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Agro

Conheça Mariangela Hungria, a cientista que recebeu o “Nobel da Agricultura”

Publicado 23/02/2026 • 12:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Hungria entra para a história como a primeira brasileira a conquistar o World Food Prize, conhecido como o “Nobel da Agricultura”.
  • O prêmio reconheceu que o uso de microrganismos é capaz de substituir fertilizantes químicos, reduzindo custos de produção e impactos ambientais.
  • Entre os principais focos de suas pesquisas estão os chamados inoculantes, também conhecidos como biofertilizantes.

Foto: Luciano Pascoal/Arquivo Embrapa Soja

Entre os principais focos de suas pesquisas estão os chamados inoculantes, também conhecidos como biofertilizantes.

Mariangela Hungria tinha só oito anos quando decidiu que queria seguir a carreira científica. O impulso veio da avó, professora de Ciências, que alimentava sua curiosidade com livros e experiências simples feitas no quintal de casa. Entre todos os presentes, o que mais a marcou foi o livro Caçadores de Micróbios, de Paul de Kruif. “Foi ela quem acendeu em mim essa paixão pela ciência. Sempre dizia que eu poderia ser o que quisesse”, recorda, em entrevista ao Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).

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Anos mais tarde, Hungria entraria para a história como a primeira brasileira a conquistar o World Food Prize, conhecido como o “Nobel da Agricultura”. O prêmio reconheceu mais de quatro décadas de trabalho dedicadas a uma área que transformou a agricultura nacional: o uso de microrganismos capazes de substituir fertilizantes químicos, reduzindo custos de produção e impactos ambientais.

Sustentabilidade é o foco

Em termos práticos, a cientista demonstrou que os fertilizantes biológicos podem cumprir a mesma função dos sintéticos, porém com maior eficiência e sustentabilidade. Ela explica que, assim como os seres humanos, as plantas necessitam de nutrientes — e o nitrogênio é um dos principais. Para fabricar o fertilizante químico nitrogenado, é preciso romper a molécula presente no ar sob altas temperaturas e pressão, processo que demanda grande consumo de energia derivada do petróleo e gera emissão de gases de efeito estufa.

Além de oneroso e poluente, o nitrogênio sintético não é totalmente absorvido pelas plantas: cerca de 50% se dispersa no ambiente. Parte é levada pela chuva e infiltra-se no solo, alcançando lençóis freáticos, rios e lagos, onde pode provocar desequilíbrios ambientais. Segundo Hungria, esse fenômeno de lixiviação reduz o oxigênio da água e pode causar a morte de peixes.

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Já o fertilizante biológico, destaca a pesquisadora, resulta de milhões de anos de evolução natural. Certas bactérias conseguem captar o nitrogênio diretamente do ar e disponibilizá-lo às plantas de maneira precisa, sem recorrer a combustíveis fósseis nem contaminar solos e recursos hídricos.

Biofertilizantes e bioinsumos

Entre os principais focos de suas pesquisas estão os chamados inoculantes, também conhecidos como biofertilizantes. Compostos por bactérias benéficas, eles são aplicados às sementes e se associam às raízes, garantindo o fornecimento adequado de nutrientes. Hungria afirma que foi possível desenvolver uma enzima capaz de capturar o nitrogênio atmosférico e entregá-lo diretamente às plantas. Algo que, no modelo químico, exigiria grande quantidade de petróleo. Desde 1982, ela atua na Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).

Com o avanço dessas tecnologias, o Brasil tornou-se referência global no uso de bioinsumos agrícolas. Na cultura da soja, por exemplo, os produtores deixaram de desembolsar cerca de 25 bilhões de dólares em fertilizantes importados apenas na última safra. Do ponto de vista climático, os ganhos também são expressivos: cada quilo de nitrogênio químico produzido emite aproximadamente 10 quilos de CO₂. Ao optar pelos biológicos na soja, estima-se que 250 milhões de toneladas de CO₂ deixaram de ser lançadas na atmosfera em uma única safra.

Presença feminina no agro

Ela conta que receber o World Food Prize foi inesperado: “Jamais imaginei ganhar esse prêmio”. O reconhecimento e a presença feminina na ciência sempre foram temas marcantes em sua trajetória. Incentivada pela avó, enfrentou, no entanto, resistências dentro da própria família.

Sua mãe, apesar de professora e instruída, reproduzia expectativas típicas da época. Ao irmão mais velho eram atribuídas profissões como médico ou piloto; a ela, sugeriam-se papéis como enfermeira ou aeromoça: “Eu perguntava por que não poderia ser médica ou piloto”, relembra.

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Infância e início dos estudos

Nascida na cidade de São Paulo, Hungria passou a infância em Itapetininga e retornou à capital aos dez anos, onde estudou com bolsa em um colégio de elite. Mesmo ali, encontrou resistência ao optar pela agronomia, carreira então associada majoritariamente aos homens. Quando anunciou a escolha, a escola chegou a chamar sua mãe para questionar a decisão, sugerindo que medicina seria um caminho mais “adequado”. Apesar da pressão, ela seguiu firme.

Após concluir graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado, incluindo períodos em universidades estrangeiras, e dedicar mais de 40 anos à pesquisa na Embrapa, especialmente com a cultura da soja, Hungria foi laureada na edição de 2025 do World Food Prize, reconhecimento por sua contribuição ao desenvolvimento de insumos biológicos.

Para a cientista, a premiação tem caráter coletivo. Ela divide o mérito com colegas, estudantes e técnicos que enfrentaram décadas de desconfiança quanto aos bioinsumos. Ainda assim, faz questão de dedicar a conquista às mulheres.

Na sua visão, elas desempenham papel central na segurança alimentar, talvez até mais decisivo que o dos homens. O reconhecimento, afirma, deve alcançar desde as mulheres que cultivam hortas domésticas e dominam o uso de plantas medicinais até agrônomas e pesquisadoras que atuam nos laboratórios.

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