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Master Capixaba: o caminho das pedras que levaria a família Paulus de novo ao comando da CVC com ajuda da Apex Partners
Publicado 12/08/2026 • 19:57 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 12/08/2026 • 19:57 | Atualizado há 3 horas
A CVC (CVCB3) passou por uma viagem atribulada entre 2018 e 2023, com o nome da empresa envolvido na Lava Jato, o que culminou na saída do seu presidente do Conselho, o fundador da empresa Guilherme Jesus Paulus. Depois o presidente da companhia também foi trocado. Nesse tempo, em meio à pandemia e paralisação do setor de turismo, a companhia começou um processo acelerado de desidratação na bolsa de valores, caindo R$ 53 para menos de R$ 3.
A empresa não conseguiu interromper seu calvário, agravado em 2026, depois que a família Paulus deixou claro que pretendia voltar ao comando da empresa, mesmo que isso custasse mudanças drásticas no estatuto da companhia que ela mesma havia fundado. O resultado: queda de mais 30% em seis meses e crise em um dos parceiros de negócios da família Paulus, a Apex Partners.
O caminho natural era de retorno da família Paulus ao comando com a ajuda da Apex Partners. Mas a situação saiu do controle. A Apex reconheceu dificuldades de pagar suas contas e assumiu que utilizou operações inconsistentes para aumentar sua participação e formar grupo majoritário na CVC.
Além disso, a Apex Partners entrou com medida cautelar para evitar um abandono dos cotistas de seus fundos e resolver seu endividamento, de quase R$ 1 bilhão em dívidas. Agora, a parceira da família Paulus tem 60 dias para resolver suas dívidas, caso contrário, pode ter que abrir mão da sua participação na CVC e diluir a participação do grupo majoritário e desmontar a estratégia de remontada da família fundadora.
Veja como a família Paulus articulou seu retorno depois de perder o comando da CVC há quase uma década, e como isso foi por água abaixo.
O fundador e até então presidente do Conselho de Administração da CVC, Guilherme Jesus Paulus, se afasta depois de ter seu nome envolvido em investigação da Polícia Federal em uma das fases finais da operação Lava Jato. À época, a CVC se manifestou dizendo que a operação estava circunscrita à CVC Tur, que não abrangeria a CVC Brasil, com capital aberto na bolsa desde 2013.
Em março de 2019, Guilherme Jesus Paulus admitiu, em delação premiada, que havia desembolsado propina para livrar a CVC Tur de uma cobrança de R$ 161,3 milhões de PIS e Cofins. Para isso, o pagamento teria sido de R$ 39 milhões para membros do Carf, que ficariam responsáveis por cancelar as autuações da Receita Federal. Os movimentos teriam ocorrido entre 2013 e 2014.
Fabio Godinho assume a presidência da CVC com uma missão principal, tornar a operação figital, ou seja, com uma forte combinação entre as operações física e digital. Isso incluiria o avanço via franquias e uma retomada depois dos problemas de governança e os impactos da pandemia.
Ao longo daquele ano, já livre das investigações, Guilherme Paulus volta, gradativamente, a ampliar sua participação da companhia, fazendo aquisições de ações. Contudo, o estatuto da empresa proibia que houvesse participação superior a 25% do capital total da companhia, o que freou a ascensão de Paulus dentro do grupo que ajudou a fundar.
A família Paulus aproveitou a queda de 20% no preço das ações no dia 16 de janeiro para, no dia seguinte, fazer a aquisição dos papéis a um preço bem mais baixo. Assim, o fundo GJP, que pertence à família e leva as iniciais de Guilherme, alcançou 20,3% de participação no capital da CVC.
O tombo das ações esteve relacionado à troca de presidência da CVC, com a saída de Fabio Godinho, que seria substituído por Fabio Mader.
No dias seguintes à aquisição, as ações da CVC dispararam novamente, chegando a uma valorização diária de quase 9% em determinado momento. Contudo, isso foi insuficiente para reverter o mal-estar do mercado com a companhia nos médio e longo prazos. Mais quedas viriam pela frente.
A Apex Partners havia concluído seu processo de aquisição de ações da CVC, o que permitiu à empresa deter 15,5% da companhia. A Apex havia adquirido ao longo do tempo parte do capital da empresa de turismo -- incluindo ações que antes estavam nas mãos da família Paulus -- utilizando uma forma questionável de financiamento: era utilizado dinheiro dos fundos de investimento da Apex, garantindo aos cotistas garantia de 100% do CDI ou a valorização das ações da CVC.
No dia 2, a assembleia de acionistas da CVC aprovou mecanismos para acordo entre Apex e fundo GJP, de Guilherme Paulus, que permitiu a vinculação dos acionistas.
Três dias depois, a assembleia aprovou, em caráter extraordinário, a dispensa da obrigatoriedade de realização de oferta pública de aquisição de ações (OPA) caso algum acionista ultrapassasse os 25% de participação, beneficiando diretamente o GJP e a Apex.
Segundo comunicado da CVC, a decisão favorecia também Carbyne Travel, BRM Carbyne Voyage, Apex Vessel, AM Latitude, Propósito Previdência e BRM Carbyne Jaguar, além de Fernando Antonio Kulnig Cinelli, presidente da Apex Partners.
Na mesma assembleia, foi aprovada a eleição de Cinelli para o Conselho de Administração da CVC, em substituição de Tiago Ring. Cinelli teria mandato até dezembro de 2026, na assembleia geral que deliberaria sobre as contas da companhia.
A família Paulus preparava sua ascensão definitiva de volta ao controle da CVC, quando veio a público as inconsistências das operações financeiras utilizadas pela Apex Partners para aquisição de parte ou da totalidade das ações da CVC nas mãos da empresa do setor financeiro.
A empresa assumiu as inconsistências depois de as quedas do preço das ações da CVC terem ultrapassado os 30% na comparação com o valor do início do ano.
Diante disso, Fernando Antonio Kulnig Cinelli foi afastado da liderança da Apex e perdeu a cadeira no conselho da CVC.
A Apex entrou com medida cautelar para frear a saída de dinheiro de seus fundos e tem até 60 dias para resolver sua situação financeira, o que inclui pagamento de dívidas que somam quase R$ 1 bilhão. Caso contrário, a empresa pode perder a sua participação na CVC e desmontar o bloco de controle formado com a família Paulus.
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