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DECISÃO 2026: Fake news podem exigir multas maiores, mas censura prévia preocupa, diz cientista político

Publicado 12/10/2026 • 14:30 | Atualizado há 42 minutos

KEY POINTS

  • Advogado defende responsabilização posterior por notícias falsas e alerta para os limites das decisões judiciais sobre publicações eleitorais.
  • Caso envolvendo Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida expõe a diferença entre uma opinião política e uma informação deliberadamente falsa.
  • Avanço da inteligência artificial pressiona a Justiça Eleitoral a adaptar regras sem restringir indevidamente a liberdade de expressão.

A aplicação de multas mais elevadas e indenizações pode desestimular a disseminação de notícias falsas nas eleições, desde que não abra caminho para censura prévia, avaliou Arthur Bezerra de Souza Júnior, advogado e cientista político, em entrevista nesta segunda-feira (12) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

“De repente, multas mais consideráveis, outras penalidades administrativas e cíveis, como indenizações, poderiam ser pensadas”, sugeriu o entrevistado, ao defender a responsabilização posterior por abusos no exercício da liberdade de expressão.

Para Bezerra, a retirada de uma publicação não necessariamente desfaz o prejuízo provocado por sua circulação. “Ela já trouxe uma atitude danosa para o candidato”, observou, ao comentar o alcance de conteúdos falsos nas redes sociais.

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O limite entre crítica e desinformação

O debate ganhou força após decisão da Justiça Eleitoral que manteve a remoção de publicações associando Flávio Bolsonaro à suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. O episódio levantou dúvidas sobre os critérios para determinar a exclusão de conteúdos.

“A fake news se diferencia de uma notícia equivocada a partir do momento que você tem a intenção de causar prejuízo a um adversário ou outra pessoa. É a questão da fraude envolvida”, explicou o advogado.

Bezerra defendeu a preservação de opiniões e informações apuradas, ainda que desagradem a candidatos. “Opiniões divergentes, apuradas e que de repente não satisfazem um dos lados, a gente não pode considerar como uma afronta à liberdade de expressão”, afirmou.

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Justiça, ética e novas tecnologias

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O cientista político lembrou que a legislação eleitoral e as resoluções do TSE já oferecem instrumentos para combater propaganda abusiva e desinformação. “O grande passo seria uma construção mais ética daqueles que estão no pleito eleitoral”, avaliou.

Na análise do entrevistado, a velocidade das inovações digitais supera o ritmo do processo legislativo. Por isso, a Justiça Eleitoral tenta responder a problemas que ainda não foram inteiramente contemplados pelas leis.

“Hoje realmente a praça de discussão, a praça de disputa política, já não é mais física. Hoje ela é digital”, destacou, ao explicar por que o Judiciário busca se adaptar às novas formas de campanha.

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O risco de censura prévia

Mesmo reconhecendo o esforço dos tribunais, Bezerra alertou para os efeitos de uma regulação excessiva. “A gente não pode cair no erro de regular demais e ingressarmos numa circunstância de censura prévia, algo que a própria Constituição proíbe”, advertiu.

A dificuldade, segundo ele, está em estabelecer quem deve definir os limites do debate. “O problema é quem tem o poder de decidir o que é liberdade de expressão e o que é o abuso desse direito”, questionou.

Para as próximas eleições, o advogado vê espaço para aperfeiçoar a responsabilização posterior por condutas comprovadamente abusivas, mas sem tratar toda crítica política como fraude. “É uma linha muito tênue”, concluiu.

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