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Após caso Master, remuneração dos CDBs cai e maioria das ofertas não passa de 107% do CDI
Publicado 27/05/2026 • 18:52 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 27/05/2026 • 18:52 | Atualizado há 5 meses
A taxa média de remuneração dos CDBs caiu em abril de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior, quando as notícias com relação à insolvência do banco Master começaram a se avolumar. A perda de rentabilidade dos títulos bancários foram mais intensas entre os CDBs indexados a um percentual do CDI (CDI + spread) para 6 e 24 meses. Essas modalidades tiveram uma redução entre 3 e 4%, respectivamente, na remuneração nesse período. Os dados foram compilados a partir de levantamentos independentes feitos pela consultoria Quantum e pela Kaya Asset Management.
Em maio de 2026, rankings públicos de CDBs com liquidez diária mostravam muitas ofertas entre 100% e 107% do CDI. Além de remunerações mais discretas, há também uma redução da oferta. Esses mesmos títulos, de 6 e 24 meses, tiveram uma redução de 40% no primeiro caso e de 60,2% no segundo no número de ofertas registradas em abril de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano passado.
Ainda assim, esses números não indicam que o mercado de CDB esteja encolhendo. O estoque de CDBs registrados na Bolsa de Valores subiu de R$ 1,9 trilhão em 2022 para R$ 2,1 trilhões em 2023, R$ 2,5 trilhões em 2024 e R$ 2,8 trilhões em 2025. O que tem acontecido é uma desaceleração dos lançamentos.
O estudo da Quantum aponta que nos anos de 2023 a 2025, era mais frequentes as ofertas de CDBs com remuneração fora da curva, perto de 120% ou acima disso. Entre esses estavam os CDBs do banco Master, que chegavam a prometer 190% do CDI, e do Will Bank, que pertencia ao Master e que chegou a oferecer títulos com remuneração acima de 200% do CDI.
Em 2026, as ofertas têm se concentrado em remunerações entre 100% e 105% do CDI. Há taxas mais altas, mas com travas, como, por exemplo, limite máximo de investimento ou escada de remuneração.
O investidor tem hoje menos linhas disponíveis, menos emissores agressivos e menor variedade de CDBs dentro das plataformas. Isso porque os bancos captaram bastante nos últimos anos e agora colocaram o pé no freio. "Quando o estoque de captação bancária cresce por vários anos, bancos que já estão bem financiados tendem a reduzir a necessidade de pagar 115%, 120% ou mais do CDI para atrair recursos", explica o relatório da Kaya.
Além disso, outras linhas de captação passaram a atrair mais investidores. São os casos das LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) e LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio), que tiveram um crescimento de estoque da ordem de 25% e 24%, respectivamente, em 2025, enquanto o estoque de CDB cresceu 9% no mesmo período.
Em abril de 2026, o CMN aprovou regras que afetam a captação com garantia do FGC, incluindo um indicador de Ativo de Referência e exigências adicionais para instituições que captam muito com produtos cobertos pelo Fundo mas têm ativos de baixa qualidade ou baixa liquidez. Essa medida foi criada após o rombo causado pela fraude do Banco Master, que deixou um buraco de cerca de R$ 50 bilhões no Fundo Garantidor.
Com isso, os bancos médios passarão a cumprir regras de liquidez, com implementação gradual a partir de 2027. Isso deve tornar menos atrativo competir apenas oferecendo taxas muito acima da média em produtos protegidos pelo FGC.
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