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Agro

Mercado de leite no Brasil deve passar por ajuste e reequilíbrio em 2026

Publicado 22/02/2026 • 16:12 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Mercado de leite no Brasil entra em 2026 com excesso de oferta, margens comprimidas e ajuste na produção.
  • Recuperação gradual dos preços do leite depende do reequilíbrio entre oferta interna e demanda.
  • Acordo Mercosul-União Europeia amplia concorrência externa e pressiona cadeia de leite no Brasil.
Garrafa de leite

StoneX

Após expansão da produção em 2025, mercado de leite entra em 2026 com margens pressionadas e ajuste na oferta

O mercado de leite no Brasil inicia 2026 em fase de ajuste após a forte expansão da produção registrada no ano anterior. O aumento da captação ao longo de 2025, impulsionado por rentabilidade favorável ao produtor e custos relativamente controlados, resultou em excesso de oferta e pressão sobre preços e margens em toda a cadeia.

De acordo com a StoneX, o crescimento acelerado da produção gerou desequilíbrio relevante entre oferta e demanda. Juliana Torres, analista de inteligência de mercado da companhia, afirma que a abundância de leite levou a queda generalizada de preços e encerrou 2025 com margens mais apertadas, sobretudo no campo.

“A compressão das margens observada no fim do ano passado tende a moderar a produção, especialmente a partir do segundo trimestre, favorecendo um reequilíbrio gradual entre oferta e demanda”, diz.

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Ajuste na produção e recuperação de preços do leite

Para 2026, a expectativa é de manutenção dos volumes de captação, mas sem novos avanços expressivos. Com margens pressionadas, parte dos produtores pode reduzir o ritmo de expansão, o que contribui para estabilizar o mercado.

Os preços ao produtor começam o ano em patamares mais baixos, o que estimula o consumo, mas dificulta a recomposição de rentabilidade. No entanto, sinais de ajuste já aparecem no mercado de derivados e no leite spot, que registrou alta em janeiro após quedas sucessivas no segundo semestre de 2025.

A tendência, segundo a analista, é de recuperação gradual dos preços ao longo do ano, movimento condicionado à capacidade de absorção da oferta interna. Custos de alimentação mais estáveis podem ajudar a aliviar parte da pressão sobre as margens no primeiro semestre.

Repasse ao consumidor

No varejo, os lácteos acumularam deflação no IPCA em 2025, reflexo direto da abundância de produto no mercado. A queda de preços não esteve associada à retração da demanda, mas à maior disponibilidade de leite, o que sustentou o consumo.

Como o recuo foi mais intenso no produtor e no atacado do que no varejo, existe espaço para repasses parciais ao consumidor em 2026. O movimento dependerá da renda das famílias, da reação da demanda e das estratégias de precificação adotadas pelo varejo.

Comércio exterior e concorrência europeia

As importações de lácteos encerraram 2025 em níveis elevados, embora abaixo dos anos anteriores. Em janeiro de 2026 houve avanço mensal, mas os volumes permanecem inferiores aos observados em 2024 e 2025, indicando menor apetite importador no início do ano.

O comércio exterior segue relevante para a oferta doméstica, ainda que o principal fator de disponibilidade seja o crescimento da produção interna no último ano.

No horizonte estrutural, o acordo entre Mercosul e União Europeia adiciona novo elemento ao cenário competitivo. A previsão de redução gradual de tarifas e criação de cotas para produtos como leite em pó, manteiga e queijos amplia a possibilidade de entrada de produtos europeus no mercado brasileiro ao longo da próxima década.

Como as exportações do Mercosul para a União Europeia permanecem reduzidas, enquanto as importações do bloco europeu já têm presença relevante, o setor de leite no Brasil deve enfrentar maior concorrência externa. O ambiente reforça a necessidade de ganhos de eficiência e ajustes na cadeia produtiva para sustentar margens e competitividade nos próximos anos.

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