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Açúcar tem maior alta mensal desde 2010 na bolsa de Nova York
Publicado 07/09/2026 • 13:31 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 07/09/2026 • 13:31 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
O preço do açúcar disparou 21,5% em agosto na bolsa de Nova York, o maior ganho mensal desde outubro de 2010, quando a alta havia sido de 24%. O índice de preços de alimentos da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura também subiu no mês, em meio a aumentos generalizados liderados justamente pelo açúcar.
O analista de mercado de açúcar e etanol Maurício Muruci, da Safras & Mercado, afirmou que a alta tem múltiplos motores e deve continuar ao longo do segundo semestre. Segundo ele, considerando o intervalo entre o início e o fim de agosto, a valorização do açúcar bruto negociado em Nova York teria chegado a 30%, patamar que, na avaliação do analista, ainda não representa o fim do movimento de alta.
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Muruci destacou que o El Niño segue como fator de risco climático relevante, elevando os prêmios de exportação nos portos de origens como Brasil, Tailândia e Índia. Segundo dados da Agência Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos citados pelo analista, o fenômeno deve atingir seu pico de intensidade entre outubro de 2026 e janeiro de 2027, o que significa que os impactos observados desde maio ainda devem se intensificar.
Outro fator citado pelo analista foi o declínio da safra de cana no Centro-Sul do Brasil, que entra na reta final a partir de setembro, reduzindo progressivamente a disponibilidade de matéria-prima para colheita. Segundo Muru, chuvas fora de época provocadas pelo El Niño devem desacelerar ainda mais a colheita neste mês, reduzindo a oferta de açúcar disponível.
O analista também apontou demanda aquecida pelo etanol hidratado nas bombas de combustível no Brasil, com vendas que teriam superado 1,9 bilhão de litros segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, volume considerado alto pelo especialista na comparação com os últimos anos. O aumento nas vendas de gasolina também teria puxado a demanda por etanol anidro, que tem maior percentual de mistura ao combustível fóssil.
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Siga o Times | CNBCA alta do petróleo influencia o preço do açúcar por duas vias, segundo Muruci. A primeira ocorre porque o combustível mais caro torna o etanol hidratado mais competitivo, direcionando cana para a produção de etanol em vez de açúcar. A segunda decorre do peso do petróleo no índice CRB, referência de commodities negociadas em Nova York, do qual o petróleo responderia por cerca de 30% da composição, atraindo fundos de investimento e especuladores para contratos futuros de commodities em geral, incluindo o açúcar.
Brasil, Índia e Tailândia respondem juntos por cerca de 70% da produção e das exportações globais de açúcar, segundo o analista. Muru afirmou que os três países já caminham para a reta final da colheita, mas o maior impacto do El Niño sobre a produção ainda estaria por vir.
No Brasil, a safra atual deve terminar de forma antecipada, entre um e dois meses conforme a região, e a próxima safra deve começar com atraso de cerca de um mês e meio, em abril do ano que vem, segundo o analista. Na União Europeia, a quebra estimada inicialmente em 1 milhão de toneladas já teria sido revisada para mais de 3 milhões de toneladas, segundo o escritório de mercado de açúcar do bloco.
Muru afirmou que a Índia, a Tailândia e a China ainda não divulgaram estimativas oficiais de quebra de safra, o que considerou incomum diante dos impactos já observados do El Niño. Ainda assim, a Safras & Mercado projeta quebras de 15 milhões de toneladas na China, 25 milhões na Tailândia e 3 milhões na Índia. Somando Brasil, União Europeia, China, Tailândia e Índia, o analista estimou frustração de produção entre 15 e 18 milhões de toneladas de açúcar.
Questionado sobre o impacto no bolso do consumidor brasileiro, Muruci afirmou que o cenário é de pressão inflacionária, já que o açúcar entra na composição de praticamente toda a alimentação e bebida industrializada produzida no país. Segundo ele, a tendência é de queda nas exportações brasileiras e de reação em cadeia de alta nos preços para o consumidor final.
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