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Ferrogrão: levantamento projeta redução de R$ 112,1 milhões em custos logísticos do agro
Publicado 20/07/2026 • 21:24 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 20/07/2026 • 21:24 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Ministério dos Transportes
A implantação da Ferrogrão, projeto de ferrovia que pretende ligar a região produtora de Sinop (MT) ao terminal de Miritituba (PA), pode reduzir em R$ 112,1 milhões o custo logístico do escoamento de grãos. Segundo simulação realizada por pesquisadores do Centro Universitário FEI, o resultado representaria uma queda de 3,95%, de R$ 2,837 bilhões para R$ 2,725 bilhões.
O levantamento projeta que o novo corredor ferroviário mudaria a divisão das cargas entre as rotas que levam aos portos de Santos (SP) e de Barcarena (PA). No cenário simulado, o terminal paraense aumentaria sua participação de 6,38% para 34,48% do volume movimentado, aproximando-se dos 36,30% destinados a Santos.
A pesquisa é um projeto de graduação em Engenharia de Produção desenvolvido pelo estudante Gabriel Espósito Ferreira, sob orientação da professora Nathalia Zambuzi. O modelo avaliou a viabilidade financeira e logística de diferentes rotas para o transporte de grãos do Centro-Oeste após a entrada em operação da Ferrogrão.
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A principal mudança projetada pelo estudo seria uma redução de 43,7% no transporte rodoviário direto em direção ao Arco Norte. Aproximadamente 450 mil toneladas de grãos migrariam para um corredor que combina ferrovia e hidrovia.
Nesse modelo, a carga seguiria de trem entre Sinop, no norte de Mato Grosso, e Miritituba, distrito de Itaituba, no Pará. Depois, os grãos seriam transportados por barcaças até Barcarena, onde embarcariam para exportação.
A substituição dos caminhões em parte das viagens de longa distância produziria uma economia estimada entre R$ 40,09 e R$ 97,11 por tonelada para municípios produtores do norte de Mato Grosso. A variação depende da localização da produção e da rota que seria substituída.
Apesar do avanço do corredor paraense, o estudo não aponta para um esvaziamento do Porto de Santos. A avaliação é de que a Ferrogrão redistribuiria a competitividade entre as rotas de exportação.
Barcarena passaria a ter maior capacidade de atrair os grãos produzidos nas áreas mais ao norte do Centro-Oeste, enquanto Santos permaneceria relevante para cargas cuja saída pelo eixo Centro-Sul ainda fosse economicamente mais vantajosa.
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Siga o Times | CNBCSegundo a professora Nathalia Zambuzi, o resultado “não permite dizer que Santos ‘perde’ relevância”. No cenário calculado, o porto paulista continuaria com a maior participação individual, embora praticamente empatado com Barcarena.
Os pesquisadores ressaltam que a ferrovia, isoladamente, não seria suficiente para produzir os ganhos calculados.
A operação exigiria investimentos em armazenagem nas regiões produtoras, acessos rodoviários aos terminais, capacidade de carregamento em Sinop, estruturas de transbordo em Itaituba, frota de barcaças e ampliação da capacidade de recebimento e embarque em Barcarena.
A melhoria da armazenagem também seria necessária para distribuir o transporte ao longo do ano, reduzindo a concentração de cargas nos períodos de safra. Sem essa integração, o risco seria “apenas deslocar o gargalo de um ponto da rede para outro”, segundo Ferreira.
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Como a Ferrogrão ainda não está em operação, os custos ferroviários, as capacidades dos terminais e a configuração dos fluxos foram definidos como parâmetros teóricos dentro do modelo matemático.
Assim, a economia de R$ 112,1 milhões representa o resultado de um cenário simulado para a malha estudada. O valor efetivo dependeria, entre outros fatores, das tarifas cobradas, da capacidade instalada, do volume de cargas, dos investimentos complementares e das condições operacionais do corredor.
A Ferrogrão, oficialmente denominada EF-170, integra o projeto de expansão do corredor de exportação pelo Arco Norte. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) estima investimentos de R$ 25,2 bilhões ao longo de uma concessão de 69 anos, incluindo a construção e os aportes recorrentes na malha.
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