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DECISÃO 2026: Queda de abstenção e de votos nulos põe milhões de eleitores na virada de Lula, diz Vinícius Torres Freire

Publicado 26/10/2026 • 08:16 | Atualizado há 47 minutos

KEY POINTS

  • Abstenção caiu de 21% para 19% no segundo turno, o que representa mais de 2 milhões de votos, calcula Vinícius Torres Freire
  • Votos brancos e nulos recuaram 1,7 ponto percentual e, somados à abstenção, trouxeram de 4 a 5 milhões de votos ao segundo turno
  • Militância de rua e campanha digital agressiva marcaram a virada de Lula em todos os estados, exceto Tocantins

A queda inédita da abstenção e dos votos brancos e nulos levou milhões de eleitores ao segundo turno e ajuda a explicar a virada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), avaliou o analista Vinícius Torres Freire, durante o especial Decisão 2026, exibido no domingo (25) no Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

“Teve uma queda grande da abstenção, dois pontos percentuais, de 21 pontos para 19. Isso dá milhões de votos, isso dá mais de 2 milhões de votos”, afirma, em primeiras contas feitas durante a conversa.

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Queda da abstenção e dos votos inválidos

Os votos inválidos, que reúnem brancos e nulos, caíram 1,7 ponto percentual. “Juntando aí, você tem quase 4 a 5 milhões de votos que entraram no segundo turno”, diz Torres Freire.

Para ele, a redução é de grande porte. “Isso é uma queda inédita, isso é uma queda enorme, era uma queda inesperada”, afirma, e pergunta o que houve de diferente nos últimos dias de campanha.

Fatores inéditos na virada de Lula

“São quatro fatores inéditos”, resume Torres Freire. Primeiro, eleições presidenciais anteriores não tiveram viradas. “Ninguém mais esperava essa virada, porque, primeiro, não houve viradas em eleições presidenciais, nunca.”

Segundo, as pesquisas desde 2018 indicavam que a direita chegava ao fim da corrida com mais votos do que parecia ter. Terceiro, a direita não superou as pesquisas desta vez. Quarto, a abstenção e os votos inválidos caíram muito.

“Tudo foi ao contrário do esperado”, afirma. O padrão desde 2018, lembra, era de pouca mudança na abstenção e no voto inválido, e de a direita ter mais votos do que as últimas pesquisas mostravam em todas as eleições, até o primeiro turno deste ano.

Campanha de Lula reage ao choque

Na avaliação de Torres Freire, a campanha de Lula “foi apática, perdida, e achando que ia para a volta olímpica facilmente”. Em seguida, afirma, levou um choque de realidade.

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As causas, ressalva, ainda dependem de especulação. “A gente vai especular muito e teria que ver votos cidade a cidade, mas o que a gente sabe é que muita gente foi votar.”

Militância de rua e campanha digital

Nas últimas semanas, segundo ele, houve uma militância gigantesca de petistas, simpatizantes e antibolsonaristas, “não sei bem em qual proporção”, que foi às ruas em centenas de cidades. O fenômeno, observa, passou despercebido, mas era evidente nas redes.

Os militantes foram além das manifestações, diz Torres Freire, e passaram a trabalhar para converter votos.

Ele destaca ainda a campanha digital. “Teve uma coisa inédita em campanha de esquerda, especialmente na petista, que foi uma grande campanha digital agressiva e enorme”, afirma. O chamado Exército do Lula, conduzido pelo deputado André Janones, reuniu quase 11 milhões de pessoas em seu canal, segundo o entrevistado.

O estreitamento da margem nas pesquisas e a militância digital já eram visíveis, afirma, mas o padrão histórico tornava difícil acreditar na virada. “Tudo isso virou do avesso, e o fenômeno que a gente viu de mais importante foi militância na rua e política digital.”

Virada em todos os estados, exceto Tocantins

“Foi uma virada muito grande em todos os estados, menos Tocantins”, diz Torres Freire. Em Goiás, segundo ele, Lula teve “14 pontos percentuais a mais” do que no primeiro turno.

Em Sergipe, no Espírito Santo e em São Paulo, a alta passou de 7 pontos percentuais. Em Pernambuco e em Minas Gerais, estado que ele considera decisivo, o aumento foi de 7 pontos.

Em Tocantins, a única exceção, Lula perdeu votos em relação ao primeiro turno, segundo o entrevistado.

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