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Crise na FIFA: em comunicado conjunto, UEFA, Concacaf e AFC pressionam Infantino; Conmebol não se manifesta

Publicado 10/08/2026 • 11:15 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • UEFA, Concacaf e AFC divulgaram uma manifestação conjunta na qual criticam a gestão da FIFA.
  • Confederações afirmam que a administração do futebol deve ser exercida de forma coletiva e com transparência.
  • Para as entidades, a crise não se resume ao projeto de captação de investimentos privados apresentado pela FIFA, mas envolve a relação entre a direção da FIFA e as instituições que integram sua estrutura.

Foto: AFP

A crise envolvendo a FIFA e seu presidente, Gianni Infantino, ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (10). UEFA, Concacaf e AFC divulgaram uma manifestação conjunta na qual criticam a condução da entidade e questionam a forma como decisões recentes foram tomadas.

As três confederações afirmam que a administração do futebol deve ser exercida de forma coletiva e com transparência. Na avaliação delas, a crise não se resume ao projeto de captação de investimentos privados apresentado pela FIFA, mas envolve a relação entre a direção da entidade e as instituições que integram sua estrutura.

A manifestação foi divulgada após a FIFA enviar uma carta às 211 associações nacionais que integram a organização. Segundo as confederações, o documento apresentado pela entidade tratou os problemas relacionados ao projeto FIFA Forward Enterprise como uma questão de comunicação, enquanto elas consideram que houve uma falha na condução e na avaliação da proposta.

Leia também: FIFA reage a pressão contra Gianni Infantino e defende mandato do presidente

Projeto previa participação de investidores privados

O episódio que desencadeou a crise veio à tona no fim de julho, quando foi revelado um plano da FIFA para criar uma estrutura capaz de receber investimentos privados. A proposta previa a transferência de uma participação de 20% nos direitos comerciais da Copa do Mundo para uma subsidiária vinculada à própria entidade.

O objetivo era captar recursos com investidores, mas o projeto não conseguiu apoio suficiente entre as confederações e acabou sendo abandonado.

Depois da retirada da proposta, a FIFA reconheceu que houve problemas no processo de tomada de decisão. Em uma reunião realizada no Marrocos na semana passada, a direção da entidade declarou apoio a Infantino e admitiu que o processo deveria ter envolvido de maneira diferente o Conselho da FIFA e as associações nacionais.

UEFA, Concacaf e AFC consideram insuficiente essa explicação. Para elas, a proposta foi apresentada em um período curto e sem consulta adequada às entidades que teriam de avaliar seus efeitos.

Reunião no Marrocos também é alvo de críticas

As confederações também questionaram a reunião realizada no Marrocos. Segundo elas, o encontro contou com participação restrita de integrantes da administração da FIFA e não incluiu representantes do Conselho da entidade ou das associações nacionais.

Na avaliação das três organizações, a forma como a reunião foi conduzida reforça as dúvidas sobre o modelo de governança adotado pela atual direção.

As entidades defendem que uma eventual apuração sobre o episódio seja conduzida por uma instância independente. A FIFA, por sua vez, informou que pretende apresentar ao próprio Conselho um relatório sobre o processo que levou à elaboração do projeto.

Divisão entre as confederações

A manifestação também evidencia uma divisão entre as seis confederações continentais. CAF, da África, e Conmebol, da América do Sul, não participaram do documento divulgado nesta segunda-feira. A OFC, da Oceania, também não assinou a declaração.

A FIFA destacou anteriormente o apoio recebido da CAF e da Conmebol. A entidade afirmou que há uma tentativa coordenada de enfraquecer sua administração e seu presidente.

A divisão ocorre meses antes da eleição presidencial da FIFA. Infantino é, até o momento, o único candidato declarado para a disputa, prevista para março. Para permanecer no cargo, ele precisa obter a maioria dos votos das 211 associações filiadas.

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Leia também: Entrada de capital privado na FIFA gera debate sobre futuro da gestão do futebol

UEFA mantém pressão sobre a entidade

A UEFA tem adotado a posição mais dura entre as confederações que se opõem à condução de Infantino. A entidade europeia chegou a levantar a possibilidade de um boicote às próximas edições da Copa do Mundo caso as medidas adotadas pela FIFA não sejam consideradas suficientes.

O conflito, segundo as confederações signatárias, não envolve apenas questões financeiras. Elas defendem que os recursos acumulados pela FIFA sejam distribuídos de forma responsável para ampliar investimentos nas federações nacionais.

As três organizações também afirmam que não pretendem rever decisões já tomadas coletivamente, como a expansão das competições ou a definição das sedes das Copas do Mundo de 2030 e 2034. O foco, segundo elas, está nos mecanismos de tomada de decisão e na relação entre a direção da FIFA e suas instituições membros.

Novas alegações aumentam tensão

A crise também passou a envolver alegações relacionadas ao período em que Infantino ocupava o cargo de secretário-geral da UEFA, entre 2009 e 2016.

O jornal britânico Telegraph publicou informações segundo as quais Infantino teria usado sua posição para favorecer profissionalmente uma funcionária com quem mantinha um relacionamento. A publicação afirmou que, após deixar a UEFA, a funcionária recebeu uma indenização de valor elevado e teve despesas de um curso de MBA custeadas pela entidade.

A UEFA confirmou que houve um pagamento e o financiamento do programa de estudos, mas as informações publicadas pelo jornal não estabelecem, por si só, que os benefícios tenham resultado de uma intervenção irregular de Infantino.

O episódio acrescentou uma nova frente de questionamentos em um momento em que o presidente da FIFA enfrenta oposição de parte das confederações continentais.

Leia também: FIFA desiste de plano para vender participação após resistência de federações

Disputa envolve modelo de liderança

A declaração conjunta de UEFA, Concacaf e AFC procura deslocar o centro do debate do projeto financeiro para uma discussão mais ampla sobre a administração do futebol internacional.

As confederações sustentam que decisões envolvendo recursos, competições e estrutura comercial da FIFA devem passar por processos de consulta e supervisão considerados adequados pelas entidades filiadas.

Do outro lado, a FIFA afirma que houve erros no processo, mas mantém o apoio à permanência de Infantino e rejeita o que classifica como uma tentativa organizada de enfraquecer sua direção.

O confronto deve continuar nos próximos meses, especialmente à medida que se aproxima a eleição presidencial da FIFA. A posição de CAF e Conmebol será relevante para definir o equilíbrio político dentro da entidade e o cenário para a disputa pelo comando do futebol mundial.

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