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EXCLUSIVO CNBC: Segundo maior investidor da SpaceX, Antonio Gracias vai manter participação na companhia após IPO histórico

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Ações do setor espacial nos Estados Unidos caem após estreia da SpaceX; entenda o que muda na indústria

Publicado 12/06/2026 • 21:29 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • A SpaceX passou a ser vista pelo mercado como uma plataforma de infraestrutura, conectividade, defesa, dados e inteligência artificial, o que elevou as exigências para as concorrentes em termos de receita recorrente, rentabilidade e geração de caixa.
  • O IPO deve acelerar a consolidação da indústria espacial e favorecer empresas com nichos bem definidos.
  • Especialistas também prevê a ampliação da capacidade da SpaceX de investir em satélites, inteligência artificial, telecomunicações e infraestrutura espacial.
SpaceX

Foto: SpaceX

A estreia da SpaceX na Nasdaq, marcada por uma valorização de cerca de 20% no primeiro dia de negociações, provocou um efeito imediato sobre outras empresas ligadas à economia espacial. Enquanto a companhia de Elon Musk concentrava a atenção dos investidores, diversas ações do setor registraram perdas, em um movimento que especialistas atribuem principalmente à migração de capital para o novo ativo.

Nesta ​sexta-feira (12), as ações da Rocket Lab e da Planet Labs caíram cerca de 8% cada, enquanto a Intuitive Machines despencou 11%. A AST SpaceMobile, uma rival muito menor do negócio de satélites Starlink da SpaceX, recuou mais de 12%.

A empresa aeroespacial e ‌de viagens espaciais Virgin Galactic afundava cerca ​de 28%. As ações, com um código semelhante ao da SpaceX, “SPCX”, subiram mais de 20% na quinta-feira, com alguns apontando para um impulso de investidores que as ⁠confundiram com as da ​SpaceX.

Os fundos negociados ​em bolsa com foco espacial Procure Space ETF, Ark Space & Defense Innovation ETF e ⁠Roundhill Space and Technology ETF caíam ​entre 1% e 6%.

Para Gustavo Assis, CEO da Asset Bank, a queda observada entre concorrentes menores não reflete uma deterioração dos fundamentos da indústria, mas sim uma reorganização das carteiras dos investidores.

“Muitos investidores reduziram posição em empresas menores para direcionar recursos para a SpaceX, que passou a ser o principal ativo de referência da indústria espacial”, afirma.

Ele destaca que a chegada da empresa ao mercado também elevou o nível de exigência para todo o segmento. Com valor de mercado superior a US$ 1,7 trilhão, a SpaceX estreou com múltiplos considerados elevados para os padrões tradicionais.

Segundo Assis, isso aumenta a cautela dos investidores em relação às demais companhias do setor, que agora precisarão demonstrar capacidade de crescimento e geração de caixa compatíveis com as expectativas criadas pela operação.

Na avaliação de Cássio Viana de Jesus, diretor de investimentos da Pilar Capital, o impacto da estreia vai além do tamanho da oferta. Para ele, o mercado passou a enxergar a SpaceX sob uma ótica muito mais ampla do que a de uma fabricante de foguetes.

“O mercado passa a precificar a SpaceX não apenas como uma empresa de foguetes, mas como uma plataforma global de infraestrutura, conectividade, defesa, dados e inteligência artificial”, afirma.

Essa mudança de percepção também altera os critérios de avaliação para as concorrentes. De acordo com Viana, a correção nas ações de empresas menores ocorreu, em grande parte, por fluxo financeiro, mas existe um componente estrutural mais relevante.

“Daqui para frente, empresas espaciais terão de provar receita recorrente, margem, contratos firmes e menor dependência de capital externo”, diz.

Parte importante dessa tese está associada à Starlink, braço de internet via satélite da SpaceX. Para o executivo da Pilar Capital, é justamente a operação de telecomunicações que diferencia a companhia de outras empresas do setor.

O sucesso do IPO também pode acelerar um processo de consolidação na indústria espacial. Segundo Assis, a empresa agora conta com uma capacidade ainda maior de levantar recursos para investir em satélites, inteligência artificial, sistemas de lançamento e infraestrutura espacial.

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“A tendência é de consolidação do mercado. Empresas menores precisarão se especializar em nichos específicos ou buscar parcerias estratégicas para competir”, avalia.

Além do impacto sobre concorrentes diretas, a abertura de capital da SpaceX também pode produzir efeitos dentro do próprio ecossistema de Elon Musk. A Tesla, por exemplo, deixa de ser a principal porta de entrada para investidores interessados nos negócios do empresário.

“Parte dos investidores que buscavam exposição às empresas do empresário passa a ter acesso direto à SpaceX, o que pode reduzir um pouco o prêmio implícito que algumas empresas recebiam por estarem associadas à sua imagem”, afirma Assis.

Viana vê uma situação semelhante. Segundo ele, a SpaceX pode dividir parte do valor que antes era concentrado na Tesla, embora exista uma perspectiva de integração entre os diferentes negócios controlados por Musk.

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