A comparação com a eleição presidencial exige cautela. Disputas estaduais costumam ter eleitorados menores, mais candidatos competitivos e líderes com votações mais baixas no primeiro turno (em Mato Grosso do Sul e em Pernambuco, em 2022, o primeiro colocado tinha menos de 27% dos votos válidos), o que deixa uma parcela maior de votos a ser redistribuída. Na eleição presidencial de 2026, o líder está a cerca de 3 pontos da maioria e os demais candidatos somaram menos de 8% dos votos válidos, configuração em que a margem para mudanças é mais estreita para os dois candidatos.
Os mercados de previsão, como o Polymarket, passaram a ser citados na cobertura eleitoral a partir da eleição americana de 2024. Neles, cada candidato tem um contrato que paga US$ 1 em caso de vitória e nada em caso de derrota, e o preço negociado, entre zero e US$ 1, costuma ser lido como a probabilidade que os participantes atribuem àquele resultado. Trata-se de apostas feitas com dinheiro por quem escolhe participar, e não de pesquisas eleitorais: não há amostra representativa do eleitorado, não há registro na Justiça Eleitoral, como a Lei das Eleições exige das pesquisas destinadas à divulgação, e o preço expressa a opinião de apostadores sobre quem vai vencer, e não a intenção de voto dos eleitores.
O histórico disponível mostra tanto a utilidade quanto os limites desses preços. Em levantamento realizado, que reuniu 47 eleições nacionais realizadas entre 2023 e setembro de 2026, o candidato ou o partido apontado como favorito na véspera da votação decisiva venceu em 40, ou 85%, proporção que, pelo tamanho da amostra, é compatível com taxas de acerto entre 72% e 93%. Os erros se concentraram nas disputas equilibradas: entre os 22 favoritos com 90% ou mais de probabilidade, 21 venceram, e, entre os oito com menos de 60%, quatro. Nos cinco segundos turnos presidenciais em que o segundo colocado venceu, o mercado apontava na véspera o vencedor em dois (Argentina e Chile) e o derrotado em outros dois (Romênia e Polônia), e, na Eslováquia, os candidatos chegaram empatados. Antes do primeiro turno, quando a incerteza é maior, os preços estiveram mais distantes do resultado: na Turquia, em 2023, o contrato de Recep Tayyip Erdoğan valia 32,7% na véspera da primeira votação, e, na Bolívia, em 2025, o de Rodrigo Paz valia 0,5%, e ambos foram eleitos.
No Brasil, o Polymarket está bloqueado desde abril de 2026, quando o Conselho Monetário Nacional, por meio da Resolução nº 5.298, proibiu a oferta de derivativos vinculados a eventos políticos e eleitorais e a Anatel bloqueou 27 plataformas do gênero, de modo que os contratos sobre a eleição brasileira, que continuam a ser negociados no exterior, refletem as posições de quem opera fora do alcance dessa restrição. Feita essa ressalva, e apenas como registro, o contrato de vitória de Flávio Bolsonaro era negociado a cerca de 64 centavos de dólar na noite anterior ao primeiro turno, e o de Lula, a cerca de 36 centavos; na noite de domingo, depois da apuração, os preços estavam em torno de 84 e 15 centavos, respectivamente. Também na véspera, um mercado específico e de volume bem menor, sobre quem teria mais votos no primeiro turno, atribuía cerca de 60% de probabilidade a Lula, que terminou em segundo lugar. Além de não serem pesquisas, esses preços variam em questão de horas, podem ser influenciados por grandes posições individuais e, no levantamento internacional, referem-se à véspera da votação decisiva, e não a três semanas dela; mesmo na véspera, houve derrotas de favoritos com probabilidade elevada, como a do Reagrupamento Nacional na eleição legislativa francesa de 2024, que tinha 90%.
Em conjunto, os dados indicam que terminar o primeiro turno à frente tem sido uma vantagem relevante: o líder venceu os sete segundos turnos presidenciais disputados no país, 85 das 120 disputas estaduais e 11 das 16 disputas presidenciais recentes em outros países. Indicam também que essa vantagem diminui à medida que a diferença se estreita, que o segundo colocado reduziu a distância em seis das sete disputas presidenciais brasileiras e que a diferença registrada no primeiro turno de 2026 é menor do que a de qualquer das disputas anteriores, o que coloca a eleição em uma faixa para a qual o histórico nacional não oferece precedente direto. O resultado dependerá do destino dos cerca de 8% de votos válidos dados aos demais candidatos, do comparecimento e do comportamento dos eleitores que votaram em branco, anularam o voto ou se abstiveram no primeiro turno, variáveis que os resultados anteriores permitem dimensionar apenas de forma aproximada.
Maiores Audiências
1
DECISÃO 2026: Onda recorde da direita atropela adversários, conquista poder no Congresso e acende alerta no Supremo
2
Globo autoriza auditoria sobre relação de Luciano Huck com Daniel Vorcaro
3
Europa em alerta: o avanço de Flávio Bolsonaro, a sombra de Trump e a fragilidade do acordo UE-Mercosul
4
Governo tenta aprovar fim da escala 6×1 no Senado nesta terça após avanço da oposição no 1º turno
5
DECISÃO 2026: veja quem são os deputados federais eleitos em São Paulo