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Guerra no Oriente Médio pressiona agronegócio brasileiro
Publicado 03/04/2026 • 11:55 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 03/04/2026 • 11:55 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A escalada da guerra no Oriente Médio está pressionando diretamente o agronegócio brasileiro com a alta nos custos de insumos essenciais, disse Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Ele destacou que as medidas de subsídio ao diesel anunciadas pelo governo federal funcionam apenas como um remédio temporário para o setor: “Esse é um paliativo que tem ali como alguns pressupostos um aumento limitado no preço dos combustíveis no mercado internacional e uma duração não muito longa do conflito. Você está transferindo um choque que é de preços para um choque fiscal em uma situação já desconfortável”.
Sobre o impacto na inflação, o especialista alertou que o consumidor sentirá o peso nos alimentos ao longo de 2026 devido a custos logísticos. “O preço do combustível vai ser sentido primeiro na distribuição para fazer esse alimento chegar até o mercado consumidor, demandando frete rodoviário. No Hemisfério Norte, eles foram atropelados pela guerra no momento do plantio, o que faz o preço da commodity operar em patamares elevados globalmente”, explicou.
A preocupação com o clima também se soma às incertezas geopolíticas, aumentando o risco de quebras de produção em regiões estratégicas do país. “O quarto ponto é a chegada do El Niño, que leva a uma escassez hídrica no Cerrado e volume acima da média no Sul. São quatro grandes fatores que podem pressionar o preço de alimentos ao longo de 2026, sendo a alta de combustíveis apenas o primeiro deles”, pontuou.
Para produtos de ciclo curto e culturas permanentes, a dependência de fertilizantes importados, que podem custar milhões de dólares, gera um impacto imediato no bolso. “Culturas como café, laranja e a parte de verduras e legumes precisam de fertilizante com uma frequência maior. Para o produtor é muito ruim porque ele tem dificuldades para escapar disso, enquanto o consumidor consegue mudar e procurar outros substitutos”.
Por fim, o pesquisador recomendou cautela aos produtores brasileiros que ainda não iniciaram a compra de insumos para as próximas etapas da safra. “Quem não precisa comprar agora, fica mais prudente e aguarda para ver se a intensidade dessa tempestade fica mais amena. Comprar o fertilizante no meio da tempestade é se expor ao risco, e para quem não precisa, deveria naturalmente evitar”.
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