Richard Teng lamentou o ataque hacker de US$ 6,3 bilhões e afirmou que a Binance assumirá integralmente a responsabilidade pelas perdas.
A invasão teria começado pelo notebook de um funcionário, permitindo que criminosos retirassem bilhões de dólares em apenas 20 minutos.
A Binance recompôs mais de 95% das moedas afetadas, mas enfrentou uma saída líquida de quase US$ 5 bilhões após a retomada dos saques.
O co-CEO da Binance, Richard Teng, lamentou o ataque hacker que resultou no roubo de US$ 6,3 bilhões, cerca de R$ 34 bilhões, e afirmou que a corretora assumirá integralmente a responsabilidade pelo incidente. Durante entrevista exclusiva à CNBC, o executivo reforçou o compromisso de ressarcir os prejuízos e garantir a segurança dos recursos dos clientes.
“Lamentamos que esse incidente tenha acontecido e assumimos total responsabilidade por isso”, afirmou Teng.
O ataque ocorreu na noite de 29 de outubro de 2026 e é considerado o maior roubo já registrado no mercado de criptomoedas. A invasão comprometeu sistemas internos da Binance, maior corretora de ativos digitais do mundo, e provocou a suspensão temporária de operações e saques.
Invasão começou pelo computador de um funcionário
As investigações preliminares indicam que os criminosos conseguiram acessar os sistemas da Binance após invadir o notebook de um engenheiro de DevOps, profissional que trabalha com a infraestrutura tecnológica da empresa.
A partir desse acesso, os invasores alcançaram ambientes internos responsáveis pela execução de serviços da corretora. Em seguida, realizaram retiradas de valores armazenados em hot wallets, carteiras digitais conectadas à internet e utilizadas para movimentar criptomoedas.
A operação criminosa durou aproximadamente 20 minutos.
De acordo com especialistas em segurança digital, o ataque explorou uma vulnerabilidade nos mecanismos de proteção da própria companhia, sem comprometer a tecnologia blockchain utilizada para registrar transações com ativos digitais.
FBI aponta envolvimento de grupo ligado à Coreia do Norte
O FBI, agência federal de investigação dos Estados Unidos, e empresas especializadas em análise de transações com criptomoedas atribuíram a autoria do ataque ao grupo TraderTraitor.
A organização é apontada como uma estrutura de cibercriminosos patrocinada pelo governo da Coreia do Norte e frequentemente associada ao Lazarus Group.
O governo norte-coreano, por sua vez, negou qualquer participação no roubo por meio de comunicados oficiais.
O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, também comentou o episódio e declarou a jornalistas que ainda existiam dúvidas sobre a responsabilidade da Coreia do Norte pela invasão.
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Corretora aciona fundo de emergência para ressarcir clientes
Para cobrir as perdas, a Binance utilizou recursos do próprio caixa e acionou o SAFU (Secure Asset Fund for Users), fundo de emergência criado para proteger os usuários em situações extraordinárias.
Com essas medidas, a empresa conseguiu recompor mais de 95% das moedas afetadas em poucos dias. A corretora também contou com a colaboração de companhias emissoras de criptomoedas centralizadas, como Tether e Circle, que participaram de uma força-tarefa para impedir a movimentação dos recursos roubados.
A operação resultou no congelamento de aproximadamente US$ 3 bilhões, bloqueando o acesso dos criminosos a parte dos ativos desviados.
Teng justifica bloqueio de saques e diferencia crise da Binance do caso FTX
Durante a entrevista, Richard Teng foi questionado sobre a decisão de suspender temporariamente as retiradas de recursos da plataforma, medida que provocou preocupação entre investidores.
O executivo explicou que a interrupção foi necessária para impedir que os responsáveis pelo ataque continuassem movimentando valores enquanto a companhia trabalhava para conter a invasão. Segundo ele, os saques já haviam sido liberados, mas passaram a depender de procedimentos adicionais de segurança, incluindo a verificação da identidade dos clientes.
Teng também respondeu a questionamentos sobre as semelhanças entre o episódio e o colapso da FTX, corretora de criptomoedas que enfrentou uma crise anos antes. Ao ser perguntado por que o mercado deveria confiar nas garantias apresentadas pela Binance, o co-CEO argumentou que as situações têm origens diferentes.
Ele destacou que o caso da FTX envolveu fraude, que levou à condenação e prisão de seu principal executivo. Na Binance, segundo Teng, as perdas decorreram de um ataque cibernético contra a infraestrutura da companhia.
Retomada das operações gera saída de quase US$ 5 bilhões
A Binance começou a restabelecer parcialmente seus serviços no domingo, 1º de novembro, depois da suspensão das operações provocada pela invasão. Com a reabertura, investidores realizaram retiradas expressivas, resultando em uma saída líquida de quase US$ 5 bilhões da plataforma.
Apesar do volume, analistas de mercado destacaram que o montante representava menos de 3% das reservas totais da corretora, proporção que contribuiu para evitar uma crise de liquidez.
O impacto também chegou ao mercado de criptomoedas. O Bitcoin apresentou uma queda inicial de 5% após a divulgação do roubo, mas registrou sinais de recuperação posteriormente. Enquanto as investigações sobre os responsáveis pela invasão continuam, a Binance mantém o processo de normalização das operações e de recomposição dos recursos afetados.
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