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Mercado já enxerga fim da queda dos juros e revisa apostas antes da Superquarta
Publicado 14/06/2026 • 20:30 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 14/06/2026 • 20:30 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Imagem ilustrativa
A próxima Superquarta (17) terá contornos mais dramáticos, principalmente após a divulgação do payroll, o relatório de emprego dos Estados Unidos referente ao mês de maio, que reforçou o cenário de uma economia ainda aquecida no país.
Os dados mostraram que a criação de vagas veio muito acima do esperado pelo mercado, o que levou investidores a reavaliarem as perspectivas para a política monetária americana. A reação foi imediata: bolsas entraram em trajetória de queda e os juros futuros avançaram de forma significativa.
Os números não alteram as projeções para a reunião da próxima quarta-feira nos Estados Unidos. A expectativa continua sendo de manutenção dos juros na faixa entre 3,5% e 3,75%, segundo o CME Group. No entanto, os dados provocaram uma reviravolta nas apostas para o restante do ano.
No início de 2026, predominava a expectativa de cortes graduais nos juros americanos até dezembro. Agora, diante da resiliência da atividade econômica e do mercado de trabalho, parte relevante dos analistas já trabalha com a possibilidade de uma alta de juros na última reunião do Federal Reserve neste ano.
O mercado também estará atento às falas de Kevin Warsh, as primeiras como presidente do Fed após uma decisão de juros. Pesa sobre Warsh certa desconfiança com relação à autonomia junto ao governo de Trump e habilidades para contornar dissidências dentro do banco central americano.
Ao mesmo tempo, o cenário brasileiro também se tornou mais nebuloso. Nas últimas semanas, bancos de investimento nacionais e internacionais revisaram para cima suas projeções para a Selic ao final de 2026. Se antes o consenso apontava para uma taxa próxima de 13% ao ano, agora já há instituições projetando juros de 14% ou mais.
Para a decisão da próxima quarta-feira, já não existe a mesma convicção de que o Banco Central promoverá um corte de 0,25 ponto percentual, o que derrubaria a Selic para 14,25%. O movimento, que há poucas semanas era considerado praticamente certo pelo mercado, passou a ser questionado após a divulgação de indicadores locais e, principalmente, dos EUA.
Isso ocorre porque os Estados Unidos exercem forte influência sobre as condições financeiras globais. Juros mais altos por lá acabam pressionando as taxas de retorno exigidas pelos investidores em todo o mundo.
O Brasil enfrenta incertezas relevantes no campo fiscal e político. Nas últimas semanas, a disputa entre Executivo e Congresso ganhou novos capítulos, com a apresentação de propostas que podem ampliar significativamente os gastos públicos nos próximos anos. Segundo estimativas do governo, algumas dessas medidas, chamadas de pautas-bomba e apresentadas pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, poderiam gerar impacto de até R$ 2 trilhões nas contas públicas ao longo da próxima década.
O embate ocorre em meio à aproximação do calendário eleitoral de 2026 e amplia as preocupações do mercado com a trajetória da dívida pública e a capacidade de equilíbrio das contas do país.
Diante desse cenário, os investidores passaram a projetar uma Selic mais elevada ao final do próximo ano. No começo de 2026, havia quem apostasse em juros próximos de 12%. Agora, as projeções mais recentes já apontam para uma taxa em acima de 14% ao fim do período em alguns casos. O Focus aponta 13,5%, mas deve haver nova alta na segunda.
O cenário de guerra também influencia as expectativas para a política monetária, embora o mercado ainda tente mensurar o tamanho exato desse impacto. Isso porque a pressão inflacionária gerada pelo conflito tem origem principalmente nos custos de produção, especialmente no mercado de energia.
Nesse caso, a política monetária possui instrumentos mais limitados para combater a inflação. A demanda global por petróleo segue relativamente firme, mas o principal fator de pressão sobre os preços tem sido a preocupação com a oferta, especialmente em razão dos riscos envolvendo o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.
Antes da decisão do Banco Central, os investidores acompanharão atentamente a atualização das projeções para inflação e juros, que vêm apresentando trajetória de alta. As estimativas para o IPCA chegaram a 5,11%,l.
Na terça-feira, outro indicador importante será o desempenho das vendas no varejo, que pode oferecer sinais sobre o nível de aquecimento da atividade econômica e do setor de serviços.
Além das repercussões do payroll e das expectativas para a decisão do Federal Reserve, os investidores acompanharão na terça-feira os dados de estoques de petróleo bruto nos Estados Unidos.
O indicador ganhou importância adicional após a escalada das tensões envolvendo o Irã, já que qualquer alteração relevante nos estoques pode influenciar as expectativas para os preços da commodity.
Na quinta-feira, será a vez do Banco da Inglaterra anunciar sua decisão de política monetária.
A expectativa predominante é de manutenção dos juros. Ainda assim, o mercado estará atento à divisão dos votos entre os dirigentes da instituição, buscando sinais sobre os próximos passos da autoridade monetária britânica.
Outro ponto de atenção na segunda-feira será a divulgação da declaração de política monetária do Banco do Japão.
Os investidores tentarão identificar pistas sobre o ritmo de normalização da política monetária japonesa e seus possíveis impactos sobre os mercados globais.
Ainda no Oriente, a China divulgará na segunda-feira novos dados de vendas no varejo e preços dos imóveis.
Especialmente no caso do mercado imobiliário, os números podem influenciar o comportamento das commodities metálicas, como minério de ferro e aço. Por consequência, os resultados tendem a repercutir nas ações de empresas brasileiras ligadas ao setor, como Vale, Usiminas, Gerdau e CSN.
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