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Bitcoin enfrenta pior semana em meses à medida que narrativa perde força e investidores migram para outros ativos

Publicado 04/06/2026 • 22:30 | Atualizado há 4 horas

KEY POINTS

  • Bitcoin caminha para sua pior semana desde fevereiro, pressionado por uma sequência recorde de saídas líquidas dos ETFs da criptomoeda.
  • A moeda digital também está perdendo espaço na disputa por capital especulativo para temas mais atrativos do momento, como infraestrutura de inteligência artificial e a aguardada oferta pública da SpaceX.
  • A venda de bitcoins realizada pela Strategy, empresa de Michael Saylor, desencadeou uma forte correção no mercado nesta semana.
  • Investidores aguardam a próxima atualização da companhia, prevista para segunda-feira, em busca de sinais que possam ajudar a estabilizar o sentimento do mercado.
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Foto: Magnific

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O bitcoin vem sofrendo fortes perdas neste início de junho, em meio ao enfracquecimento das narrativas que sustentavam o mercado de criptomoedas e à migração de recursos para outros ativos.

A combinação desses fatores deixou a principal criptomoeda do mercado mais vulnerável a novas quedas, enquanto investidores reduzem a exposição ao risco e direcionam capital para segmentos com maior impulso ou catalisadores mais claros de curto prazo, como a disparada das ações de fabricantes de chips e a expectativa em torno do IPO da SpaceX. Segundo a Coin Metrics, o bitcoin acumula queda de 13% nesta semana e caminha para seu pior desempenho semanal desde fevereiro.

Esse movimento é comum nos ciclos do mercado cripto. Quando a principal narrativa perde força, a liquidez costuma migrar rapidamente para outros setores. Sem um novo fator capaz de sustentar a demanda, o bitcoin fica mais exposto a oscilações bruscas impulsionadas por fluxos de capital. Agora, investidores tentam identificar qual poderá ser o próximo motor de crescimento do ciclo.

Na quarta-feira, os ETFs de bitcoin registraram o 13º dia consecutivo de saídas líquidas de recursos, a maior sequência já observada, segundo dados da SoSoValue. O patrimônio total desses fundos caiu de US$ 107,8 bilhões em 14 de maio para US$ 82,8 bilhões.

Para Alex Saunders, analista do Citi, os fluxos dos ETFs são hoje o principal fator por trás da valorização do bitcoin, explicando cerca de 45% da variação dos retornos semanais da criptomoeda e funcionando como um importante termômetro do apetite dos investidores.

Saunders acrescenta que um dos principais catalisadores para uma retomada do interesse pelo setor — a possível aprovação do projeto de lei conhecido como Clarity Act, que busca estabelecer regras para o mercado cripto nos Estados Unidos — parece cada vez mais distante, à medida que outras pautas ganham prioridade no Congresso e persistem divergências sobre pontos centrais da proposta.

“Esperamos que o sentimento permaneça morno, especialmente porque a diferença de desempenho em relação ao mercado de ações continua muito grande, na ausência de notícias positivas na frente regulatória ou de preocupações com a deterioração fiscal”, afirmou o analista.

O gatilho da semana

O principal evento da semana ocorreu na segunda-feira, quando a Strategy, empresa comandada por Michael Saylor, revelou a venda de 32 bitcoins por cerca de US$ 2,5 milhões.

Foi a primeira venda de bitcoins da companhia desde 2022 e apenas a segunda de sua história. Os recursos foram utilizados para ajudar no pagamento de dividendos de ações preferenciais.

Embora a operação representasse menos de 0,004% das reservas da empresa e já tivesse sido sinalizada ao mercado, ela abalou a confiança dos investidores. O motivo foi a mudança de postura de Saylor, conhecido por defender a estratégia de nunca vender bitcoins.

A reação desencadeou uma onda de liquidações de posições compradas. Quando investidores alavancados apostando na alta são forçados a encerrar suas posições, as corretoras vendem automaticamente os ativos para cobrir perdas. Segundo a CoinGlass, o mercado registrou US$ 594 milhões em liquidações de posições compradas em apenas 24 horas.

Crise de identidade

Nos últimos meses, o bitcoin deixou de responder às narrativas que tradicionalmente impulsionavam seu preço.

A criptomoeda não tem se comportado como um “ouro digital” em momentos de tensão geopolítica, tampouco como proteção contra a inflação. Ao mesmo tempo, também não acompanha o desempenho das ações de tecnologia de alto crescimento.

Enquanto o bitcoin recua, as bolsas americanas renovam máximas históricas e os investidores direcionam recursos para empresas ligadas à inteligência artificial e semicondutores. Em 2026, fabricantes de chips como Advanced Micro Devices, Intel e Micron Technology mais do que dobraram de valor.

Além disso, companhias privadas como SpaceX e Anthropic vêm atraindo cada vez mais atenção de investidores focados em crescimento.

Embora não seja possível medir exatamente quanto capital deixou o mercado cripto para migrar para esses setores, analistas concordam que o bitcoin está perdendo a disputa por novos recursos especulativos.

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“Com o mercado acionário renovando máximas há semanas, liderado pelas empresas de tecnologia, seria natural imaginar que esse seria um ambiente favorável para as criptomoedas. Será que inteligência artificial e semicondutores estão simplesmente absorvendo todo o excesso de liquidez?”, questionou Rob Ginsberg, analista da Wolfe Research.

O que observar daqui para frente

Na próxima segunda-feira, investidores terão acesso à atualização semanal da Strategy, que mostrará se a empresa comprou, vendeu ou manteve inalterada sua posição em bitcoin ao longo desta semana.

Caso a companhia volte às compras de forma agressiva, o movimento pode ajudar a restaurar parte da confiança do mercado. Por outro lado, se permanecer inativa ou continuar vendendo, investidores podem começar a questionar um dos principais pilares de demanda estrutural da criptomoeda.

Geoff Kendrick, do Standard Chartered, acredita que a empresa pode voltar a comprar um volume significativamente superior ao que vendeu.

“Quando a Strategy vendeu bitcoin pela última vez, recomprou mais do que havia vendido apenas dois dias depois. Desta vez, suspeito que as compras serão ainda mais agressivas”, afirmou.

Mais adiante, a Wolfe Research destaca que, embora as narrativas tradicionais do bitcoin estejam enfraquecidas, o padrão histórico de quatro anos da criptomoeda — três anos de alta seguidos por um ano de baixa — continua válido.

Segundo Ginsberg, considerando os ciclos anteriores, o bitcoin poderia encontrar um piso abaixo de US$ 40 mil no fim de outubro. “Não vemos motivo para abandonar esse modelo neste momento, especialmente porque as projeções continuam dentro do esperado”, concluiu.

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