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JBS pode destravar US$ 3 bi se entrar no índice S&P500, mas margens seguem pressionadas por ciclo do boi
Publicado 07/04/2026 • 08:45 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 07/04/2026 • 08:45 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
Montagem Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no Nano Banana 2, foto: Divulgação/JBS
JBS pode destravar cerca de US$ 3 bilhões em recursos de fundos passivos se, no futuro, conseguir entrar no S&P 500, de acordo com relatório do BTG Pactual.
A JBS pode destravar cerca de US$ 3 bilhões em recursos de fundos passivos se, no futuro, conseguir entrar no índice S&P 500, de acordo com relatório do BTG Pactual. A inclusão no índice, porém, não é automática nem imediata, depende de exigências como tempo mínimo de listagem nos Estados Unidos, aumento do free float e da aprovação do comitê responsável pela carteira.
Para o banco, se esse passo for cumprido, pode abrir espaço para uma nova rodada de valorização das ações, mesmo em um momento de margens pressionadas no setor de proteínas.
Após reunião com o CFO da JBS, Guilherme Cavalcanti, e a equipe de relações com investidores, o BTG destacou que a empresa já cumpriu marcos relevantes, como a redução do custo da dívida, o alongamento do perfil de vencimentos e a listagem nos EUA.
Leia também: JBS anuncia emissão de US$ 2 bilhões em bonds com vencimento em 2037 e 2057
Com a dívida já alinhada a pares globais com grau de investimento no setor de consumo básico, a expectativa agora é por uma reprecificação do equity.
“A entrada no S&P 500 parece ser o objetivo final, embora ainda haja um caminho a percorrer até que isso se concretize. Acreditamos que a inclusão em índices pode acontecer nos próximos anos”, afirmam os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla.
Antes de uma eventual entrada no S&P 500, o BTG Pactual avalia que o próximo passo da JBS deve ser a inclusão nos índices Russell, possivelmente já em junho, uma vez que a empresa cumpre os critérios técnicos. “O fluxo estimado nesse primeiro movimento pode chegar a três a quatro vezes o volume médio diário negociado”, dizem os analistas.
✍️ Para entrar no S&P, é preciso cumprir exigências, como histórico mínimo de listagem, envio de relatórios 10-K e 10-Q, free float acima de 50%, o que pode demandar redução da participação do BNDES, e valor de mercado mínimo.
A discussão sobre índices ocorre em meio a um cenário operacional desafiador. Nos Estados Unidos, as margens de carne bovina seguem pressionadas. A JBS avalia que o ambiente pode levar a novos fechamentos de capacidade na indústria. “Ainda assim, não é algo que a própria JBS deva fazer, pois isso não faz parte de sua estratégia”, aponta o relatório.
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Siga o Times | CNBCA empresa aposta na diversificação geográfica e de proteínas, além da solidez do balanço, para atravessar o ciclo negativo preservando capacidade e mantendo investimentos. A seca em regiões que concentram 57% do rebanho americano pode antecipar abates e tem contribuído para alguma melhora recente nos spreads, após um início de ano fraco. Também entraram na equação o fim da greve na planta de Greeley e a possível reabertura da fronteira com o México, com potencial adicional de cerca de 1,4 milhão de cabeças.
🔍 Ciclo do boi é o movimento de alta e baixa nos preços do gado que se repete de seis a oito anos no Brasil. Quando os preços da arroba estão elevados, os pecuaristas retêm fêmeas para reprodução em vez de mandá-las para o abate, o que reduz a oferta futura de animais e sustenta a alta das cotações. Com o tempo, o aumento do rebanho gera excesso de oferta, os preços caem e os produtores voltam a descartar matrizes para cobrir custos, preparando o terreno para um novo ciclo de escassez. Entre a decisão de reter uma vaca para reprodução e o momento em que o bezerro chega ao peso de abate, o intervalo pode superar 36 meses. Esse descompasso entre decisão e resultado é o que explica as oscilações periódicas nos preços da carne bovina, da inflação de alimentos e das margens dos frigoríficos.
No segmento de aves, a expectativa é de acomodação das margens após dois anos de rentabilidade elevada. A produção deve crescer cerca de 2% em 2026 no Brasil e nos EUA. O banco, porém, adota visão mais cautelosa e vê risco de contração mais relevante à frente, diante da expansão da oferta.
O BTG projeta EBITDA consolidado de US$ 6 bilhões em 2026 pelo critério IFRS16 (US$ 4,9 bilhões em US GAAP), com margem de 6,5%, e lucro líquido ajustado de US$ 1,4 bilhão.
A expectativa é de pressão de margem em praticamente todas as divisões, com destaque para US Beef ainda no vermelho, queda de rentabilidade em Pilgrim’s e Seara e estabilidade relativa em US Pork.
Mesmo com o momento operacional mais fraco no curto prazo, o banco reiterou recomendação de compra para as ações, avaliando que a possível inclusão no S&P 500 pode representar um gatilho relevante de valor nos próximos anos.
Para o BTG Pactual, a diversificação é o principal diferencial da JBS, ao reduzir a volatilidade e permitir atravessar ciclos adversos com geração de caixa. Esse ponto, segundo o banco, ficou evidente no pagamento recente de US$ 1 bilhão em dividendos.
No curto prazo, porém, o BTG avalia que ações de proteína tendem a acompanhar o ciclo operacional e que o ritmo de resultados pode perder força. Nesse contexto, a JBS não seria hoje a principal tese de geração de alpha dentro do setor.
Ainda assim, o banco entende que o papel oferece a melhor relação de valor entre as empresas sob sua cobertura em alimentos, tanto frente a pares brasileiros quanto a companhias listadas nos EUA, e reiterou recomendação de compra.
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