Uso de cripto pode ampliar integração financeira internacional e reduzir custos de capital no Brasil.
Especialista vê avanço tecnológico, mas alerta para riscos de excesso de regulação no país.
Blockchain e finanças descentralizadas podem transformar serviços e impulsionar inovação.
As criptomoedas podem desempenhar um papel relevante na integração do Brasil ao sistema financeiro global, ampliando o acesso a capital internacional e reduzindo custos para empresas e investidores, segundo o fundador da Fanation Movies, Tasso Lago. “Eu acredito muito na revolução do sistema financeiro promovida pelo mercado cripto, pela tecnologia blockchain, para integrar os sistemas financeiros mundiais”, afirmou, em entrevista ao Cripto Brasil, programa do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta terça-feira (24).
Segundo Lago, um dos principais desafios do setor no país ainda é a educação financeira dos investidores, já que muitos brasileiros enxergam as criptomoedas como uma aposta de alto risco. “O brasileiro ainda tem a mentalidade de cripto como se fosse uma loteria. Nosso trabalho é transformar esse investidor em alguém mais qualificado”, disse.
Ele destaca que a evolução tecnológica tem contribuído para ampliar o acesso, com plataformas cada vez mais simples e intuitivas. “Hoje você consegue usar blockchain sem saber que está usando. O grande desafio é a experiência do usuário”, afirmou.
O avanço da regulação no Brasil é visto como necessário, especialmente para coibir fraudes, mas também levanta preocupações. “Existem pautas importantes, como combate à lavagem de dinheiro, mas algumas propostas podem ser retrocessos, como restringir a autocustódia”, avaliou.
Na visão do especialista, o País pode estar caminhando na contramão de outras economias. “Os Estados Unidos estão avançando de forma mais agressiva, enquanto o Brasil pode estar burocratizando demais o setor”, apontou.
Reserva de Bitcoin e competitividade
Lago também comentou a discussão sobre a criação de uma reserva estratégica de Bitcoin, destacando que a medida pode aumentar a confiança de investidores estrangeiros. “Isso gera uma percepção de maior segurança econômica e liberdade, o que pode atrair capital internacional”, afirmou.
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Ele lembra que o Brasil enfrenta desafios históricos, como a desvalorização da moeda. “O real se depreciou cerca de 80% nos últimos 10 a 15 anos frente ao dólar”, destacou.
Oportunidades e transformação
Para o especialista, o Brasil já é referência em inovação financeira, com destaque para o Pix, mas ainda há espaço para avançar na integração global. “Hoje existem processos ineficientes para transferências internacionais, e as criptomoedas já estão resolvendo isso.”
Ele aponta ainda que a tecnologia blockchain pode transformar diversos setores, ao permitir modelos descentralizados. “É possível criar soluções como Uber ou Airbnb dentro do ecossistema cripto, sem uma entidade centralizadora”, afirmou.
No longo prazo, Lago vê potencial de transformação estrutural. “A integração financeira global pode reduzir desigualdades e acelerar o crescimento econômico nos próximos 10 a 20 anos”, concluiu.